É muito bom quando a gente vê o nosso cinema ser reconhecido, sabe? E quando eu digo “nosso”, não me refiro ao cinema nacional. Refiro-me a uma produção ainda mais “nossa” e ainda menos desvalorizada. Eu sei que é difícil, eu sei que não temos incentivos, eu sei que no fim, quase todo mundo se desilude e vai tentar a vida no Rio ou em São Paulo e aí, os nomes que poderiam ser nossos, viram cariocas, paulistas… Mas tem uma galera que guerreia e são desses remanescentes que mais tenho orgulho. Tipo os potiguares Carito Cavalcanti e Joca Soares que andam circulando por aí com o curta “Noturnos”. O filme tem roteiro inspirado em poemas de Nina Rizzi. Da autora também é a voz em off do curta.

Atriz Civone Medeiros em curta “Noturnos”

Provavelmente o filme poderia ser definido como tendo um conceito “sensorial”. É muito jogo de luz, muita estética, muito movimento. E tudo isso, muito bem feito. Os enquadramentos, ângulos e as câmeras um tanto nervosas ajudam com o intuito do curta que, para mim, é fazer com que o espectador submerja nas possibilidades das vidas que ali se apresentam, através das atrizes que fazem participações.

Os diretores fazem uma escolha óbvia por uma estética urbana-noturna, como o título bem ressalta. Está escuro. Mas há luz. Há movimento. Há gente. Há vida. As cenas são curtas, tais como relâmpagos, que nem por serem curtos são menos intensos. As atrizes são expressivas e “casam” com o roteiro, bem como a trilha escolhida. Mas creio que os elementos premiados, em que o filme ganha a sua alma, são a fotografia dos diretores e a montagem de Joca Soares, muito dinâmica e detalhista.

“Noturnos” é um filme, sobretudo, estético. E sua estética é linda. Não se trata de uma narração linear. Talvez, sequer se trate de uma reflexão. Mas quase quatro minutos de contemplação.

Obs: O filme foi laureado recentemente com MENÇÃO HONROSA no 1º Festival Nacional de Cinema de Artista – IAC CINE (Recife/PE).

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