Desde que foi anunciada pela FOX ano passado, Gotham tem causado muito frisson entre fãs e críticos. A série estreou há apenas algumas semanas atrás com a missão de corresponder às enormes expectativas. A ideia é de certa forma semelhante a da Marvel que expandiu o universo dos Vingadores para a TV, com o, diga-se de passagem, decepcionante Agents of SHIELD. Só que aqui, a série retrata o passado, servindo não como uma continuação da franquia Batman, mas um prólogo.

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Os primeiros segundos do episódio piloto mostram o fatídico assassinato dos pais de Bruce Wayne, o então novato James Gordon promete ao garoto que irá fazer justiça. Eis que começa a luta de um jovem detetive de não só combater a crescente corrupção em Gotham, mas se manter fiel aos seus ideiais, afinal é difícil ser honesto em uma cidade cada vez mais fora do controle, onde a própria polícia é corrupta e submissa a duas grandes máfias.

Eu sempre fui muito mais team Marvel do que DC, admito, portanto heróis como Batman dificilmente chamavam minha atenção. Ir ao cinema assisti-los? Só na ausência de opções melhores. Mas eis que surge Christopher Nolan com uma história inovadora, mais sombria, moderna, mudando meu conceito, abrindo minha mente e me fazendo enfim perceber que dá sim para gostar do homem morcego. Quando me dei conta já utilizava o termo “épico” para definir um de seus filmes, sim O Cavaleiro das Trevas, claro! Então, achei logo de início interessante a premissa da série em voltar no tempo e contar como tudo isso começou. Principalmente porque aqui o carro chefe da história vai muito além de como o Bruce Wayne tornou-se o Batman, Gotham City tem todo o destaque, a ideia é que o público acompanhe sua gradativa decadência e o quão fundo sucumbe a corrupção e violência.

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Para isso, reúne um elenco recheado de personagens icônicos em ascensão. Na lista de mocinhos temos, além do jovem Wayne (muito bem interpretado por David Mazouz), o protagonista Jamie Gordon, um ex- herói de guerra que acaba de retornar a Gotham assumindo o cargo de detetive de polícia (o insosso Ben Mackenzie de The O.C faz o papel); o amargo detetive Harvey Bullock, interpretado por Donal Logue (Sons of Anarchy), além de claro Alfred, interpretado por Sean Pertwee (Elementary) em uma versão mais severa do mordomo popularmente conhecido pela atuação de Michael Caine.

A lista de vilões como não poderia deixar de ser, é bem mais extensa e interessante. Dois personagens em especial roubam a cena, a ambiciosa proprietária de uma casa noturna, Fish Mooney, criada especialmente para série, interpretada por Jada Pinkett Smith (Matrix) e o dissimulado Oswald Cobblepot, Pinguim, que inicialmente trabalha para a Fish, interpretado brilhantemente por Robin Lord Taylor (The Walking Dad). Fish é de longe a mais interessante, o que no mínimo é uma surpresa e sem dúvida um grande feito, considerando o desafio de se inserir uma personagem inteiramente nova e com tamanho destaque em um dos universos mais famosos dos quadrinhos. Há críticas, é claro, principalmente quando Pinkett Smith exagera na dose ficando um pouco caricatural, mas eu garanto que os melhores momentos da série até agora foram com ela em cena.

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Além deles já houve vislumbres do mafioso Carmine Falcone, Edward Nygma (o Charada), além de uma versão bem mais jovem de Selina Kyle, a mulher-gato, que não chega a ser uma vilã. E mais gente vem chegando, imagens da primeira participação do promotor Harvey Dent (Duas Caras) já circulam. O mais esperado, claro, é o Coringa, embora por ora seja um mistério o nome que vai interpreta-lo.

Ah… e a fotografia! Os cenários! Se tem uma equipe, além dos vilões, que está mandando muito bem é a direção de arte. O perfeccionismo presente nos detalhes é admirável, eles criaram uma Gotham em transição que é um misto entre sombria e movimentada.

Mas como nem tudo são flores, a série tem um grave problema: o seu enredo instável que passa por momentos em que é difícil até mesmo desviar os olhos da tela (como em grande parte do ótimo episódio piloto), ao mais profundo tédio (o quarto episódio por exemplo, se arrasta por longos e tortuosos 43 minutos). Infelizmente para a Fox, que já não anda bem das pernas com suas séries, os momentos de tédio superam os de real empolgação. É claro que ainda é cedo para tirar grandes conclusões, existe toda uma temporada pela frente (apenas cinco episódios foram exibidos até a conclusão deste texto), e não se pode negar que o enredo é promissor, mas para ela engrenar, o diretor Danny Cannon e companhia terão que dar equilíbrio a uma narrativa repleta de altos e baixos. E por favor, é hora de ter uma conversa séria com Ben McKenzie. Ok, ninguém esperava uma atuação nível Gary Oldman (que nem mesmo estava em seus melhores dias como comissário Gordon), mas o moço precisa melhorar, caso contrário será incapaz de se sustentar como protagonista.

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Criada por Bruno Heller (O Mentalista) e dirigira por Danny Cannon (Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado), Gotham estreou no dia 22 de setembro pela FOX americana e 29 de setembro pela Warner Channel Brasil, a série é exibida por aqui todas as segundas às 22h30.

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