Um dos teasers de “A proposta” ou “The proposal” em Inglês

A vida sem arriscar seria muito chata e monótona, por isso mesmo vos escrevo esta crítica de uma comédia romântica não tão nova (o filme foi lançado em 2009), mas que acho que vale a pena ter avaliada a sua receita. O roteiro é muito simples, divertido e bem pensado até certos momentos. Vamos aqui aos pontos que me foram importantes. Andrew Paxton (Ryan Reynolds) é o típico funcionário do mês do McDonald’s, com direito a sapatos de palhaço, e um McLanche Feliz. Parece grosseria de minha parte, mas não é. Andrew é típico funcionário que faria de tudo pelo seu emprego, até mesmo se casar. Essa é boa parte da história, viram? Talvez isso decepcione quem goste de uma trama bem trabalhada, à lá “Game of Thrones”, não espere isso deste filme, será bem menos que isso, mas nem por isso deixa de ser uma belíssima história.

Sandra Bullock e Ryan Reynolds juntos

Margaret Tate (Sandra Bullock) é a típica personagem filha… bom, o resto vocês já sabem. Uma chefe extremamente chata, perfeccionista e exigente, que deixa Andrew de cabelos em pé, pois tudo o que ela precisa fazer passa pela ajuda de seu fiel assistente. Andrew, apesar de odiá-la, do gênero que deseja que algum bom caminhão atropele-a na esquina seguinte, trabalha de forma exemplar. Tão certinho que, numa cena em que derruba o café de Margaret, o funcionário repõe com o seu. Ainda de quebra é um bom amigo de todos os seus colegas, sendo o “infiltrado” para avisar quando a chefe chega, para que todos saiam do bate papo, parem de paquerar e fazer tudo que não diz respeito ao serviço da empresa.

Tudo parecia muito bem definido e desenhado. Margaret mantinha as rédeas como editora-chefe, enquanto Andrew trabalhava exemplarmente para chegar ao cargo de editor. Contudo, este sistema possui um problema: Margaret é canadense e não apresentou todos os documentos necessários na imigração. Quando tudo está de vento em popa, ela descobre pelos seus chefes que será deportada. Tudo parecia perdido para a então “chefa” carrancuda, chata e exigente. Andrew aparece na sala de reunião com seus chefes, como uma esperança a Margaret. Adivinhem só o resultado disso? Ela anuncia que se casará com o seu assistente. A cara feita por Ryan de “hã?” e depois os olhares de confirmação, a mando da chefe, da história toda são os pontos a partir dos quais as partes engraçadas do filme começam a tomar mais corpo ainda.

Andrew obriga mais para frente Margareth a se ajoelhar e pedi-lo em casamento de forma decente. Nada justo não? Isso acontece depois do chefe da imigração avisar que qualquer tipo de casamento falso para manter pessoas nos Estados Unidos poderia levar Andrew a cadeia e uma multa salgada, enquanto Margareth seria deportada para o Canadá. Andrew caçoa, dizendo que não contaram o seu relacionamento ao pessoal do trabalho, pois receberia uma promoção de cargo, ah espertinho, não? Mas ele não estava errado, correria riscos, nada mais justo, uma mão lava a outra, e com as duas nós lavamos os pés.

Grandma Annie (Betty White) e Grace Paxton (Mary Steenburgen), que são a vovó e a mãe, respectivamente

Os dois então vão para a casa de Andrew, no Alasca, exatamente do lado de New York, que é onde se passa a história inicialmente. Lá, Margareth descobre que a família de Andrew, além de rica, é muito acolhedora e amável. A partir de então toda a história e fingimento do casamento se passam e as próximas cenas serão reveladas quando você, meu caro leitor, assistir ao filme. Isso mesmo, vai pensando que é fácil. As piadas no filme não são tão boas, mas muitas delas são bem encaixadas, o que torna tudo muito engraçado em diversas cenas, arrancando risos das tamanhas besteiras que encontramos na produção.

Os momentos de seriedade e gozação vão alternando no decorrer do filme, algumas cenas mais engraçadas são forçadas, outras são tão naturais que te farão gargalhar bastante, mas a comédia em suma não possui uma estabilidade em sua proposta no riso, às vezes pecando pelo exagero e às vezes acertando pela simplicidade. Exatamente as cenas mais simples e as piadas mais bobas são as mais engraçadas, sobressaindo aos momentos ruins do filme. Sandra Bullock voltou ao topo das bilheterias com um filme agradável no geral, mas que oscila entre momentos incríveis e frágeis.

Uma das cenas mais divertidas é quando Margareth pede Andrew em casamento 

Um dos detalhes frágeis é quando eles chegam ao quarto, o cenário parece novela brasileira com fundo falso. Poxa, Disney, poderia ter caprichado mais! Além disso, a direção de Anne Fetcher não teve cuidado de respeitar as características geográficas do Alasca, maior parte da ambientação da trama: a equipe filmou uma noite passando para o dia normalmente. Como a Terra gira sobre o seu próprio eixo e também, durante os meses, também gira em torno do Sol, a estrela celeste atinge certas áreas do globo de maneira diferenciada. Nos polos, esses movimentos ocasionam meses de dia e meses de noite. Não dava para passar do dia para a noite de forma normal.

“A Proposta” é uma comédia para se assistir a dois, com uma turma ou com a família, se todos forem grandinhos, claro. É um filme apaixonante, por mostrar no final que todos possuem sentimentos, que o trabalho duro é importante e será posteriormente reconhecido, se bem feito agora. O filme também mostra que o amor é algo que nada pode comprar, nem mesmo muito dinheiro, trabalho ou uma vida razoavelmente feliz.

Uma das melhores cenas do filme, a final

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