“Charada” mostra que o clássico utilitário é sempre uma boa opção

Charada (Charade) estrelado pela atriz e ícone Audrey Hepburn (Sabrina e Bonequinha de Luxo) e pelo charmoso ator Cary Grant (Tarde demais para esquecer e Ladrão de Casaca) é um filme de 1963 que mistura o suspense à la Hitchcock com uma comédia de excelentes diálogos. Dirigido por Stanley Donen, o filme possui um dos figurinos mais minimalistas e utilitários do cinema.

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Assinadas pelo grande amigo e stylish de Hepburn, Hubert de Givenchy ou simplesmente Givenchy, as peças do figurino são em sua maioria as que consagraram Audrey como ícone de estilo do século 20. O figurino revela a predisposição das peças para o uso diário, além de contextualizar o eixo local e temporal da narrativa.

A personagem Regina Lampert (Hepburn) é uma mulher recém divorciada que está passando uma temporada na Suíça. Lá ela conhece Peter Joshua (Cary Grant), um homem misterioso, logo tornam-se amigos e unem-se para desvendar um mistério envolvendo o ex-marido de Regina quando ela retorna à Paris.

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Audrey Hepburn exala luxo e classe em modelos feitos especialmente para ela. As peças-chave do guarda roupa da Sra. Lampert são trench coats, jaqueta boxers e utilitárias, saia lápis e luvas. Um guarda roupa utilitário para uma mulher moderna. É isso que define a personagem de Hepburn. Popularizado pelo público feminino nas décadas de 40 e 60, os casacos utilitários (trench coats e jaquetas) tinham o corte que faziam referência à vestimenta masculina. O trench coat, também conhecido como sobretudo, possuía cortes militares porque era o uniforme que os homens usavam  durante a Segunda Guerra Mundial.

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Enquanto isso, na mesma época, as mulheres adotavam o “look masculino” devido às questões de recrutamento feminino para a batalha. As mulheres na guerra adotaram um vestuário mais utilitário, as cores, em sua maioria escuras, refletiam o sentimento da época. A América passava por maus momentos. O regulamento L85 aprovado em 1942 previa a economia de materiais de costura. Roupas deveriam ser mais simples. Foi proibida a produção de saias rodadas e todas as peças que exigissem muito tecido. O trench coat como peça utilitária seguiu os moldes da época. Silhueta reta, comprimento até o joelho, alguns possuíam bolsos, outros não, e abotoamento duplo caracterizavam a peça. O famoso clichê “menos é mais” nunca foi tão pertinente.

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Regina Lambert (Hepburn) ressignifica a imagem feminina do pós guerra numa época em que a tendência era o London style, movimento fashion e cultural dos anos 60. Luvas, casquetes  e saias lápis também faziam parte do vestuário da protagonista de Charada. As luvas e o1d9d25ea01ec466a6fdceb215cd7e55d casquete, em sua essência, representam classe e  status social; enquanto a saia lápis é a simbologia de que aquela mulher é livre, trabalha e lida com a própria vida. A mulher se depreendera do lar e agora experimentava a sensação de liberdade.

Já Peter Joshua (Grant) personifica a o estereótipo do homem europeu usando ternos e muita alfaiataria, o que o caracteriza como um típico homem de negócios cujo figurino “clean” e não o conota nem como mocinho nem como vilão.

O figurino de “Charada” se distingue do estilo que estava surgindo na época. Apesar do London style virar febre na década de 60, o estilo utilitário da personagem de Hepurn nunca deixou de ser copiado, tornando-se contra-cultura da época, assim como foi o italiano Valentino no final da década de 60.

Conhecida pelos traços delicados e uma magreza que era considerada por alguns figurinistas como defeito, Audrey consagrou- se como uma das mais belas e estilosa atrizes de Hollywood.

Givenchy como figurinista

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Audrey e Givenchy

Hubert de Givenchy era um estilista iniciante quando conheceu a atriz e ícone fashion Audrey Hepburn. A princípio, relutou em trabalhar com ela, mas cedeu. Conhecida como a primeira parceria cinema e moda, a amizade de Audrey e Hubert durou até o fim da vida dela. Seus looks tornaram- se clássicos e atemporais sob a orientação e conhecimento de Givenchy.