Discriminação, intrigas, sexo: That’s all about ‘Queer as Folk’.

Assim que soube da proposta de falar sobre séries aqui no blog, imediatamente me veio a ideia de falar de uma das séries que melhor alia “cine GLS” com “seriados marcantes”. Claro que estou falando de “Queer as Folk” (também poderia ser sobre ‘The L Word’, mas esse momento ainda vai chegar – spoiler). A série, que foi exibida entre os anos de 2000 e 2005, trata da vida dos jovens Brian, Justin, Michael, Emmett e Ted, e também do casal Lindsay e Melanie, além de muitos outros personagens importantes, como a mãe de Michael (Debbie) e etc. Todos representando uma diferente ‘parcela’ do mundo gay, sejam lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais… todos com seus trejeitos, psicoses, manias, sonhos, aspirações e, principalmente, levando sua vida corriqueira e perfeitamente normal.

 

 

 

A série já começa de maneira chocante (e realista), na Babylon, uma famosa boate GLS da cidade, com diversos homens usando pouquíssima roupa, alguns dançarinos/gogo boys, música alta, alguns casais, darkroom e, em meio a todo esse cenário, a primeira frase (dita por Michael), que, pra mim, caracteriza toda a série: “The thing you need to know is: thats all about sex” (O você precisa saber é: É tudo sobre sexo). A partir desta frase e deste ambiente, a trama da série começa a se desenrolar. Passamos a conhecer Emmett, um entendedor de moda, engraçado e sarcástico, Ted, um contador inteligente e tímido, Michael, um amante de quadrinhos romântico e simpático, Justin, um jovem que está começando a descobrir o mundo gay, e o centro da trama, Brian, o auto-confiante, determinado, bem sucedido e (como não poderia deixar de ser) aquele que, para uns é vilão e para outros, mocinho. Outros personagens também ganham destaque, como Lindsay, que é professora de arte e mãe do filho de Brian (Gus) e Melanie, que é advogada, esposa de Linds e “consultora jurídica” em diversos casos importantes, dentre eles os que se relacionam a agressões, preconceito e questões de sexualidade.

 

Uma das coisas que podem ser facilmente observadas na série, se contrastarmos com os dias atuais, é a velocidade com que as coisas mudaram no quesito “aceitação sexual”. Quem vê a série pela primeira vez, consegue notar que aquilo que na época (13 anos atrás) era considerado um ‘tabu’, hoje é perfeitamente comum de ser visto. Para tanto, a série foi precursora em diferentes temas, como violência contra casais homoafetivos, discriminação com portadores do HIV, mal-tratos com travestis e transexuais, dificuldade de casais do mesmo sexo em adotar e criar filhos devido ao preconceito social (vizinhos, escolas, familiares…), dentre outros. Por toda essa importância social (tanto da trama, quanto dos atores que, na vida real, abraçavam a causa e participavam de movimentos contra homofobia e pró-direitos dos homossexuais – mesmo aqueles que eram heterossexuais), a série ganhou diversos prêmios e passou a ser reconhecida e retransmitida por muitos países e até hoje e referência neste tema.

 

Talvez para alguns a série ainda passe a ideia errada. Talvez ainda seja “all about sex”. Mas, o fato é que a ideia não era passar a mão na cabeça ou vitimizar gratuitamente ninguém. Os diretores tentaram mostrar por diversos ângulos uma sociedade que até então começava a sair dos ‘guetos’ e ganhar o mundo. É difícil não generalizar, principalmente quando se tem apenas 40 minutos, mas a partir do momento que o espectador nota a trama por traz das boates, ou da música, também começa a se envolver e emocionar com aquelas histórias (em sua maioria, baseadas em fatos reais).

 

 

Nada na série (ou na vida real) é exclusividade de homossexuais ou heterossexuais. Desde o apelo sexual aos problemas familiares  Tudo se remete à vida de pessoas que enfrentam problemas normais e que, em alguns casos, precisam enfrentar esses problemas sob a capa da homofobia.  QAF abre portas para uma nova mentalidade. Entender que as coisas vão além do que as aparências mostram: que gays nem são os vilões e nem são os santos e que a sociedade tende a mudar, não para dar mais direitos para uns do que para outros, apenas para lutar para que todos possuam exatamente os mesmos direitos.