Conheça os artistas que colocaram o Surrealismo na história da arte

Durante o início do século XX o mundo das artes começava a passar por revoluções e reformulações que eram advindas principalmente pelos movimentos de vanguardas europeias como o Dadaísmo, Expressionismo, Construtivismo e o Surrealismo. Tais vanguardas tinham como principal objetivo proporcionar indagações que perpassava o campo da artístico, influenciando e modificando também o pensamento filosófico e literário por meio da revisão das manifestações de ordem estética ou comunicativa.

Dentre essas vanguardas, uma em especial buscou discutir o cotidiano e a mente humana de maneira mais profunda, baseando-se nos estudos psicanalíticos estabelecidos pelo médico neurologista Sigmund Freud. Esse movimento em especial era o Surrealismo.

Sigmund Freud

Sigmund Freud

Freud propôs, em sua teoria, que a mente humana detinha três níveis de consciência: consciente, que tem como aspecto a percepção dos sentimentos lógicos; pré-consciente, que busca os conteúdos mas profundos, porém que podem facilmente chegar à consciência; e inconsciente, que refere-se àquilo que está não diretamente acessível ao indivíduo. Porém deve-se levar em conta que Freud estabeleceu que o inconsciente é restringido pelo individuo, devido a lembranças traumáticas reprimidas ou por um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.

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André Breton

Junto com os estudos de Freud os surrealistas traziam consigo uma crítica às morais impostas a sociedade, principalmente por meio da burguesia e da religião, pois para eles as morais sociais fazem com que o ser humano reprima seus desejos e suas vontades, impedindo consecutivamente a “evolução do indivíduo”.

Dentre as principais características do Surrealismo estava a quebra ou distorção da realidade, na qual não existia barreiras entre o sonho e a realidade. Tudo estava disperso em um “mundo” onde ambas coexistiam sem que possa se distingui-las. Apesar de ter se tornado um dos movimentos artísticos mais importantes do século XX, o surrealismo que pregava a anti-burguesia acabou exatamente por ter se tornado um arte extremamente burguesa.

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Salvador Dalí

A transformação em arte burguesia, para muitos teóricos, se deu pelo simples motivo de que – diferente das outras vanguardas do século XX – o Surrealismo se tornou aparentemente o movimento de um único artista, no caso Salvador Dalí, que se tornou o símbolo do surrealismo e relegou os demais artistas ao ostracismo. Por causa da fama, Dalí reatou laços com a ditadura de Franco e se tornou um pintor cultuadíssimo, chegando a vender quadros por milhões. As atitudes do pintor entraram em contradição com as intenções do Surrealismo, o que provocou a derrocada do movimento artístico.

Para os leitores que gostaram de uma pequena introdução, indico dois livros que levam o nome dessa vanguarda artística, escritos por Catrin Leroy. O autor faz um apanhado bem completo sobre o movimento, desde a sua origem ao ápice. Também indico “O Anjo Exterminador”, escrito por Bráulio Tavares que, apesar de ser uma análise do filme, traz um pouco os principais conceitos do surrealismo.

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