“O amor gosta de gente sem-vergonha, dos exagerados se jogando de cabeça e sem dó, dos reticentes que estão até agora esperando um sinal para seguir. Mas também adora aqueles tímidos que o guardam só pra si, na letra de um sertanejo sofrido enterrada nos fones de ouvido, aqueles chateados que sofreram feito desgraçados, só morrem de amor escondido porque o orgulho não deixa mostrar.”

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Foi numa sexta-feira à noite que Luiza lançou seu livro e eu preferi comparecer do que ir ao Mada festejar. Sabe, é meio cômica a forma que você fica após ler um quadrinho com tendências poéticas e um nome tão criativo. A fala se transforma suave e devagar, a cabeça gira em torno de coisas de combinem… Na verdade, é bem assim que podemos definir os contos da Luiza de Souza: combinam. Como o sucesso do Claudinho e Bochecha, como feijão e arroz, Eduardo e Mônica ou o emaranhado de rabiscos que você faz quando tem a mão um papel, uma caneta e nada para fazer.

Quando fechei a última página, pensei “o amor de fora dos livros, dentro de um”. Sim, “Contos Rabiscados para Corações Maltrapilhos” é sobre o amor, mas não o amor de cinema, não o amor de Nicholas Sparks ou “Um Dia”, mas o amor que eu, você e o resto da população terrestre está acostumada a presenciar. O amor com altos e baixos, com sofrimento, com lágrimas, com fins e com superação.

Falando em Nicholas Sparks, o livro também tem dessas comparações. Uma ou outra história literária ou cinematográfica famosa que em nada se bate com a nossa realidade: as cartas de “Diário de uma Paixão” e os cacos de vidro de “Sr. e Sra. Smith”.

Mas calma lá, nem todas as histórias têm um final infeliz. E alguns dos contos representam isso. Com criatividade em foco, o livro destrincha de forma completa sobre os tipos de amor. Histórias sobre o amor à primeira vista, o amor correspondido, o amor ignorado, o amor rejeitado, o amor calado, o amor esquecido, o amor diferenciado, o amor ousado, o amor safado e o amor de todas as espécies de opções sexuais se desenvolvem nas 153 páginas.

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No decorrer da leitura, eu não sei se me apaixonei mais pelo título, pelas histórias, pelos desenhos, pela sincronia ou pelo desenrolar. Seria muito mais fácil escrever um livro com 10 contos separados que falam apenas por si. Porém, Luiza faz mais que isso. Ela escreve 10 contos que falam, para o leitor, juntos. E então você se acalenta naquela emoção fofa do reconhecimento de uma história linda com outra futura que já tinha até se esquecido páginas depois.

E apenas para melhorar toda a obra, você não corre o perigo de enjoar da escrita da autora, pois duas fofas deram uma mãozinha na construção do livro. A escritora Clara Averbuck, em toda sua genialidade, se apresenta no prefácio e a Natália Noronha, da banda Plutão Já Foi Planeta, faz das músicas uma história compondo o texto do conto “Você não é mais planeta”.

A realidade é, com toda essa fofura dos desenhos e reconhecimento das palavras, não é difícil se enxergar nas opiniões e experiências. Depois de acabar a leitura, você acaba tendo apenas uma reação: favoritar o livro na sua estante do Skoob.

E termino por deixar esse resumo da capa traseira aqui porque ele dispensa adjetivos.

“ALERTA! Contém dez contos ilustrados sobre corações atropelados por rolos compressores, os quais Luiza traça com primor, paciência e sangue frio. Afinal, se alguma história tem final feliz é porque provavelmente ainda não acabou. Pois corações se quebram e os pedaços cardíacos se esparramam por todos os lados, mas é preciso ter coragem pra catá-los, um por um. E com linhas firmes e suaves, Luiza costura cada um de seus dez corações mambembemente, porém de forma cirúrgica. Há que se ter um trabalho perfeito para fazer histórias tão imperfeitas assim.”

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