A produção audiovisual brasileira experimentou sua melhor fase nos últimos cinco anos. O número de filmes nacionais lançados alcançou a casa das centenas em 2013. Mais de 26 milhões de ingressos foram vendidos para longas produzidos aqui, no nosso país. Entretanto, fazendo uma reflexão sobre os grandes sucessos brasileiros dos últimos anos, percebe-se que eles estão concentrados em dois gêneros: filmes de ação/violência policial ou comédias. Nesse sentido, é louvável que um drama psicológico nacional consiga uma boa visibilidade. É o caso de “Entre Nós” (2013), que obteve uma boa distribuição no Rio de Janeiro, podendo ser assistido nos quatro cantos da cidade e em alguns municípios da região metropolitana.

A pré-estreia do longa foi no dia 24 de março e ocorreu no Cinépolis Lagoon, cinema com localização privilegiada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos mais belos cartões postais da Cidade Maravilhosa. No evento, o diretor e roteirista Paulo Morelli apresentou seu filme acompanhado do elenco, formado por nomes importantes da dramaturgia brasileira, como Caio Blat, Carolina Dieckman, Paulo Vilhena, Maria Ribeiro e Júlio Andrade.

Um acidente fatal em 1992 com um dos amigos ainda abala emocionalmente o grupo de amigos, dez anos depois

Um acidente fatal em 1992 com um dos amigos ainda abala emocionalmente o grupo de amigos, dez anos depois

No filme, um animado grupo celebra a amizade numa casa de campo, em 1992. Eles resolvem escrever cartas, com a promessa de que cada uma delas seria desenterrada dez anos depois. Um deles, Rafa (Lee Taylor), se destaca do grupo, pois seu livro está prestes a ser finalizado e sua carreira promete ser promissora. Os amigos mais próximos de Rafa são Silvana (Maria Ribeiro) e Felipe (Caio Blat). É justamente com este que Rafa sofre um acidente de carro. Felipe sobrevive, mas se torna uma pessoa ranzinza, cínica e deprimida após a fatalidade que tira a vida de seu melhor amigo. É o que se percebe em 2002, quando os amigos cumprem a promessa e se reencontram. É também em 2002 que um segredo envolvendo o livro quase finalizado de Rafa vem à tona, sendo o fio condutor da trama de “Entre Nós”.

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Paulo Vilhena, Carolina Dieckmann e Julio Andrade participam da pré-estreia de “Entre Nós”, no Cinépolis Lagoon, Zona Sul do Rio (Fonte: Purepeople)

O elenco do filme merece um parágrafo à parte, dada à escolha precisa dos atores. Caio Blat, Maria Ribeiro e Lee Taylor contracenam bem em conjunto, conseguindo imprimir bem à intimidade necessária entre seus personagens na “primeira fase”. A melhor surpresa de “Entre Nós” fica por conta da atriz Martha Nowil – praticamente desconhecida do grande público – interpretando Drica, personagem que, embora muito alegre, convive com dilemas bem cabeludos. Com certeza, muitos espectadores (inclusive o que vos fala) se identificaram com a personalidade que foi precisamente mostrada pela atriz. Outro destaque é Carolina Dieckman. Ao demonstrar a sensibilidade de Lúcia, sua personagem, a atriz transmite onisciência ao espectador de que o trauma que apunhalou o grupo, depois de dez anos, ainda não foi superado.

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Cartaz oficial do Filme

Rodado no Parque Nacional de Itatiaia, onde se localiza o Pico das Agulhas Negras, a mais alta serra do Rio de Janeiro (2.800 m), arrisco a dizer que a fotografia de Gustavo Adba é uma das mais belas de todo o cinema nacional. Entretanto, em outros aspectos técnicos, o filme é bem escorregadio. Para começar, o roteiro que divide o filme em duas partes: a primeira desempenha a função de apresentar os personagens, bem como a intimidade entre eles. Embora os atores estejam bem em cena, acredito que isso poderia ser apresentado em “flashes”, o que poderia deixar o longa com ritmo único. A impressão que fica é de que essa primeira parte é maçante e desnecessária.

A segunda parte apresenta uma trama bem melhor, com as consequências do acidente perpetuando na psique (pessimista) dos personagens dez anos depois, além de outros temas como sexo e gravidez. A trilha sonora também é utilizada de maneira exagerada, tentando causar uma reação no espectador que já estava sendo transmitida nas cenas em si.

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Caio Blat (Felipe) e Maria Ribeiro (Silvana): um segredo do passado abala a relação dos dois amigos

Em síntese, o filme de Paulo Morelli não é o melhor do tipo drama psicológico, se comparado com outros diretores a nível global que exploram o gênero, como Darren Aronofsky e Pedro Almodóvar. Mas foi o ponto de partida para que outros nomes venham a investir nesse tipo de filme. Sem medo da falta de visibilidade.

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