Pedalinhos na lagoa Manoel Felipe na nova estrutura da Cidade da Criança (Foto: Eduardo Alexandre Garcia/Secult)

Pedalinhos na lagoa Manoel Felipe na nova estrutura da Cidade da Criança (Foto: Eduardo Alexandre Garcia/Secult)

A Cidade da Criança é um espaço de 25 mil metros quadrados de área verde localizado no bairro de Tirol, na Avenida Rodrigues Alves, em Natal. Foi construído nas margens da lagoa Manoel Felipe, em 1962, durante o governo de Aluísio Alves. Porém, os anos se passaram e o descaso fez com que uma das poucas opções de entretenimento da cidade ficasse destruída e abandonada. Uma ampla reforma foi feita e o espaço será entregue mais uma vez para população no dia das crianças, próximo domingo (12).

Fachada da nova Cidade da Criança (Ivanízio Ramos/Assecom)

Fachada da nova Cidade da Criança (Ivanízio Ramos/Assecom)

Esta será uma outra opção de lazer que vai estar disponível para a população, além do Parque das Dunas. No dia 05 de junho, a Prefeitura do Natal reabriu o Parque da Cidade, localizado na Avenida Prudente de Morais, um outro local em que os natalenses podem se divertir. Mas, como surgiu a Cidade da Criança? Como era a estrutura antes do local? Quais as opções de lazer na cidade antes disso?

A lagoa, que antes era chamada de Cafalanges, é nome do antigo proprietário das terras. Vale lembrar que os bairros de Tirol e Petrópolis, no início do século XX, eram lugares isolados do grande centro e compostos por granjas. Alguns estudos apontaram que o local era nascente do rio do Baldo.

Como surgiu a história do local? Realmente não se tem muita coisa para encontrar na internet sobre o local. Porém, algumas informações foram achadas numa dissertação de mestrado do curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), elaborada no ano de 2011. É escrita por Frederico Augusto Luna Tavares, intitulada de “No tempo dos brotos: juventude e diversão em Petrópolis e no Tirol (1945-1960)”.

O documento diz que nos anos de 1940, antes de virar a Cidade da Criança, a lagoa virou um parque municipal, através do Plano Geral de Obras, onde foi montado um deck, auditório, bancos e quiosques.  Lá aconteciam as realizações de pequenos piqueniques nos finais de semana, reunindo as famílias natalenses. Se não fosse a lagoa, os jovens tinham duas opções para se divertir: as praças ou os clubes, onde aconteciam as principais festas da capital potiguar.

Entretanto, no início da década de 1960, o governador Aluísio Alves realizou uma grande reforma na lagoa e colocou várias outras estruturas além das que já existiam, como um mini zoológico, pista de cooper, passeios de pedalinho, parque, capela e réplicas menores de edifícios históricos da capital potiguar.

Lagoa Manoel Felipe em meados da década de 1940/50 (Blog Natal Como Eu Te Amo)

Lagoa Manoel Felipe em meados da década de 1940/50 (Blog Natal Como Eu Te Amo)

A inauguração aconteceu no dia 31 de janeiro de 1962. O local marcou a infância de diversas gerações natalenses, conhecido pelas atividades voltados para o público geral da cidade: os passeios de pedalinho na lagoa, assistir a uma apresentação teatral ou ver shows faziam parte da programação de pessoas que viveram o auge daquele local.

Quando pensei em falar sobre a Cidade da Criança e sua origem, foi a foto que minha mãe sempre mostrava para mim que me veio a mente. Na imagem estava ela e os meus tios quando eles ainda não tinham menos de que sete anos. A imagem que está no lado direito é na década de 60. Questionei minha mãe, a funcionária pública Alice Paiva, sobre o que mais memorizava de lá, uma vez que nunca tinha visitado o local e ela respondeu:

Funcionária Alice Paiva quando criança com seus dois irmãos na Cidade da Criança nos anos 1960

Funcionária Alice Paiva quando criança com seus dois irmãos na Cidade da Criança nos anos 1960

“Era uma tarde de muita alegria, íamos ver os animais, no meio da lagoa tinha uma ilha onde ficavam os macacos. Lembro dos pedalinhos, dos brinquedos do parquinho. Corríamos pelo gramado ao redor da lagoa. Por último íamos lanchar na lanchonete que existia lá. Só esse fato já era uma novidade, pois lanchar fora de casa não era um costume comum na época.  Era um domingo maravilhoso”, relata.

Outro que entrevistei foi Thiago Abreu, que trabalha como programador e já visitou a Cidade da Criança quando pequeno. Ele lamenta que tenha perdido as fotos dessas lembranças. “Tinha o teatro ao ar livre, pois eu vi uma apresentação de palhaços numa das vezes que eu fui. Gostava do mini-zoo, mas minha atração favorita eram os pedalinhos”.

