"Made of Stone" em seu novo DVD "Live in Studio"

Entrevista: “Made of Stone”, a nova aposta do stoner rock nacional

É retórico dizer que o cenário musical brasileiro vem crescendo numa explosão demográfica de forma exponencial. Você não está sabendo de nada disso? Você é mais um brasileiro que falará isso, o Brasil tem bons talentos que ficam no anonimato, porque não temos os escutado, ou simplesmente porque não temos a oportunidade de ouvi-los. Acho que nunca falei abertamente sobre isso no site, mas trabalho bastante para encontrar artistas e bandas que possam agradar que são diferentes, ou os velhos que não vivem (somente) do passado.

"Made of Stone" em seu novo DVD "Live in Studio"
“Made of Stone” em seu novo DVD “Live in Studio”

Já falamos aqui no site sobre um dos nomes que talvez, você leitor, não conheça por falta de oportunidade. O nome em questão é Made of Stone, e você pode conferir a resenha aqui do novo trabalho deles. O encontro com esses malucos do stoner rock aconteceu de forma acidental, enquanto Felipe Loyola fazia a divulgação do seu trabalho pelo Facebook e acabou me adicionando. Foi uma parceria que logo deu certo, conheci o som deles o novíssimo stoner rock. Made of Stone ao mesmo tempo que pode te soar mais do mesmo, fará você engolir suas críticas. O som é diferente, tem a cara deles e possui uma sonoridade agradável. Os riffs de guitarra são pesados, como também soam às vezes melódico, uma bateria forte (pode soar às vezes tímida, mas é a proposta dela), e um baixo tão bem executado e audível, que por vezes jurava ser uma terceira, quarta, quinta guitarra.

Tivemos a oportunidade de entrevistar Felipe Loyola, o fundador e idealizador da banda.  E lá vamos nós:

O Chaplin: Como a banda surgiu?
Felipe Loyola: A banda Made of Stone começou em julho de 2012 como um projeto (meu) solo, depois que gravei o álbum resolvi chamar uns amigos: Felipe Mafra no baixo (quem me ajudou a gravar o CD) e o baterista Igor Giugliano. Todos amaram as músicas e decidimos juntar forças para um só ideal (risos).

O Chaplin: Quais foram as primeiras dificuldades na criação do projeto, definição de nome e conceito de som?
Felipe Loyola: Como era um novo começo na minha carreira, pois eu fui guitarrista e vocalista das bandas Cookie Rockers e Dexter por 12 anos, decidi que nessa nova jornada nada iria me abalar ou atrapalhar, então eu me senti “feito de pedra” foi daí que surgiu o nome. Quanto às dificuldades, estamos em um país onde o rock pesado não é tão valorizado quanto em outros países. Então, tivemos que moldar nosso som para agradar um número não tão restrito de pessoas que curtem o metal mais convencional. Foi ai que tivemos que bolar um som que nos agradasse, porém, que as pessoas curtissem também. Acho que está dando tudo muito certo.

O Chaplin: Como vocês se conheceram? Como foi o contato e o entrosamento?
Felipe Loyola: Felipe Mafra (baixista) é meu amigo desde 2003 e foi baixista na minha ex-banda Cookie Rockers. Ele é um cara fantástico, me ajuda na parte da mixagem, masterização e produção da Made Of Stone além de ser um grande músico. Ele é guitarrista e está como baixista na Made Of Stone. Igor Giugliano foi um tiro no escuro (risos). Conheço ele de outras bandas e ele também mora na mesma cidade que eu (Alfenas – MG). Fiz um convite, marquei um ensaio e deu tudo muito certo. Ele já é um cara que me ajuda a enxergar os defeitos para melhorá-los no futuro, além de um ótimo músico também. No primeiro ensaio que juntamos os três no estúdio, vi que a formação para o tipo de som era essa, a amizade também foi crescendo a cada dia e hoje somos grandes irmãos, até por que banda não é só negócio. Como o convívio é frequente, você tem que ter pessoas agradáveis ao seu redor, caso contrário não dá certo.

