Das pinturas rupestres a Pixar: um olhar sobre a animação

Desde os primórdios da nossa história, o ser humano sempre teve uma grande necessidade de registrar de alguma forma o seu cotidiano. Para alguns estudiosos, essa necessidade decorria da vontade de oficializar a sua existência; para outros, ela estava ligada à tentativa de representar algum ato considerado divino. Mesmo sem ter uma clara definição do intuito desses registros, fortes evidências mostram que eles se iniciaram com as civilizações antigas, por meio das pinturas rupestres encontradas em cavernas localizadas em diversos pontos do mundo. Com o desenvolvimento das civilizações e do intelecto humano, novas formas de atestar a existência começaram a ser criadas com o intuito de serem mais facilmente compreensíveis pelas gerações futuras, o que possibilitou o surgimento, dentre outros exemplos, dos aparelhos ópticos, cujo principal propósito era estudar a persistência da visão.

Pintura rupestre
Pintura rupestre

Com o despertar do século XIX, embasado nos experimentos do século XVII e XVIII sobre a representação das imagens, surge o que os estudiosos chamaram de primeira fotografia do mundo. Esse feito ocorre em 1826 na França, graças ao pesquisador Nicéphores Niepce, que reformulou a câmara escura adicionando ao invento uma placa de vidro e uma substância fotossensível, permitindo que uma imagem de um determinado local ficasse registrada na placa de vidro quando essa substância fosse atingida pela luz.

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Foto mais antiga tirada por Niépce, por volta de 1826.

Esse fato histórico possibilitou que mais experimentos surgissem com o objetivo de buscar respostas sobre o fenômeno da persistência da visão. Foi nesse contexto que apareceram aparelhos ópticos como taumatrópio, fenaquistoscópio, zootrópio, praxinoscópio e o cinetoscópio, que vão servir como base para o desenvolvimento da animação. Para Alberto Lucena Jr. e Ana Carolina, teóricos do cinema, um dos pontos importantes para o surgimento da animação ocorreu em dezembro de 1895, quando se desenvolveu na França pelos irmãos Lumière o cinematógrafo, que apresentava fotografias animadas. Foi a partir dessa invenção que hoje existe o cinema, podendo se desenvolver em uma forma de arte e expressão adorada por muitos. Porém, é somente em 1906 que acontece a união entre a arte cinematográfica e o desenho. A obra em questão foi a animação “Humurous Phases of Funny Faces”, idealizado por James Stuart Blackton:

Dois anos depois surge o primeiro curta-metragem todo produzido inteiramente em animação. Trata-se de “Fantasmagorie”, idealizado pelo francês Emile Cohl. A animação se destacou bastante, especialmente por melhorar as técnicas para a construção de uma animação, mostrando personagens ativos e com movimentos mais convincentes. Podemos destacar ainda como um nome importante para a história da animação o norte-americano Winsor McCay, que ficou bastante conhecido por introduzir humor. Um de seus filmes mais importantes é “Gertie”, animação de 1914 cujo principal artifício para entreter o público era um dinossauro muito engraçado.

A animação logo começa a se tornar um produto industrializado. Isso fez com que os artistas buscassem novas ferramentas e técnicas que pudessem agilizar e melhorar cada vez mais as produções com o objetivo de despertar a atenção e o gosto de todos os espectadores, e não apenas o público infantil. Diante desse contexto, pode-se afirmar que há um mercado bastante lucrativo em torno dessa vertente do cinema. Não é à toa que empresas como Disney e a Pixar – um grande oligopólio da animação – atuam até hoje, cada vez mais fortes e inovadoras.