Hoje à noite acontece a premiação de cinema mais esperada por grande parte dos cinéfilos: os Academy Awards, prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, popularmente conhecido como Oscar. Esta cerimônia encerra, sob a batuta do ator Neil Patrick Harris, uma série de premiações que acontecem entre o fim do ano passado e o início deste ano e é o máximo de consagração popular que um filme, ou profissional, pode alcançar, uma vez que a quantidade de Oscars que uma obra ganhou se torna parâmetro para sua visibilidade. Tradicionalmente, costumamos fazer, todos os anos, um texto com nossas apostas e alguns comentários sobre os filmes e principais prêmios. E este ano, mesmo em cima da hora, não será diferente.

Neil Patrick Harris será o host da premiação deste ano

Neil Patrick Harris será o host da premiação deste ano

Confesso que o Oscar deste ano não me empolgou tanto quanto o de anos anteriores. Poucos filmes realmente empolgam e a disputa não está tão acirrada, visto que alguns prêmios já são praticamente certos. Faltará, com certeza, a emoção até o último minuto. Falando por mim, nenhum filme me fez querer vestir a camisa e torcer ardentemente a cada vitória. Apesar disso, são muitos os títulos de grande qualidade, principalmente no quesito roteiro.

Alguns títulos, contudo, mereciam mais atenção e não foram devidamente lembrados. Cito aqui, por alto, Interestelar, de Christopher Nolan, e Elsa e Fred, que traz uma apaixonante história de amor e descobertas na terceira idade. Mas como quase nada na vida é mesmo justo, sigamos para as categorias.

Melhor filme

“Sniper americano”
“Birdman”
Boyhood: Da infância à juventude
O grande hotel Budapeste
“O jogo da imitação”
“Selma”
“A teoria de tudo”
Whiplash

Essa categoria trouxe muitos títulos de boa qualidade, embora nenhum que despertasse a emoção que espero de um filme vencedor de um Oscar principal. Minha torcida pessoal vai para “O jogo da imitação”, contudo, creio que o filme estrelado por Benedict Cumberbatch será voto vencido na Academia e, por esse motivo, deposito minhas fichas em Boyhood, de Richard Linklater, apesar da possibilidade de ser Birdman a levar o prêmio para casa. Contudo, acredito que Boyhood dialogue melhor com os norte-americanos, além da relevância que alcançou por ter sido gravado durante 12 anos.

Melhor diretor

Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman”)
Richard Linklater (“Boyhood”)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste”)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação”)

A categoria de melhor diretor é uma das minhas favoritas, pois sempre revela ou reafirma nomes para se acompanhar com atenção no circuito cinematográfico. Esse ano, se destacam para mim, nesse quesito, principalmente Alejandro Gonzáles, por sua perspicácia e estética em Birdman, e a determinação de Richard Linklater em Boyhood. Minha aposta é que a coragem de Linklater gritará mais alto e o consagrará com o prêmio de melhor diretor.

Melhor ator

Steve Carell (“Foxcatcher”)
Bradley Cooper (“Sniper americano”)
Benedict Cumberbatch (“O jogo da imitação”)
Michael Keaton (“Birdman”)
Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”)

Eddie Redmayne é favorito na categoria melhor ator

Eddie Redmayne é favorito na categoria melhor ator

Essa é uma das categorias cujo prêmio já está praticamente entregue nas mãos do Eddie Redmayne, por sua excelente atuação em “A Teoria de Tudo”, filme no qual interpretou o cientista Stephen Hawking, em várias fases de sua vida, explorando bastante a competência e versatilidade do ator. Apesar disso, meu favorito é Benedict Cumberbatch por “O jogo da imitação”. Mas como competir com uma doença e uma cadeira de rodas, não é? Portanto, a aposta vai para o Eddie mesmo.