O Chaplin: Quais são as influências (se elas existem) no trabalho de vocês? Existe alguma banda ou artista referência que serve de inspiração como letrista ou musicista para vocês?
Felipe Loyola: Muita gente não sabe, mas apesar do som da banda ser um pouco pesado, nós temos uma grande influência no punk/hardcore californiano, muita coisa de metal tradicional e hardrock. Nosso som é moderno. Citando bandas, diria que a Made of Stone é uma mistura: Stone Sour, Avenged Sevenfold, Offspring, Evanescence, Papa Roach, Metallica, Bullet for My Valentine, Trivium, etc. Como vocalista, sou um grande fã do Corey Taylor, guitarrista são inúmeros: Igor Portnoy e Chris Adler são referências. Para o Felipe Mafra as bandas inspiradoras são: Foo Fighters e Stone Sour.

O Chaplin: Vocês lançaram o primeiro CD de vocês “Day After Day” este ano. Como foi a gravação, composição e todo processo de produção do álbum?
Felipe Loyola: Esse álbum eu compus e produzi inteirinho, tudo que esta lá foi eu que fiz, até por que era para ser um CD solo, mas os outros membros fizeram a gravação. Felipe Mafra ficou responsável pelas mixagens. O álbum todo foi gravado no meu home studio.

O Chaplin: O que percebemos ao escutar o som de vocês, é que às vezes o headbanger ou quem estiver ouvindo, vai esperar aqueles gritos bem executados ao estilo Metallica, Angra, Edguy, etc. Mas encontra uma voz mais suave e aveludada. De que maneira esta voz mudou a percepção do público com relação ao trabalho da banda? Afinal, o timbre do Felipe Loyola é bem diferente e marcante ao que vemos por aí.
Felipe Loyola: Sim, para o estilo casou como uma luva, quase ninguém reclamou, apenas os que esperavam gritos, screamer, etc. Como queríamos ser algo mais acessível, decidimos deixar o vocal suave nesse álbum, embora haja muita técnica de drive em algumas músicas, no próximo álbum que vamos gravar em julho será com certeza mais pesado que esse.

O Chaplin: Quais as vantagens e desvantagens de estar sem uma gravadora para ajudar e/ou pressionar?
Felipe Loyola: As vantagens que e somos totalmente livres para fazermos o que quisermos, seja na criação ou em qualquer outra coisa. O ruim que pesa na parte financeira é que você tem que virar mil pessoas ao mesmo tempo, cuidar do marketing, distribuição, vendas, tirar as músicas, ensaios, marcar show, gravar, entrevistas; enfim tudo é sozinho. Quando você tem gravadora você se preocupa só com a música e isso ajuda e muito.

O Chaplin: Além do CD, vocês gravaram o primeiro DVD da banda em tempo recorde após o nascimento dela, talvez o mais rápido. Como foi a gravação deste trabalho?
Felipe Loyola: Foi tudo muito corrido e  trabalhoso (risos), um pouco antes do DVD fizemos a gravação do vídeo clipe “Can You Fell” que já não foi brincadeira (risos). Estávamos muito cansados por que fizemos um show no dia anterior, mal dormimos e já fomos para a gravação do DVD. Tivemos alguns problemas técnicos no Studio, a lei de Murphy, entende (risos)? Foram 10h de gravação,  geralmente as bandas gravam um DVD em vários dias, mas como nosso orçamento era baixo, tudo foi muito corrido. Apesar de tudo, o resultado ficou ótimo para uma banda independente, fique feliz com o resultado e espero que os fãs também gostem.

O Chaplin: O que vocês ressaltam de bom e ruim disto?
Felipe Loyola: De bom: que estou muito feliz em menos de 1 ano de banda já ter um DVD, isso é raríssimo. Existem bandas que têm 5 discos e não tem DVD ainda (risos). De ruim: não consigo ver nada! Para uma banda que esta iniciando qualquer passo é um pulo.

O Chaplin: Como foi a receptividade do público com o som tão vibrante e diferente do que vemos hoje?
Felipe Loyola: Foi assustador (risos), eu realmente não imaginava, porque com minha outra banda, que existia há 5 anos, tinha 200 curtidas na page e pouca gente se manifestava. Acho que acertamos no som e marketing da Made of Stone, as pessoas realmente compram camisetas, CDs, DVDs e olha que estamos no auge da crise fonográfica onde o download prevalece. Não somos records, nem nada disso! Mas para uma banda que nem existia há um ano, está tudo dentro do esperado.