A comemoração do dia das crianças era sinônimo de uma visita por lá, brincar no parquinho, visitar o museu ou assistir a uma atração. A estudante de mestrado Sylvia Pinheiro, 23 anos, lembra os momentos em que assistiu as apresentações no espaço e quando passeava com a família. “Ainda lembro-me de andar de pedalinho na lagoa com meus pais. Tenho várias fotos das vezes que passei por lá”, conta.

A estrutura, ao longo do tempo, ficou deteriorada e por isso foi fechada no final da década de 2000 por causa de uma interdição do Corpo de Bombeiros. Foi realizada uma grande reforma, que só foi concluída em 2014, após diversos problemas com as obras. Agora, quem era de Natal, ou nasceu em outra cidade, e não aproveitou a oportunidade, vai ter a chance de conhecê-lo.  A seguir, coletamos depoimentos de natalenses que se lembram do local.

Pessoas que se lembram da Cidade da Criança

Sylvia Pinheiro, mestranda em Neurociências- 23 anos:

“Tenho varias histórias de lá (na Cidade da Criança). Como a vez que ganhei um concurso de quem dançava melhor a música “Pelados em Santos”, fiquei só chacoalhando a cabeça (risos). Isto foi em um show de Mamonas Assassinas cover, que eu jurava que eram eles de verdade. Não lembro se na época os membros da banda ainda estavam vivos, eu era muito pequena ainda. Ganhei um urso enorme como prêmio deste concurso. Ainda lembro-me de andar de pedalinho na lagoa com meus pais. Tenho várias fotos das vezes que passei por lá”.

Sylvia Pinheiro com a sua mãe na Cidade da Criança

Sylvia Pinheiro com a sua mãe na Cidade da Criança (Arquivo/Cedida)

Thiago Abreu, programador – 25 anos:

“Lembro-me de pouca coisa, pois faz muito tempo que eu fui e andei por lá, no máximo, umas três vezes. Tinha o teatro ao ar livre, pois eu vi uma apresentação de palhaços numa das vezes que eu fui. Gostava do mini-zoo, mas minha atração favorita era os pedalinhos. Por algum motivo eu achava incrível um carro movido à bicicleta”.

Caio Rodrigues, estudante de Radialismo e colaborador do blog O CHAPLIN:

“Eu ia para lá algumas vezes. Andava de pedalinho na lagoa, mas sempre tinha a vontade de pular para nadar. Também lembro que tinha os animais, porém acho que não deve ter mais, e dos shows. Enfim, era um local divertido”.

Igor Cavalcante, advogado – 27 anos:

“Uma das minhas memórias que eu tenho é que a primeira vez que andei de pedalinho foi lá na Cidade da Criança, fui com meu pai e irmãos. Eu não me lembro de muita coisa, porque faz muito tempo que fui para lá, mas sei que tinha uma pista e um lugar para a gente desenhar”.

Reforma da Cidade da Criança 

Anfiteatro (Eduardo Alexandre Garcia/Secult)

Anfiteatro (Eduardo Alexandre Garcia/Secult)

A Cidade da Criança era um dos points culturais da cidade, onde aconteciam apresentações musicais, peças teatrais e dentre outras coisas.  O parque, que hoje é administrado pela Fundação José Augusto (FJA), vai ser reinaugurado neste dia das crianças e vai fazer a parte da programação “Outubro: Alegria da Criança”, que se estende até o dia 31 deste mês e será marcada por concertos, oficinas, apresentações musicais, teatrais e dentre outros elementos culturais. A reinauguração está marcada às 09 horas do próximo domingo. Na parte musical, por sua vez, haverá Orquestra de Violinos de Goianinha, Banda Marcial da Escola Estadual Nestor Lima e show do mossoroense Arthur Soares.

Com a reforma, o local restaurou algumas estruturas já existentes e vai contar com escola para aulas de arte,  museu de taxiderme (vão ser expostos animais empalhados), torres de vigilância, capela, horta, biblioteca (em parceria com a Secretaria Estadual de Educação), pista de cooper, pedalinhos, o anfiteatro, banheiros e quiosques. Toda a infraestrutura foi adequada para cumprir as obrigações da lei de acessibilidade.

Um dos espaços novos é a Casa de Vovozinha dedicado às brincadeiras populares, como amarelinha, roda, boneca de pano, corda e dentre outras coisas. Além disso, terá obras do escultor Guaracy Gabriel espalhadas no local, Corredor Cultural Zé de China, que terá 11 cataventos do artista. Na parte dos salões de eventos haverá as exposições RN na Copa (mostra a Copa do Mundo no Estado na visão dos artistas potiguares) e Museu tá Na Cidade (apresentará reprodução de obras do acervo do Governo do Estado).  O horário de funcionamento da Cidade da Criança será de terça à domingo, das 8h às 18h (a pista abre às 05 da manhã). A partir de 1º de novembro, uma taxa simbólica será cobrada para os adultos.

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