Era uma vez… Shelter!

Era uma vez, há muito tempo atrás, um pobre e humilde surfista, cheio de sonhos e esperanças, chamado Zach… não não, pera. Não é um conto de fadas. Não é, mas parece!


Quem já assistiu a este famoso filme “temático” de 2007 (Jonah Markowitz) percebe nitidamente a diferença dele para a maioria dos filmes do mesmo gênero. É fácil perceber o esforço do autor para deixar a história o mais hollywoodiana possível. Um protagonista bonito e de bom coração, que sofre com a falta de oportunidades e leva a vida com dificuldade. Apesar do talento, se conforma com qualquer emprego apenas para ajudar nas contas da casa. Tem uma irmã irresponsável e um pai inútil. É ou não é a própria Maria Mercedes? E a partir daí as coisas só ficam mais e mais caricatas, com uma paixão imediata por um rapaz convenientemente rico (Shaun) que lhe oferece a oportunidade de realizar seus sonhos, mudar drasticamente seus caminhos e reconstruir sua vida (nesse momento, Maria Mercedes dará lugar a Vivian Ward de Pretty Woman).

Tudo poderia ser muito simples, com uma mochila nas costas e um novo caminho pela frente, mas isso seria fácil demais! A partir daí começam as dúvidas com a sexualidade (o protagonista, além de tudo, tinha uma namorada), preconceitos, necessidade de auto aceitação e busca pelo autoconhecimento.

Shelter poderia ser só mais um romance “água com açúcar”, mas, apesar de parecer banal, trata discreta e suavemente de assuntos polêmicos e comuns ao mundo gay. Não sei se foi proposital, mas o autor foca tanto na paixão dos personagens que faz com que tudo ao redor se torne simples e usual. Talvez por isso este seja um dos meus filmes favoritos. Nada de duas longas horas de pais descabelados e amigos virando as costas. Mostra um casal (gay) que se apaixona e, apesar dos obstáculos, optam por construir uma relação.

As interações familiares também são muito bem exploradas. Desde a relação de Zach com seu pai e sua irmã, até o futuro do seu sobrinho (Cody), que se torna parte fundamental da história do casal. Não bastasse uma história suave e sedutora, é também acompanhada por uma trilha sonora excelente e cenários muito bem aproveitados de praias paradisíacas e seus contrastes com o meio urbano.

Não se deixem enganar pelas primeiras impressões, o filme vale a pena ser visto (e revisto) por aqueles que gostam de um bom romance.