As irmãs Gardênia, Frida, Amnésia, José e Maria Leo bem que poderiam ter saído do filme Maus Hábitos, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, e que narra os acontecimentos de um convento onde vivem freiras com passados e presentes bem profanos. A montagem As Noviças Rebeldes destacou-se no circuito americano off-Broadway em ocasião da sua estreia, há 30 anos, e dois anos depois ganhou uma versão brasileira dirigida por Wolf Maya.

Agora, o quinteto volta a subir aos palcos, sob a batuta do mesmo diretor, em uma versão atualizada e adaptada ao contexto atual. Para a sorte dos potiguares, a saga das cinco noviças aportou em Natal por três dias. A primeira noite aconteceu nesta sexta-feira, 05, e a trupe permanecerá na cidade por mais duas noites de apresentações: este sábado, às 21h, e domingo, às 19h.

Fotos: Andressa Vieira | Maurício Xavier, Drika Mattos e Sabrina Korgut em cena.

Adentrei as portas do Teatro Riachuelo esperando me deparar com números musicais arrojados, atrizes carismáticas, capazes de sustentar o espetáculo pelos 90 minutos aos quais se propõe, humor e criatividade. Posso dizer, seguramente, que minhas melhores expectativas foram alcançadas. Não só encontrei tudo o que esperava, como uma montagem versátil e eclética, com atrativos que vão desde a voz treinada e encantadora de Sabrina Korgut (irmã Amnésia),  até uma apresentação de balé clássico protagonizada pela afiada Carol Puntel (irmã Maria Leo) e um número de sapateado que demonstra a segurança e a sintonia das quatro atrizes e do ator em cena.

O elenco ainda é completado por Soraya Ravenle, interpretando a Madre Superiora Gardênia, e que foi, no espetáculo desta sexta-feira, competentemente substituída por Drika Mattos; a engraçadíssima Helga Nemeczyk, como a polêmica Irmã José;  e Maurício Xavier, que dá corpo, voz e graça a uma das personagens mais divertidas, a chefe das noviças, Irmã Frida. Maurício destaca-se pela forma como se encaixa ao formato da peça, conseguindo atingir o tom certo do musical em cada detalhe: desde o ritmo da voz (mesmo em números não musicais) até a movimentação do corpo e a expressividade necessária quando se lida com o formato do teatro.

O grande destaque, contudo, fica por conta de Sabrina Korgut, com sua carismática irmã Amnésia, responsável por quebrar a quarta parede do palco por diversas vezes e envolver o público com a narrativa. Sabrina possui a melhor desenvoltura em cena, articulando vozes, tons, movimentos e os diversos momentos de sua personagem, que cresce progressivamente ao decorrer do espetáculo.

Impossível não contemplar nesse texto a música da montagem, aspecto importantíssimo pelo formato de musical, e brilhantemente trabalhado. A trilha do espetáculo é dinâmica e envolvente em cada nota, e une-se à performance do pianista/ator André Amaral como uma relevante personagem no palco.

O tom de humor varia entre a sutileza e, por vezes, o escrachado, com pontuais momentos mais apelativos. Esse aspecto garante às noviças a simpatia de variados públicos, tal como se pôde constatar na primeira noite de espetáculo em Natal: quando as luzes se acenderam, os aplausos de pé vieram de um público heterogêneo que agregou os mais diversos tipos e faixas etárias.

SERVIÇO

As Noviças Rebeldes, de Wolf Maya
Sábado, 06, às 21h, e domingo, 07, às 19h.
Teatro Riachuelo (Midway Mall)

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