Festival Bandas Novas do DoSol: para aplaudir de pé!

No último sábado, 18, fui conferir o Festival de Bandas Novas do DoSol, em Natal, organizado pelo produtor cultural Anderson Foca. O evento tinha o intuito de ”observar e ver em ação os grupos novatos da cidade”, como já informava a a página do evento no Facebook.

Eram seis bandas novíssimas se apresentando, algumas com mais experiência, outras com menos, algumas bem suaves, outras com um som bem pesado… Variedade não faltou. Ainda bem.

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Uma coisa que percebi no DoSol foi a iniciativa de fazer uma caixinha, rodeada de discos, com a frase: TROCO DISCOS POR MOEDAS. Achei lindo e colaborei, mas o moço da portaria comentou o que, infelizmente, imaginei que acontecesse: ”Tem gente que coloca 15 centavos e pega três CDs”.

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A primeira banda deveria começar a se apresentar, segundo a divulgação e organização do evento, às 16h45. Mas foi uma hora de atraso. Em ponto. Parecia até que estavam esperando um milagre pra botar o povo pra dentro. Juro: tinha quatro vezes mais gente na rua do que lá dentro. Fora isso, as bandas e o público foram chegando – e indo embora – aos poucos.

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A banda Máquinas no Ar começou sua estreia em solo natalense com o espaço quase vazio. Contei: 12 pessoas. Mas, à medida que eles estavam tocando, lá pela terceira música, o pessoal foi chegando. De repente, o espaço ficou cheio de famílias. Isso mesmo: famílias! Várias crianças pequenas de mãos dadas com seus pais, dançando ao som – massa! – da banda.

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Quanto à música deles, eu não sou nenhuma grande especialista, sou mais: gosto de música. E gostei. De verdade. Me lembrou um pouco, inclusive, uma das melhores bandas natalenses que conheço, o SeuZé, que, infeliz e recentemente, encerrou suas atividades. Um som bem legal, que você sente vontade de dançar, de correr e abraçar alguém. E a voz do vocalista bem presente, sempre sabendo se impor na música. A banda composta por Fábio Mathias (vocal e guitarra), Sihan Felix (piano, teclado, violino e voz), Isaac Melo (baixo e voz) e David Coelho faz um pop rock que pode agradar aos fãs de Barão Vermelho, Nenhum de Nós e Legião Urbana.

A banda tem um EP recém gravado, também intitulado ‘‘Máquinas no Ar”, com uma arte linda da linda filha do vocalista, a Alice, de 9 anos.

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Depois do fim dessa apresentação linda, foi a vez do Eletric Garbage subir no palco. Algo bem diferente, que a gente percebia só de bater o olho: quando os cinco caras do Máquinas no Ar desceram do palco, subiram cinco adolescentes bem adolescentes, bem com vontade de fazer, de tocar, de gritar ao mundo suas músicas.

Foi o segundo show deles com a nova formação, ou seja, com a vocalista Mariana Nobre. Além isso, eles tocaram com um baixista substituto: Felipe Beniz.

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Sobre o som deles, eu não conseguia me concentrar em nada. Nem eu nem muita gente que estava por lá. Não por o som ser ruim, muito pelo contrário, é bem bacana, mas Mariana, a vocalista, ainda não conseguiu colocar sua voz pra fora, e, portanto, ficou uma confusão danada: tanto prejudicando a voz dela quanto o som dos meninos. E, sobre os meninos, curti muito. Eles sabiam o que estavam fazendo e estavam curtindo o momento, assim como a plateia de adolescentes e amigos. Felipe Beniz, inclusive, foi uma surpreendente participação.

Eu acredito nos jovens, na música. Com vontade a gente faz tudo nesse mundo, então eu confio que, no próximo show do Eletric Garbage que eu for, Mariana estará brilhando em conjunto com o resto da banda.