Melhor ator coadjuvante

Robert Duvall (“O juiz”)
Ethan Hawke (“Boyhood”)
Edward Norton (“Birdman”)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher”)
JK Simmons (“Whiplash”)

JK Simmons em "Whiplash"

JK Simmons em “Whiplash”

A categoria vem pesada, com grandes atuações. A disputa, contudo, deve ficar entre Ethan Hawke e JK Simmons, ambos com atuações importantíssimas para seus respectivos filmes. Minha torcida e aposta, contudo, fica com JK Simmons, que surpreendeu em Whiplash e consegue ser um personagem que provoca os mais variados tipos de emoções no espectador. Além do que, é uma forma de consagrar Whiplash, que certamente sairá com menos prêmios que o merecido da cerimônia.

Melhor atriz

Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite”)
Felicity Jones (“A teoria de tudo”)
Julianne Moore (“Para sempre Alice”)
Rosamund Pike (“Garota exemplar”)
Reese Witherspoon (“Livre”)

Julianne Moore e Kristen Stewart em Para Sempre Alice

Julianne Moore e Kristen Stewart em Para Sempre Alice

Essa é definitivamente a minha categoria favorita, por motivos muito pessoais. Acredito que as mulheres no cinema têm uma sensibilidade, presença e brilho que só elas são capazes de alcançar e por isso “melhor atriz” é sempre a categoria mais marcante para mim. Apesar das cinco incríveis atrizes, minha aposta e torcida vai para Julianne Moore, que certamente levará o prêmio, por sua tocante interpretação em Para Sempre Alice, um belíssimo filme que figura no Oscar apenas com uma indicação. Importante destacar que tanto Rosamund Pike quanto Felicity Jones, as duas outras atrizes que pude verificar, estão sensacionais e merecedoras de reconhecimento, mas Julianne Moore está imbatível este ano.

Melhor atriz coadjuvante

Patricia Arquette (“Boyhood”)
Laura Dern (“Livre”)
Keira Knightley (“O jogo da imitação”)
Emma Stone (“Birdman”)
Meryl Streep (“Caminhos da floresta”)

A categoria de melhor atriz coadjuvante, em uma opinião bem pessoal, vem fraca este ano. Pude verificar quatro das cinco indicadas, e com exceção de Patricia Arquette, que provavelmente arrebatará o prêmio, as atuações das outras não me pareceram assim tão merecedoras de uma indicação a uma das principais categorias do Oscar. Keira Knightley, Emma Stone e Meryl Streep (não cheguei a ver Laura Dern) não decepcionam, mas um desses nomes poderia ser tranquilamente substituído, por exemplo, por Anne Hathaway ou Mackenzie Foy (ou ambas), por suas atuações em Interestelar. Quanto a Patricia Arquette, vejo muita evolução em sua atuação em Boyhood e este é o seu maior mérito, a superação a cada nova etapa do filme. Será um prêmio merecido.

Melhor documentário

“O sal da terra”
“CitizenFour”
“Finding Vivian Maier”
“Last days”
“Virunga”

Apesar de não ter visto nenhum dos filmes dessa categoria, quis acrescentá-la ao texto apenas para pontuar a participação do Brasil no prêmio com o documentário “O Sal da Terra”, em homenagem ao fotógrafo Sebastião Salgado. O doc venceu o César Awards e vem para o Oscar cheio de moral e com possibilidades de vitória. Torçamos!

Melhor animação

“Operação Big Hero”
“Como treinar o seu dragão 2”
“Os Boxtrolls”
“Song of the sea”
“The Tale of the Princess Kaguya”

É com muito pesar que terei de apostar em “Como treinar o seu dragão 2” para esta categoria, que também compõe o grupo das minhas favoritas. É com mais pesar ainda que lembro que o filme que provavelmente mais merecesse ganhar, “Festa no Céu” (“The Book of Life”, no original) sequer chegou a ser indicado. Dos cinco que chegaram à lista final, meu favorito é Os Boxtrolls, mas o filme não tem recebido muita atenção nas premiações e seria uma zebra muito grande chegar a ganhar no Oscar. Portanto, vou com a maioria e aposto minhas fichas na vitória da segunda parte da saga do viking Hiccup.

