Início de ano sempre guarda boas surpresas na televisão ou, no meu caso, que não consigo acompanhar a TV, nos sites de downloads. Uma dessas agradáveis surpresas foi “Mr. Selfridge”, uma série estreante da ITV que passeia entre a ficção e o embasamento em fatos reais.

Confesso que não costumo acompanhar séries, com exceção de algumas poucas as quais sou fiel. Meu negócio é mesmo cinema e as séries, talvez por tomarem mais tempo, acabam ficando em segundo plano. Mas a questão é que a cada dia a produção para TV tem aumentado e se qualificado. Não há mais aquela hierarquia a qual estávamos acostumados, de que o cinema detinha as melhores e mais bem-feitas produções enquanto a TV era alimento cultural de um grupo social menos exigente. “Mr. Selfridge”, com sua fotografia, elenco, roteiro e figurino impecáveis, está aí para comprovar minha afirmação e não deixar qualquer suspeitas de dúvidas.

Jeremy Piven como o charmoso e encantador  Harry Selfridge

Ambientada no início do século passado, a série inglesa é a história de um simpático americano que resolve chacoalhar o mundo da moda londrino, apostando no inovador ramo das lojas de departamento quando as dondocas estavam acostumadas a mandar fazerem vestidos sob medida e os homens já tinham seus alfaiates de confiança. A ideia de comprar roupas em uma loja parecia uma ofensa à classe burguesa. Harry Selfridge toma para si a ambiciosa missão de mudar os costumes de uma sociedade.

Já no episódio de apresentação da série, a história se mostra empolgante e trás uma visão diferente e instigante de assuntos que podem parecer fúteis, rasos ou até mesmo esgotados na cabeça dos mais preconceituosos, tais como a indústria da moda, publicidade, e o fazer negócios no contexto capitalista ascendente do início do século XX.

Os personagens são cativantes e muito bem construídos, mesmo para um primeiro episódio. Em geral, o espectador de série espera até o segundo episódio para ter a certeza de que a sua hora gasta semanal valerá à pena, uma vez que, em algumas séries (como é o caso de Revenge, por exemplo) apenas por essa altura, roteiro e personagens começam a ficar claros na cabeça de quem assiste. Não é o caso de “Mr. Selfridge”, que ao fim do primeiro episódio já mostra a que veio e conquista o público com um protagonista (Jeremy Piven como Harry Selfridge) sonhador, feliz, divertido, ambicioso e visionário.

Harry Selfridge e parte do elenco da série. Abaixo, Ellen Love, e à direita (de preto), Agnes Towler

As personagens Agnes Towler (Aisling Loftus) e Ellen Love (Zoe Tapper), que também recebem destaque no primeiro episódio e prometem continuar na mira central da trama, são igualmente cativantes. As respectivas atrizes conquistam o público com atuações impecáveis como suas personagens: uma gentil e humilde empregada e uma ambiciosa e sensual dançarina, sub-celebridade da sociedade luxuosa de Londres do início do século XX.

“Mr. Selfridge” é uma alegre descoberta de início de ano e já entrou na minha seleta lista de “séries para acompanhar”. Para quem gosta de produções de época, a série é dinâmica, divertida e bem escrita. Mas o que mais chama atenção é a cuidadosa produção e a maestria técnica. Para a primeira temporada, estão previstos 10 episódios, 7 dos quais já foram ao ar. Não ouvi falar nada sobre uma possível segunda temporada, mas eu espero que possamos contar com isso, embora “Mr. Selfridge” faça a linha de série com roteiro que acaba se esgotando logo, como, por exemplo, a belíssima “The Tudors”, da Showtime, que mesmo tendo sido sucesso de crítica, preferiu parar no auge, após quatro excelentes temporadas.

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