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E aí, eis que sobe no palco a minha grande expectativa da noite: Plutão Já Foi Planeta. Tanto pelo nome “fuderoso” quanto pelo material foda que achei no Youtube e até pelos próprios comentários no DoSol. Eles subiram no palco, lindos, brilhantes, transbordando. Poucas vezes na minha vidinha vi algo assim.

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Natália Noronha, vocalista da “Plutão Já Foi Planeta”

Natália Noronha, a vocalista, poderia estar em qualquer lugar nesse mundo. Foi isso que eu disse a todo mundo que me perguntou o que eu tinha achado do show. A banda inteira sabia o que estava fazendo ali. Nenhum deles se matou pra atingir notas, pra terminar uma música com altas vibrações positivas. Nenhum, absolutamente. Todos eles estavam ali mostrando a que vieram, o que querem, o que merecem.

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E, lá pro finalzinho, sai a tão esperada música: a nova roupagem que eles fizeram entre duas músicas: ”Toxic”, de Britney Spears e ”Você não vale nada”, de Aviões do Forró. E, gente, coisa linda. Coisa finíssima. Coloco minha mão no fogo por quem consegue fazer uma mistura dessas, Brasel. Foda. Eu, pelo menos, estou ansiosíssima pra novos shows e trabalhos da banda.

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Passada a felicidade geral depois da banda-bomba, sobem no palco cinco caras fortes, altos, vestindo preto. Eram os cara da banda Organos, um pesado-limpo, uma voz pra fora, bem clara, bem protesto.

Em entrevista, eles declararam que definem seu estilo como rock! U-hu! E sobre as referências, eles disseram que se inspiram muito na música brasileira, no heavy metal e, principalmente, nas questões sociais.

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Uma coisa que não posso deixar de falar é da energia dos caras. Eu estava com dois fotógrafos me auxiliando, além de ter pego na câmera em alguns momentos também, e os dois comentaram: ”O vocalista se mexe tanto que eu não consigo tirar uma foto! Hahahahah!”. 

E aos fãs que curtiram muuuuito, fica o recado: os caras planejam lançar o primeiro álbum esse ano, além de participar de muitos festivais em Natal! Eba!

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E aí vem o show mais demorado da noite, mas também muito comemorado pelo público: Tio Sam! E minha maior surpresa foi vê-los cantar um brasileirês corajoso. Foi a estreia dos caras e parecia até que eles tinham um fã-clube, tamanha foi a comemoração enquanto eles tocavam. Era uma verdadeira festa.

A Tio Sam é uma banda recente, fazendo sua estreia com influências do samba, capoeira, do baião e do Nordeste em geral.

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Vocês podem conferir o trabalho do Tio Sam no Soundcloud deles e esperar, assim como eu e todos os outros, a próxima oportunidade de gritar: ”O nome do meu tio é Sam!”.

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Aí chega o último show da noite. Como houve um – terrível – atraso de 1h para começar a primeira banda e como, aliás, todas as outras bandas demoraram um pouquinho pra começar, fiquei com medo de a última banda, a Concílio de Trento, não receber a energia que merecia. Mas eu nunca estive tão enganada em toda a minha vida.

Quando os caras subiram no palco, foi geral: um som pesado com muita animação. O hardcore “fuderoso” descia do palco e batia na plateia, sempre, nesse ritmo, com a plateia devolvendo em dobro. E foi assim durante todo o show: troca de energia. Uma energia foda, aliás.

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Com influências de (abro essas aspas para agradecer aos meninos, que foram muito legais comigo e escreveram o nome de todas as bandas que se seguem por mim) Dead Fish, Bayside Kings, Close Your Eyes e PENSE, a banda composta por Thomas, Erildo, Paulo Victor e Adailton Luiz fez um puta show e merece toda a energia que teve e ainda terá.

