'Caça-Fantasmas' e o ódio da internet
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Se houver algo estranho na sua vizinhança, quem você vai chamar? “Caça-Fantasmas, exceto se forem do sexo feminino”. Esse foi o pensamento de milhares de “fãs” do clássico do final dos anos 80 assim que o trailer da nova versão do filme foi lançado. Sim, o filme não tinha nem ido para as telonas, porém já foi julgado como péssimo.

A justificativa de alguns para não parecer tão óbvio que o motivo era baseado no sexo das personagens principais foi o mesmo usado no lançamento do novo (acredite) Star Wars: sequências são ruins e estragam a magia da história original. O interessante é que o mesmo argumento não é sequer pensado quando diz respeito a filmes com papéis masculinos permanentes, como é o caso de O Exterminador do Futuro e suas confusas e inúmeras sequências (cinco filmes e uma série spin-off sobre a mãe do protagonista). A última delas, O Exterminador do Futuro: Gênesis, inclusive, apaga todas as linhas de plot anteriores, dando a possibilidade de mais sequências do clássico.

Bom, toda essa campanha negativa me deu mais vontade de ver o filme. Assim como a primeira versão, todas as caça-fantasmas são atrizes de comédia, como a excelente Melissa McCarthy, que conhecia da série Mike & Molly (como Abby), Kristen Wiig (de Missão Madrinha de Casamento e também conhecida por atuar no Saturday Night Live), Kate Mckinnon (que também participa do mesmo humorístico americano e é a única atriz abertamente lésbica do elenco) e Leslie Jones. Somando o bom elenco a uma trilha sonora muito boa, composta de artistas como Elle King, Mark Ronson & Passion Pit e uma das minhas bandas favoritas (Wolf Alice), o filme com certeza é digno de atenção.

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A história do filme começa quando Erin (Kristen Wiig) tenta deixar o passado de lado para tentar uma posição cativa na Universidade de Columbia. Só tem um probleminha: no passado, ela e Abby (Melissa Mcarthy) lançaram um livro sobre fenômenos paranormais. Pois é, os fantasmas não contribuem para a seriedade acadêmica de Erin e por isso ela procura “enterrar” o livro indo atrás de Abby, que continua investigando agora com a ajuda da sua nova parceira, Holtzmann. Um caso paranormal leva a outro e juntas elas acabam formando o grupo de Caça-fantasmas, que em seu segundo “caso” encontram Patty (Leslie Jones), que trabalha no metrô e é quase um “Google Maps Humano”.

Yates-and-Gilbert-ghostbusters-2016-39389468-470-200Juntas, elas contratam Kevin, um secretário burrinho interpretado por Chris Hemsworth. Elas fazem piada até com o papel pelo qual o ator é mais conhecido, o do deus nórdico Thor nos filmes da Marvel. Os atores da versão original também aparecem em outros papéis para dar um toque a mais no filme. Bill Murray interpreta Martin Heiss, o cético em busca de desmascarar os tais fenômenos paranormais, e Ernie Hudson aparece como o tio de Patty, que é dono de uma funerária.

Quanto à parte estética do filme, os efeitos não podem ser comparados com os do clássico de 84 pela superioridade de tecnologia que atualidade traz. Entretanto, comparando com seus contemporâneos, o 3D do novo Caça Fantasmas salta aos olhos, com a chuva de luzes coloridas e fantasmas azulados.

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Apesar de tanto buzz e polêmicas por causa do conteúdo (além do machismo, o racismo nojento no Twitter para atingir a atriz Leslie Jones), o filme é bem leve no estilo, podendo ser facilmente assimilado durante um almoço com a família e é sim, acredite, bem melhor do que a mais pálida lembrança que eu tinha ao assistir o antigo na “Tela de Sucessos” do SBT. E não posso deixar de falar, é claro, da representação feminina em papéis principais, aspecto importantíssimo não para nós, que já crescemos, mas sim para as futuras gerações, que vão curtir e amar o filme.

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