Eniac Music Festival: Fernando Zanda é a banda de um homem só

Fernando Zanda no Eniac Music Festival
Fernando Zanda no Eniac Music Festival

Fernando Zanda se apresentou no segundo dia do Eniac Music Festival. O músico traz um som de praia que varia do reggae ao pop. Zanda foi um dos finalistas e ganhadores do Festival. Ele chegou no palco com seu violão, todo o público esperando o restante da banda e de repente ele começa a cantar e todos ficam boquiabertos com o som. Ótimo tocador de violão, munido de uma letra bem escrita, melodia e harmonia perfeita, tocou a todos que estavam já acostumados com as bandas do Festival, inclusive aos jurados que adoraram o trabalho apresentado e isso resultou no Zanda indo para a grande final e sendo um dos ganhadores do evento. Fernando Zanda vem de um som mais voltado para o Reggae já teve uma banda chamada Zandaroots. Depois do fim da banda, vem apostando em um som solo. Desde pequeno já mostrava interesse pela música, começou a tocar em 1992 e de lá pra cá se mostrou bastante eclético, passando por diversos estilos musicais, como rock, blues, MPB e reggae. Para quem quiser conhecer e curtir um pouco do seu som, pode conferir lá no Soundcloud e para conferir mais seu trabalho, acessem sua página no Facebook.

O Chaplin – Como foi o show? O que você sentiu da galera, qual foi a energia que você recebeu do público e dos jurados?

Fernando Zanda – Uma energia positiva pra caramba, eu acho que a oportunidade de mostrar o seu som, de mostrar o que você faz em um espaço como esse é genial. Seria legal se todas as faculdades tivessem essa iniciativa, tem muita gente boa que fica encostada no canto aí e não consegue mostrar o trabalho, não tem oportunidades. O legal também é você ouvir a opinião dos outros, é diferente tocar para os seus amigos que já conhecem o seu som e que gostam e tocar para uma galera que nunca ouviu. É algo muito legal.

O Chaplin – Você tem uma proposta de MPB clássico, voz e violão, e aqui na segunda edição do Eniac Music Festival você foi o único cara que se propôs a fazer esse tipo som, os outros participantes vieram com uma banda, com um som mais pop, algumas propostas um pouco mais pesadas, aparentemente os jurados sentiram isso de “cadê a banda?” e você respondeu com “Eu sou a banda.”

Fernando Zanda – A proposta é essa mesma: voz, banquinho e violão. Eu sou a banda. Eu já passei por diversas bandas e é difícil você encontrar pessoas que pensem igual a você, na verdade acho que não existem. Contudo é mais a proposta do som mesmo, de levar o violão que é um instrumento que todo mundo toca em todos os lugares. Essa falta do peso da banda eu também sinto, mas o violão é meu fiel companheiro, não que não possa rolar banda depois.

O Chaplin – Você toca toda semana pelo cenário musical da grande São Paulo ou só por hobby?

Fernando Zanda – Já toquei muito, durante muito tempo fiz parte de uma banda de reggae chamada Zandaroots, nós rodamos pra caramba por aí, ganhamos prêmio e em 2011 a banda acabou, aí comecei fazer esse solo com o violão e a voz, me envolvi com uma série de atividades no teatro, então estava sempre tocando, de alguma forma me manifestando artisticamente. Pra quem é artista, independente do que faça, desde fotógrafo a bailarina, o que alimenta sua alma é estar em sintonia com a arte que gosta de fazer.

fernando

O Chaplin – Você tem projeto definidos para daqui 5 a 10 anos ou você prefere deixar as coisas acontecerem?

Fernando Zanda – O projeto agora é tocar meu violão, músicas aparecem sem que a gente queira fazer, não existe um momento em que você diz “vou compor uma música”, não tem, às vezes aparecem até em momentos impróprios, às vezes você está revoltado no meio do trânsito da marginal vem um som e você fala “Nossa! Cadê meu violão?”. O projeto é estar em movimento com a música, tocar onde tiver espaço, e o espaço às vezes é um churrasco entre amigos ou um show para 5 mil pessoas.

O Chaplin – Percebemos que você não tem dificuldade em ser uma pessoa independente, sem necessidade de um assessor, ou uma gravadora, por exemplo. Você se sente livre para fazer o que você gosta e o que você ama, o que você se propôs a fazer?

Fernando Zanda – Sim, mas isso atrapalha um pouco, a falta de uma direção de fora, pois nem sempre o que a gente pensa é o melhor. Agora eu tenho duas amigas que me ajudam, elas direcionam o que vai acontecer: tem um clipe agora para ser gravado, a divulgação no Facebook que é uma arma legal pra caramba que a gente tem na mão, a gravação do próximo disco, os sons, que músicas vão, que músicas vêm… Elas me ajudam bastante nisso e o mais legal é que elas fazem isso por satisfação de ver a arte fluir.

O Chaplin – Quanto tempo de estrada?

Fernando Zanda – Eu tenho 34 anos, sendo 16 anos de carreira.

O Chaplin – Você faz parte do meio underground independente. Hoje você consegue viver exclusivamente de música?

Fernando Zanda – Viver da música, cara, não rola. A grana que a gente ganha é a grana que a gente coloca gasolina, que compra corda para o violão, compra instrumento, compra carro… Uma coisa que eu venho fazendo há um tempo é investir em violão. Às vezes tem que vir de fora, às vezes se mata para comprar aqui (nota do repórter: no Brasil é super caro), então tudo o que ganho com a música, vai para a música. E às vezes vai para a cerveja também, cara.

O Chaplin – Você tem uma receptividade legal dos seus fãs nas redes sociais?

Fernando Zanda – Há alguns meses, com essas minhas amigas, nós montamos uma fanpage no Facebook, muito legal o contato que existe com o público, pessoas que às vezes você acha que nem vai ouvir seu som… temos um canal no Youtube também, com pessoas da África do Sul, Austrália… É legal que a galera comenta, mesmo que seja “não gostei, tira daí”. A resposta que eu tenho é muito legal, o pessoal baixa as músicas ouvem no Souncloud, é bem legal.