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Sobre o evento em si,  o saldo foi positivo. Sempre é, quando se fala de arte. Com ingressos a R$ 10 e atraso de 1h, vejo que falta um pouco de respeito. Como se a organização já soubesse que os artistas fossem atrasar e como se os artistas já soubessem que a organização também atrasaria. Acho meio triste, também, mas quando as bandas começam eu esqueço tudo e louvo aos céus que existam artistas-lutadores em Natal, no Brasil e no mundo. Amém.

O espaço do DoSol foi erguido com muito suor e pouco patrocínio. Um espaço ótimo, mas que ainda, acredito, vai melhorar muito. O comentário geral, nos camarins, foi: ”Tem um sol dentro desse DoSol!”, tanto era o calor. Um calor covarde, de matar qualquer cachorro morto.  E, sobre a (des)organização, todas as bandas agradeceram ao DoSol por abrir o espaço para eles, mas, em geral, eles pedem mais organização, menos atraso e mais divulgação, coisa que eu, você, nós também pedimos e podemos nos juntar e ajudar a galera do DoSol a melhorar.

E ainda sobre aplaudir de pé, é, aplaudi de pé. Cada aplauso foi um tapa na cara da prefeitura, que, pelo visto, pela rua, por tudo, odeia a Ribeira. E como nós podemos aplaudir, se não em pé, já que não tem cadeira nem chão pra sentar?! Já que é assim, puerra: o grito de guerra é nosso: a gente vai colocar a Ribeira de pé!

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Fotos: Leila de Melo

ATUALIZAÇÃO 20/01, às 21h:

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO PRODUTOR RESPONSÁVEL PELO EVENTO, Leandro Neanderthal, ENVIADA PARA O FACEBOOK D’O CHAPLIN.

Olá pessoal do Chaplin, tudo tranquilo?

É o seguinte, li a matéria de vocês no site sobre o Festival Bandas Novas, que ocorreu sábado no DoSol, e como gestor do local e coordenador executivo do evento, vim esclarecer algumas questões: primeiramente a matéria ficou muito legal mesmo (valeu por ter dado ênfase ao nosso projeto das moedinhas ), porém houve um equivoco quanto ao atraso do evento.

A primeira banda, que deveria ser a Eletric Garbage, se atrasou, não nos avisou e não consegui entrar em contato com eles. Daí que sendo justo com as outras bandas, tirei a Eletric Garbage e informei a segunda banda “Maquinas no ar” que eles poderiam começar o show mais cedo e tocar por mais tempo, ou poderiam esperar até o horário combinado da segunda banda começar (17h30), o que seria justo para eles tbm, já que poderiam ter informado ha amigos e divulgado este horário, enfim, eles optaram por começar só às 17h30. Aí então o que houve, quando a Máquinas no Ar começou a tocar, chegou o pessoal da Eletric Garbage informando que tinha se atrasado e não teve de jeito nenhum como nos informar, aí para eles “não perderem a viagem”, coisa que não somos acostumados a fazer, normalmente se atrasar e não avisar fica fora do evento, dei duas opções: ou eles tocariam por último, depois do Concílio de Trento, ou eles falariam com todas as bandas e informariam que chegaram atrasados e pediriam para tocar depois do Máquinas no Ar, que foi o que eles fizeram. Além disso o técnico de som me informou que o baterista esqueceu de levar o pedal da bateria, o que causou mais um atraso de 15 minutos, e para não prejudicar mais ainda as outras bandas e o público, reduzi estes 15 minutos da apresentação deles, que deveria ser de meia hora (por isso foi tão curto o show deles). Só houve o atraso para que a Eletric Garbage pudesse tocar, se não, seguiriam normalmente as apresentações a partir da segunda, que começou no horário certinho.

Então é isso, espero que tenha ficado esclarecido, e aproveito também para informar que nossos eventos (os que são produzidos pelo DoSol, não os que outros produtores realizam lá, já que neste caso não nos responsabilizamos pelos horários) seguem rigorosamente o horário de início e término, sendo que para este, abrimos uma exceção pelo evento ter um caráter diferente, das bandas serem novas, e de ter uma importância especial para estas bandas.