Angra com público ao fundo.

Angra, banda de power metal/metal progressivo formada em 1991, comemora os 20 anos de seu primeiro álbum com a turnê de nome bem sugestivo, “Angels Cry 20th Anniversary Tour”. Assim como muitos outros álbuns do Angra,  esse mistura elementos da música tradicional brasileira com música erudita e heavy metal. Estive em seu último show do ano de 2013, que foi no Espaço Victory, próximo à estação de metrô Penha, em São Paulo, e posso dizer que foi um show nada menos do que espetacular.

Diria que um dos poucos pontos a se reclamar seria somente pelo atraso de uma hora e meia, porém, os brasileiros do metal subiram ao palco ao som de “Angels Cry”, fazendo todos esquecerem completamente do pequeno deslize com o horário. Fábio Lione assumiu os vocais, e esta é a opinião deste que vos escreve, ele é o melhor vocal que já esteve no Angra nesses 22 anos de carreira, totalmente descomunal.

Logo ao término de “Angels Cry”, sem nem pedir nem perguntar, emendaram “Nothing to say”, e se me permitem o trocadilho, de fato, nada a dizer, estava tudo muito perfeito. Logo após, decidiram tocar “Waiting silence” do álbum “Temple of Shadows”, não preciso dizer que o público delirou sem muito esforço por parte da banda, que retomou ao “Angels Cry” e tocaram o clássico “Time”, mostrando mais uma vez o potencial de Fábio Lione nos vocais, seguida de “Lisbon”, do álbum “Fire Works”, que pela atitude dos fãs ali presentes, tocou no coração e fez todos cantarem cada verso junto com Lione, que cedeu espaço para “Milleniun Sun”, do esplendoroso álbum “Rebirth”.

Aí então como uma pequena surpresa, Felipe Andreoli assume os vocais da primeira estrofe de “Winds Of Destination”, do álbum “Temple of shadows”, e retornando ao álbum “Fire Works”, executaram “Gentle Change”. Em seguida foi a vez de Rafael Bittencourt assumir os vocais, com  “The voice commanding you”, mostrando mais uma vez que a guitarra não é o único dom de Bittencourt. Depois de voltarem ao “Temple of shadows” e tocarem “A late redemption”, com Lione de volta ao microfone, a banda então encerra a primeira parte do evento com a clássica “Silence and distance”, do álbum “Holy land”.

Kiko Loureiro e Fabio Lione

Antes de falarmos das próximas fases do show, gostaria de fazer uma rápida avaliação da casa! O Espaço Victory tem uma ótima acústica, que não permitiu que nenhuma qualidade de som fosse perdida. O som estava muito bem regulado, com um volume ótimo, nem alto demais e nem baixo, houve quem reclamasse da estridência do vocal, mas pela minha pequena experiência de alguns anos em música, percebi que não era má regulagem na mesa de som que fazia a voz de Lione estourar nossos tímpanos, mas sim a própria voz de Lione, que com altos agudos, quebraria taças ali com facilidade. Algo que percebi que com um pequeno ajuste poderiam melhorar e muito foram os níveis de agudo das guitarras, que estavam elevados demais, mas talvez esse seja o gosto dos mestres Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Se for esse o caso, nada há a se fazer. Detalhes pequenos para a qualidade e maestria que o Angra executou o evento.

Felipe Andreoli e Rafael Bittencourt

Voltando ao show, os músicos decidiram fazer um momento acústico. Com Rafael Bittencourt assumindo os vocais e tocando violão acompanhado de Kiko, executaram “Reaching horizons”, que foi gravada em seu primeiro EP, “Freedom Call”. Depois veio a melódica “Lullaby for Lucifer”, última música do álbum “Holy Land”, até que Fabio Lione retorna aos vocais e canta a clássica “Carry on”, primeira música do álbum aniversariante “Angels Cry”, dando fim ao momento acústico.

Com os sons elétricos de volta, tocaram “No pain for the dead”, música do “Temple Of Shadows, até que então executaram a clássica “Evil warning”, minha canção favorita. Foi nesse momento que todos levantaram os celulares e começaram a gravar a execução da penúltima música do “Angels Cry”, parecia até que todos esperavam pela canção, realmente muito marcante. Então todos sumiram do palco, e quando voltaram, atiraram primeiro e perguntaram depois com a mais do que clássica “Rebirth” do álbum de mesmo nome, e nesse momento vi algumas pessoas com lágrimas nos olhos, talvez de emoção, talvez de alegria, não sei ao certo, mas digo que foi na execução dessa música o ponto alto do show.

Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt

Ao fim, todos da banda agradeceram pela participação da plateia, fizeram aquele famoso clichê como quem vai embora, mas ainda tem uma carta na manga, com Lione falando com o público em seu idioma particular misturando, inglês, espanhol, português e italiano, e o mais engraçado é que todos entendiam perfeitamente, acho que mais pela sinergia do que pelo entendimento do idioma em si. Finalmente foram embora mas não havia acabado, e literalmente do nada, sob o efeito de fumaça com um misto de luz vermelha, começaram a execução mais que esplendorosa de um dos maiores clássicos do Angra, “Nova Era”, música esta também do álbum “Rebirth”, que então fechou o show, tendo este um set list bem variado. Como disse Kiko Loureiro em palco, isso aconteceu porque apesar do show ser em comemoração ao “Angels Cry”, não fossem os trabalhos vindos após ele, o “Angels Cry” seria um álbum morto no passado há 20 anos, e não o que é hoje em dia.

Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt e  Felipe Andreoli

Este foi o show da “Angels Cry 20th Anniversary Tour”, uma verdadeira festa de aniversário para o álbum “Angels Cry”.

Veja abaixo o vídeo do clássico “Evil Warning”:

Abaixo, algumas fotos dos shows de comemoração da Angels Cry 20th Anniversary Tour:

Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt

Rafael Bittencourt

Ricardo Confessori

Deixe um comentário

Your email address will not be published.