Melhor roteiro original

Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman”)
Richard Linklater (“Boyhood”)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher”)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste”)
Dan Gilroy (“O abutre”)

Novamente, vou de Boyhood nessa categoria. O filme é um retrato da vida passando a nossa frente. Contudo, dois outros fortes concorrentes são Birdman e O Abutre, ambos com roteiros grandiosos e críticos.

Melhor roteiro adaptado

Jason Hall (“Sniper americano”)
Graham Moore (“O jogo da imitação”)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente”)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo”)
Damien Chazelle (“Whiplash”)

O Jogo da Imitação concorre na categoria melhor roteiro adaptado

O Jogo da Imitação concorre na categoria melhor roteiro adaptado

Espero que ninguém tire esse singelo prêmio de O Jogo da Imitação. O filme conta uma empolgante e importante história sobre o trabalho de um homem para criar uma máquina que decifrasse a Enigma durante a Segunda Guerra Mundial. O filme traz atuações grandiosas e ainda aborda com sensibilidade e respeito a temática da homossexualidade naqueles idos. Apesar disso, todos os outros concorrentes são notáveis, com destaque para A Teoria de Tudo e Whiplash.

Melhor fotografia

Emmanuel Lubezki (“Birdman”)
Robert Yeoman (“O grande hotel Budapeste”)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (“Ida”)
Dick Pope (“Sr. Turner”)
Roger Deakins (“Invencível”)

Birdman deverá ganhar a categoria de melhor fotografia

Birdman deverá ganhar a categoria de melhor fotografia

Outra categoria dificílima de eleger um favorito. Os incríveis planos sequência de Birdman, as maravilhosas cores de O Grande Hotel Budapeste, ou o singelo e significativo preto e branco de Ida? Fico com a primeira opção! Birdman fez o que poucos se propõem dada a dificuldade da tarefa. Os cortes são imperceptíveis e o filme passa a impressão de ser todo feito “de um fôlego só”. Admirável!

Melhor figurino

Milena Canonero (“O grande hotel Budapeste”)
Mark Bridges (“Vício inerente”)
Colleen Atwood (“Caminhos da floresta”)
Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”)
Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)

Figurino de O Grande Hotel Budapeste é destaque na disputa

Figurino de O Grande Hotel Budapeste é destaque na disputa

O favorito para este prêmio, O Grande Hotel Budapeste, deverá se concretizar. Contudo, a Disney foi muito feliz nos figurinos de Malévola e Caminhos da Floresta, que também surgem como grandes concorrentes. Sobre O Grande Hotel Budapeste, deixarei as honras da casa com a Maria Aparecida Borges, que preparou um texto riquíssimo sobre o figurino do filme do Wes Anderson. Leia aqui.

Melhor canção

“Everything is awesome”, de Shawn Patterson (“Uma aventura Lego”)
“Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma”)
“Grateful”, de Diane Warren (“Além das luzes”)
“I’m not gonna miss you”, de Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen Campbell…I’ll be me”)
“Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo se nada der certo”)

Temos, nesta categoria, cinco canções bonitas e marcantes, algumas acabarão, com certeza, nas paradas de sucesso muito em breve. Provavelmente não é o caso da provável vencedora que, acredito, será “Glory”. Minha torcida pessoal, contudo, fica com “Lost Stars”, do filme “Mesmo se nada der certo”, que tem um papel importantíssimo no longa, além de ser uma música bonita e agradável. Para saber mais sobre essa categoria, vale a pena dar uma lida no texto que preparamos exclusivamente sobre ela. Lá também é possível escutar a todas as canções.

Lembrando que quem é de Natal, está convidado a participar do I Encontro de Cinéfilos de Natal, que acontecerá hoje, a partir das 18h. Saiba mais sobre o evento e confirme sua presença aqui.

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