Fundada nos finados 2013 em Natal, no Rio Grande do Norte, a Mahmed é uma banda instrumental, que mistura as influências vindas do surf music e blues com uma dose de psicodelismo, resultando em uma música cheia de vida, profunda, calma e também inquieta, pulsante. De alguma maneira, me lembra o mar. A banda é composta por Leandro Menezes (baixo), Walter Nazário (guitarra), Ian Medeiros (bateria) e Dimetrius Ferreira (guitarra). A união tem dado tão certo que lhes rendeu uma nota na revista Rolling Stones brasileira, além de terem um Soundcloud bem populoso,  e estarem participando em vários festivais da região (agora em dezembro, tocaram no Festival Natal Instumental). Demorou um dia para que eu conseguisse entrevistá-los, pois a cobertura do Festival Dosol Natal 2013 e os desencontros nos atrasaram bastante, então admito que ao encontrá-los quietinhos, sentados e calmos, fui tomada por uma felicidade selvagem, puxei minha colega de trabalho fotógrafa pelo braço e depois de alguns minutos, tivemos mais ou menos essa conversa:

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O EP “Domínio das águas e dos céus” foi o primeiro lançamento da banda, algo recente, mas muito bem recebido. Como vocês se sentem em relação a isso? – Perguntei, tomada por um sorriso demente resultante da adrenalina de realizar a primeira entrevista da minha vida.

Foi uma ótima surpresa! – Disse Leandro, desmanchando a seriedade do seu rosto com um largo sorriso – Não estávamos pensando num fracasso total, porque isso atrapalha o processo de produção, mas também não ficamos alimentando a esperança de ter um grande resultado. Quisemos viver o momento, gravar nosso som e ver no que iria dar, esperar a reação das pessoas. Somos uma banda instrumental muito nova, que está numa parte meio esquecida do Nordeste brasileiro, o que não é nada favorável, mas ainda assim o EP está repercutindo na mídia e isso nos deixa muito felizes.

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Em que vocês pensavam durante o processo de criação? Dá a impressão de que não seria desse jeito se vocês não fossem íntimos.

Com certeza, quando decidimos criar o EP, sabíamos das ideias de cada um, o que cada um tinha na cabeça naquele momento – Falou Dimetrius, com uma agitação que combinava com seus olhos claros e elétricos – Queríamos criar algo que desse para ouvir olhando o mar, mas que mostrasse nossas influências, sem seguir critérios. Foi algo muito fluido e descompromissado, tanto que a gravação foi completamente caseira. Nos preocupamos apenas em botar a coisa pra fora.

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Como surgiu a decisão de ser uma banda sem vocalista?

Quando reconhecemos que ninguém aqui sabe cantar algo que preste – riu Leandro – Mas não desprezamos a voz, é um instrumento que também usamos, não o tempo todo e nem da forma convencional… Apenas uns efeitos. No fim das contas, acabou dando certo.

E por fim, porque a banda se chama Mahmed?

Ah, essa é uma pergunta capciosa! – disse Leandro, entre risos – Pensamos nesse nome porque encontramos uma série de significados que são importantes pra gente. “Mahmed”, a palavra, significa “Jesus” em árabe. Lembra também Mamede, sobrenome de um amigo nosso bem próximo.

A gente ainda pensou que a primeira parte da palavra se pronuncia “mar” – atalhou Dimetrius – E o mar é uma grande fonte de inspiração para o que fazemos. A outra parte, “med”, parece uma abreviação de “medicina”, lembra que a música é a minha medicina, minha cura.

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A quem interessar, aqui está o Soundcloud do Mahmed, onde você pode conferir o EP “Domínio das águas e dos céus“.

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Estudante de Enfermagem que se mete em letras, músicas e desenhos. Segue a filosofia de que a vida é muito curta para gastá-la com preocupações. Dificilmente algo conseguirá surpreendê-la. Lê tudo, assiste tudo, vê o lado bom de tudo. É editora deste site.

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