Em época de premiação alguns filmes tornam-se verdadeiras surpresas. O  The Grand Budapest Hotel (O Grande Hotel Budapeste em português) é um deles. Apesar de contar com Ralph Fiennes, Jude Law, Edward Norton e grande elenco, o que realmente brilha no filme é o seu figurino.  O longa é o favorito ao Oscar nessa categoria e confirma a relação entre grandes produções e grandes marcas de roupas.

Príncipe Eduardo VII do Reino Unido

Príncipe Eduardo VII do Reino Unido

Com o figurino assinado pelas marcas italianas Prada e Fendi e pela vencedora do Oscar Milena Canonero (Maria Antonieta e Carruagem de fogo ), o filme traz em sua cartela de cores o azul, o vermelho, o marrom e o branco. Dirigido por Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste possui o contexto histórico definido pelas duas grandes guerras. As peças utilizadas fazem uma mistura entre as décadas 20, 30, 40 e têm como principal referência a alfaiataria masculina inglesa cujo maior representante é o príncipe Eduardo VII.

O personagem M. Gustave (Ralph Fiennes) consegue captar tal personalidade inglesa ao adotar  o fraque – terno três peças com paletó cortado para trás –  que foi tendência no final do século XIX,  quando diferentemente dos colegas franceses, os homens ingleses procuravam roupas mais confortáveis para praticarem esportes equestres, atividade comum na época.

O príncipe Eduardo VII, filho da rainha Vitória e do príncipe Albert, tornou-se referência fashion no século XIX. A princípio, com a obsessão pelo vestuário, com diversas trocas de roupas ao dia, e depois pela popularização de seus “looks”, copiados pelos  alfaiates da época e vendidos à sociedade inglesa. Eduardo tornara-se o “playboy” da época. Ele também popularizou a casaca (paletó com cortes pontudos atrás), o sobrecasaca (um tipo de paletó mais longo), o tuxedo (o black tie para os ingleses) e a jaqueta Norfolk .

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Eduardo VII e a praticidade da moda

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M. Gustave

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Jude Law usando a jaqueta Norfolk em tweed

O personagem “autor” interpretado por Jude Law usa a jaqueta Norfolk em tweed. A peça possui quatro bolsos: dois na altura do busto, mais dois abaixo do cinto, na cintura. A jaqueta possui esse nome porque o príncipe Eduardo VII a usou pela primeira vez em uma visita à Norfolk. A peça foi criada para a prática da caça, esporte favorito de Eduardo VII, e novamente copiada pelos alfaiates ingleses. Conhecido pelo bom gosto pela moda e pela praticidade no vestuário real, o príncipe Eduardo VII é referência de moda masculina até hoje.

Em O Grande Hotel Budapeste as peças que representam o vestuário feminino são o vestido midi e o casaco cafetá anos 20 de Madame D (Tilda Swinton) e o vestido anos 30 da personagem Agatha (Saoirce Ronan).  A Madame D declara a fortuna que tem usando vestidos midi com um cafetá, cujo corte vermelho da Prada traz a releitura da indumentária oriental e romana.

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A personagem de Swinton ressignifica a mulher dos famosos e loucos anos 20. Madame D usa colares, vestidos retos cuja cintura fica na altura do quadril. A silhueta feminina não era exposta. Aboliram-se os espartilho e tudo o que deixava à mostra as curvas femininas. A mulher se tornou mais andrógena, ela usava peças que escondiam o seio e qualquer aspecto curvilíneo. Já a personagem Agatha (Saoirce Ronan) personifica a década de 30, que, diferentemente dos anos 20, traz de volta as curvas femininas. A cintura no lugar, vestidos até o joelho e casacos utilitários – que denotavam a época pós-guerra.

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Madame D e a década de 20

Agatha e a década de 30

Agatha e a década de 30

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O figurino do filme O Grande Hotel Budapeste destaca-se principalmente pelo vestuário masculino, que contextualiza uma época em que o “confortável porém chic” era a regra social.  Os casacos Prada criados para os personagens Dimitri (Adrien Brody) e Jopling (Willien Dafoe) são as únicas peças mais contemporâneas no contexto pós-guerra americano. Elas descaracterizam o estilo eduardiano e o transforma com o eixo temporal do filme em peças da década de 20 a 40. Ou seja, em praticidade.

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Dafoe e Brody

tumblr_mji193mews1s7iq41o1_1280A italiana Milena Canonero

Milena Canonero  é uma antiga conhecida da Academia, a figurinista italiana já recebeu nove indicações ao Oscar, ganhando apenas três por Barry Lynton (1975), Carruagem de fogo (1981) e Maria Antonieta (2006). Responsável pelos figurinos dos clássicos 2001: Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica, Canonero entra na corrida pelo seu quarto Oscar por O Grande Hotel Budapeste, o que parece ser uma vitória garantida. Milena Canonero se juntou às marcas italianas Prada e Fendi para comporem o figurino do filme de Wes Anderson. A experiência de uma grande figurinista agregada ao poder das marcas italianas deram a O Grande Hotel Budapeste diversos prêmios, incluindo um Bafta. Mais uma estatueta para o extenso currículo de Milena Canonero pode estar por vir.

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