Bebendo da fonte de sucessos, Águas Rasas encontra seu próprio caminho
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Se podemos dizer que existe tal gênero como “filme de tubarão”, Águas Rasas se encaixa aí. O filme nos apresenta a Nancy (Blake Lively), uma jovem surfista que perdeu a mãe e vive um momento de dúvida em sua vida. Afastada da faculdade de medicina ela faz uma viagem a Tijuana, onde aproveita para surfar numa praia paradisíaca onde sua mãe esteve quando tinha a sua idade.

Ao entrar no mar, ela conhece dois nativos, que logo se despedem e partem rumo à praia. Nancy encontra então um cadáver de baleia que imediatamente se torna seu primeiro bote salva-vidas contra os ataques de um tubarão gigante que acaba de abocanhar sua perna. O cenário está montado e um filme como esse dificilmente foge dessa abordagem: ela está agora isolada, sangrando e patrulhada por um tubarão que está à espreita esperando um vacilo para devorá-la.

Depois de várias investidas do monstro do mar, ela finalmente consegue se estabelecer em uma pequena ilha de corais que aumenta e diminui conforme a maré, tornando-a mais ou menos vulnerável. De agora em diante, ela precisa fazer algo para escapar dali antes que seu corpo não resista mais aos efeitos dos ferimentos. O roteiro faz um belo trabalho ao traçar sutilmente um paralelo entre a luta de Nancy contra o tubarão e da sua mãe contra o câncer, delineando muito o bem o seu tema: a luta pela sobrevivência.

O filme bebe da fonte de grandes sucessos como O Náufrago, 127 horas e, obviamente, Tubarão, de Spielberg. Mostrando apenas o essencial do nosso vilão, o filme foge do exibicionismo e, corretamente, se concentra na tensão e no suspense do que está por vir a cada minuto. Tratando elementos visuais de forma atraente, o filme nos envolve na luta da heroína.

A edição do filme também é digna de menção, construindo gradativamente um ritmo que nos leva ao frenético e angustiante embate final entre Nancy e o tubarão. A trilha sonora do grande Marco Beltrami também desempenha um papel fundamental. O diretor Jaume Collet-Serra (A Órfã) acerta ao não pesar a mão na direção e manter Águas Rasas um filme simples, porém criativo e bastante eficiente que prende o espectador e não decepciona a tradição dos bons “filmes de tubarão”, refrescando o “gênero” e lhe dando uma nova roupagem.

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