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La Casa de Papel reproduz foto histórica da prisão de Lula com a personagem Lisboa (Raquel Murillo)

2 anos após prisão de Lula, La Casa de Papel reproduz foto histórica

A polêmica prisão do ex-presidente Lula, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, aconteceu no dia 07 de abril de 2018, data em que fora lançada a segunda temporada do sucesso internacional capitaneado pela Netflix, “La Casa de Papel”, uma série espanhola que narra, a princípio, o roubo da Casa da Moeda da Espanha e, depois, a reunião dos personagens para um novo “atraco”, agora ainda mais ambicioso, ao Banco da Espanha.

Coincidentemente, a segunda temporada da série foi a que adotou um tom mais militante, tratando os protagonistas como símbolos de um revolução anti-sistema. “Professor” passou a ser uma voz empática que adotava meios poucos convencionais e politicamente incorretos para lutar contra a desigualdade social e o status quo que reina em âmbito estatatal.

A quarta temporada da série estreou na última sexta-feira, 03, com oito episódios. No penúltimo deles, uma cena em especial chama atenção para quem acompanha a política interna brasileira: Lisboa, ou Raquel Murillo, é levada presa depois de horas de interrogatório. No caminho entre posto policial e veículo, ela é recebida com carinho, reconhecimento, jovens a homenageiam com gritos de guerras, velhinhas querem abraçá-la.

Em meio a tudo isso, a fotografia da série capta um plano aéreo, em que Lisboa aparece ao centro, em meio a uma multidão de pessoas de vermelho tentando alcançá-la com os braços esticados. Parece uma descrição familiar? Confira abaixo as duas imagens: a cena de La Casa de Papel e a foto histórica do encontro de Lula com militantes momentos antes de sua prisão, em 2018.

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La Casa de Papel reproduz foto histórica da prisão de Lula com a personagem Lisboa (Raquel Murillo).
Lula e militantes momentos antes de sua prisão (Francisco Proer/Reuters)

A semelhança é ainda mais reforçada quando levamos em conta a cor vermelha (associada à revolução na série e à militância do partido do ex-presidente no Brasil) e o papel de Raquel no enredo da série: tratava-se de uma autoridade, chefe da negociação do primeiro roubo (uma representante estatal), que em segundo momento assumiu um papel de símbolo da resistência.

Há quem possa dizer que tudo não passou da coincidência, mas se tem uma coisa que aprendi com os meus vários anos de dedicação ao estudo e à análise cinematográfica é: no cinema (e nas séries), nada é por acaso.