O Chaplin: Haverá alguma turnê em breve de divulgação do CD e DVD de estreia da banda?
Felipe Loyola: No momento temos shows em Alfenas no dia 21 de dezembro e há dois shows com o Almah que estamos agendando em Belo Horizonte, mas assim que o DVD for lançado acredito que vai abrir muitas portas. Shows sempre têm, mas muitas pessoas são folgadas e querem shows de graça ou quase isso, e isso não é só com minha banda, são com todas que fazem som autoral.

O Chaplin: Como tem acontecido o relacionamento com os fãs?
Felipe Loyola: Tem acontecido de forma natural, tudo com muito carinho e dedicação. Eu apostei muito nesse projeto e fico feliz que esteja dando resultados, sempre fazemos promoções exclusivas para quem curte a page da banda e no site.

O Chaplin: Como vocês veem o cenário atual do rock n’ roll e heavy metal brasileiro? O brasileiro e a mídia tradicional dão espaço a vocês, bandas de rock/metal, para divulgarem e tocarem o seu som?
Felipe Loyola: Confesso que o cenário não é dos melhores, para bandas que têm nome já está difícil (risos). Mas tem que ter persistência e dedicação, tem pessoas que reclamam, mas têm péssimos materiais, casas de show também não ajudam, eles querem mais bandas covers, que a galera está cansada de ouvir, com as mesmas músicas clichês, do que apostar em coisa nova. Fora isso o Brasil tem muito que melhorar com as casas de show no sentido equipamento de som, tratamento com o artista e cachês. O publico também tem que querer sair de casa e não só esperar o show pelo Youtube. Cantamos em inglês justamente para ter em breve a oportunidade de expandir a  banda, tocar em outros países.

O Chaplin: E na terra natal de vocês, em Alfenas (MG), como é o cenário para o som de vocês?
Felipe Loyola: O cenário aqui não está nada bom, aqui é uma cidade universitária, o qual a galera quer se divertir ouvindo axé, sertanejo, pagode, enfim. Mas abriram duas casas de rock aqui que eu estou apoiando muito! Vou até fazer um show no Red Chili no dia 21 de dezembro.

O Chaplin: O cenário musical mineiro é extremamente rico, vai de Milton Nascimento, Jota Quest, Pato Fu a nomes do metal como Sepultura, vocês creditam a que essa musicalidade e diversidade mineira?
Felipe Loyola: Conheço a galera do Jotaquestão. O Rogerinho, landal e Sideral são de Alfenas. Meu tio, Heleno Loyola, até fez uma música que eles gravaram. Acredito na diversidade de Minas sim, adoro minha terra.

O Chaplin: Vocês acompanham esse cenário underground?
Felipe Loyola: Claro! Vivemos ele diariamente, toda banda quer ser mainstream um dia e nos estamos lutando para conseguir isso.

O Chaplin: Quais os próximos planos da banda?
Felipe Loyola: Bom, no momento é tirar até junho de 2014 para shows, entrevistas em rádio, TV, divulgar nosso DVD e possivelmente gravar mais um vídeo clipe. Depois entramos em estúdio para gravar nosso segundo CD.

O Chaplin: Qual dica vocês dariam, como banda que já possui visibilidade e prestígio crescente, para as bandas, artistas e projetos que desejam sair do anonimato, do chuveiro e da garagem para o mercado musical?
Felipe Loyola: Faça tudo com muito carinho e dedicação e tenha extrema certeza de que é isso mesmo que você quer! Não só na música, mas em tudo. Você tem que ser o melhor, claro que nesse mundo têm outros caminhos que fazem você chegar lá, como o dinheiro, mas 90% não têm condições. Então, faça a música de verdade, tudo com muita qualidade, se for vídeos, tudo em HD. O principal é fazer a música chegar às pessoas, não pense que só com Youtube e postar para meia dúzia no Facebook você conseguirá isso. Milhões de pessoas fazem isso diariamente, você tem que se destacar.