Releitura, refilmagem, revisão, retomada. O prefixo “re” tem três sentidos mais comuns: a repetição, reforço e retrocesso. Pensando nisso, nós, do Chaplin, fizemos uma listinha de quatro remakes para avaliarmos, se são meras repetições do original; se, de fato, trazem algo novo ao enredo e reforçaram a história ou se retrocederam, perdendo o encanto e a magia encontrados na versão original dos filmes. Na opinião de Túlio e Leila, essa que vos escreve.

As luxuosas festas de Gatsby lado a lado

Começando a nossa listinha com “O Grande Gatsby”, filme baseado no icônico livro F. Scott Fitzgerald, conta a história de um homem que fez fortuna vendendo ilegalmente bebidas durante o período da Lei Seca norte-americana, na década de vinte. Solitário e enigmático, Jay Gatsby realizava grandes festas em sua mansão, na esperança de reencontrar seu antigo amor.

A obra foi adaptada para Broadway e teve sua primeira versão para o cinema em 1949. Na sua segunda refilmagem, o longa é estrelado por Robert Redford e Mia Farrow nos papeis principais, dirigido por Jack Clayton e roteiro de ninguém mais e ninguém menos que Francis Ford Coppola e a com a luxuosa colaboração do próprio autor do romance. Neste ano, o espalhafatoso diretor australiano, Baz Lhurmann dará sua versão a obra, com um tom mais exagerado e com alguns vários chroma Keys, no elenco: Leonardo DiCaprio, Carrey Muligan e Tobey Maguire.

Original e Versão garantiram a obra original da Trilogia Millemmium selo de qualidade

O jornalista sueco Stieg Larsson não poderia imaginar a repercussão que sua trilogia, “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” iria gerar mundo afora. Os livros que narram a história de vida de Lisbeth Salander, uma problemática hacker e um jornalista de meia idade a frente de uma modesta revista de cunho ideológico. Best-sellers em diversos países, a trilogia não tardou para ser adaptada a linguagem cinematográfica em sua terra natal, a Suécia.

Capitaneados pelo diretor Niels Arden Oplev, a talentosa Noomi Rapace assumiu a identidade da destemida hacker e heroína da trama, Lisbeth Salander; o jornalista Mikael Blomkivist foi interpretado por Michael Nyqvist nos três filmes: “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “A Menina Que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”. Hollywood, percebendo o sucesso dos livros, tratou de fazer sua versão e chamou David Fincher para desenvolver o projeto, ao lado de Daniel Craig e da (semi) desconhecida Rooney Mara, que deram vida ao primeiro filme da série com um orçamento significativamente superior ao original sueco trouxe uma produção mais cheia de esmero e com menos Salander.

Willy Wonka e sua Fantástica Fábrica de Chocolate com e sem chroma key

 “A Fantástica Fábrica de Chocolate” teve sua primeira versão em 1964, dirigida por Mel Stuart e estrelada por Gene Wilder, uma das figuras mais interessantes da comédia norte-americana, dando vida nos cinemas à obra dos livros de Roald Dahl. No filme, Willy Wonka faz uma promoção que dá direito a um passeio pela sua fábrica, fechada há algum tempo, para isso, é preciso encontrar um bilhete dourado na barra de chocolate.

O excêntrico Tim Burton aceitou o desafio de refilmar a história de Willy Wonka, contou com o apoio de Johnny Depp e de recursos visuais, que estavam começando a ser explorados em 2005, o resultado foi um filme um tanto plastificado, com uma estética que foge um pouco a filmografia do diretor.

Entre o reamke e o original apenas Penélope Cruz permanece, a título de qualidade

Abre Los Ojos, “Preso na Escuridão” (título brasileiro) ou “Abra os Olhos” (como eu vi nos áureos tempos de Cine Belas Artes do SBT), é um filme espanhol de 1997 dirigido por Alejandro Amenábar. O enredo é confuso e provocativo. Fala da história de César, interpretado por Eduardo Noriega, um playboy paquerador que acaba se apaixonando por Sofia, papel de Penélope Cruz. Tudo ia bem até um acidente de carro que deixa o rosto de César desfigurado e perturbado com visões de seu passado.

A trama é complexa e interessante, mas ao meu ver, quando Cameron Crowe convida Tom Cruise, Penelope Cruz (que faz o mesmo personagem da versão original) e Cameron Diaz pra contar a mesma história,  na realidade yankee, as coisas não são tão bem sucedidas. O filme não foi bem recebido nem por público nem pela crítica, mas ao menos deu brecha para o diretor da versão original, Amenabár, ser reconhecido e visto nos EUA.

Essa foi mais uma edição do cinematógrafo, dúvidas, críticas, sugestões e recalques, fiquem à vontade para comentar e até o próximo programa!

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