Tulipa Ruiz foi uma das atrações principais do segundo dia de Mada (Fotos: Geni Laís)

Tulipa Ruiz foi uma das atrações principais do segundo dia de Mada (Fotos: Geni Laís)

O segundo dia do festival Música Alimento da Alma (Mada) aconteceu neste sábado (26) e mostrou muitas surpresas. Tocaram as bandas Rastafeeling, Manacá, Far From Alaska, Two Places At Once, Manuche e as atrações principais foram Tulipa Ruiz e Marcelo D2. Esta foi a primeira vez que o Mada aconteceu na área externa do estádio Arena das Dunas.

Todas as apresentações começaram na hora e os artistas conseguiam chamar a atenção da galera. Eu cheguei por volta das 21h20 e já estava rolando o som dos potiguares do Rastafeeling, famosa por tocar reggae. Antes de entrar, encontramos dois primos animados, a Amanda Karoline e Benjamin Luciano, que tinham ido conhecer o Mada no dia anterior e aparentemente esperançosos com o que estava por vir. Perguntei o que eles mais gostaram da sexta do Mada,  Benjamim respondeu: “Eu gostei muito da Banda do Mar, hoje eu quero ver o Far From Alaska”, revelou.

Mada

Manacá

“Salvou meu final de semana, fui ontem e estou vindo no segundo dia mais por conta da Tulipa Ruiz. Eu estou amando”, relata a jovem de cabelos roxos que estava tirando diversas fotos no portão principal.

A primeira apresentação durou cerca de 20 minutos e, logo em seguida, começou Manacá. O som mistura rock com guitarras pesadas, MPB e regionalismo. Surgiu em 2006, formada pela atriz Letícia Persiles (a Capitu da série homônima da Rede Globo) nos vocais, Luiz César Pintoni na guitarra, o baixista Daniel Wally e o baterista Bruno Baiano. Letícia mostra que tem uma boa presença de palco, conversou com o público, dançou e ficou brincando no palco.

Depois conversamos com a líder do grupo que tem o nome de uma tradicional flor da Mata Atlântica, Letícia Persiles comentou que o retorno do grupo está sendo maravilhoso. “Estamos bombando”, conta. Ao ser questionada se o show deste ano foi melhor em comparação ao de 2007, ela respondeu: “É claro que é diferente. Isto foi um novo encontro, uma nova mudança e todos nós estamos diferentes”.

Far From Alaska

Far From Alaska

Logo após veio Far From Alaska. Com raízes natalenses, a banda é formada por Emmily Barreto (vocalista), Lauro Kirsch (bateria), Edu Filgueira (baixo), Cris Botarelli (synth, lap steel e voz) e Rafael Brasil (guitarra). O grupo fez questão o tempo todo de enfatizar que são da terra e o povo cantou as suas músicas.

“Nós somos o Far From Alaska e somos daqui de Natal, porra”, disse Cris Botarelli após ter cantado “Dino Vs. Dino”, cujo clipe é exibido pelo canal da MTV Brasil. Além disso, eles tocaram “Thivery” e “Mama”.

“Foi bem melhor que o ano passado. Cada show que fazemos, eu vejo que tem mais gente cantando as nossas músicas”, disse Rafael Brasil, guitarrista do grupo potiguar. Ao ser questionado sobre a repercussão nacional que a banda teve, ele respondeu: “É massa o nosso som rolando e faz com que o público de outros lugares nos conheça e prestem mais atenção em Natal”.

A carioca Two Places At Once, criada no ano passado, tocou pela primeira vez em Natal no segundo dia do Mada. O som lembra um pouco Radiohead e Weezer, além da voz do vocalista Renan Rocha ser muito parecida com a do Liam Gallagher, do Oasis. Em março deste ano, eles disponibilizaram no Soundcloud o primeiro EP, chamado “Different Selves”.

Em seguida veio o Manuche, de São Paulo, tem uma batida mais eclética. Ora parece soul, ora lembra rock. Eles cantam músicas autorais e realizaram alguns covers de Raul Seixas, Mutantes e também uma versão um pouco embromada de “Highway to Hell”, do AC/DC.

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Começaremos a falar, agora, das atrações principais. Todas as atrações do festival se apresentaram devidamente no horário, coisa rara até mesmo em grandes eventos nacionais, pois sempre acontece o atraso. Quando deu a hora do show de Tulipa Ruiz, o local tava cheio de pessoas e gritando pelo nome dela.

Assim que entrou no palco cantando “É”, o público ficou louco e gritando freneticamente. “Que bom que a gente está terminando esta turnê aqui em Natal. Bom show para todos nós”, disse durante a apresentação, conversou com a plateia e mostrou que as brincadeiras com a voz e os arranjos montados de forma delicada e minuciosa são possíveis de serem feitos ao vivo.

Tulipa e a fã oferecendo o adesivo

Tulipa e a fã oferecendo o adesivo

Como era véspera do dia das eleições, Tulipa pediu para os fãs que votassem consciente e falou de suas preferências políticas. Ela declarou abertamente que votaria na atual presidente Dilma Rousseff e realizou duras críticas ao Aécio Neves, outro candidato à eleição. No final, Ruiz recebeu um adesivo de uma fã, que também é eleitora da candidata recém-eleita, e prontamente grudou no vestido dela.

Ouvindo comentários das pessoas que estavam em nosso redor, as opiniões ficaram divididas, pois muitos lhe apoiaram e outros acusaram dela de fazer “showmício”. Na parte das músicas “mais românticas”, você poderia ver ao redor diversos casais se beijando, momento de confraternização. Foi muito animado e após ter se despedido do público, ela voltou ao palco e cantou mais três músicas.

“Para mim o show de Natal foi bem importante, porque foi o último show da turnê do Efêmera (primeiro álbum dela) foi aqui. Isto foi muito simbólico, pois fomos muito bem recebidos e, por coincidência, fizemos um dos últimos shows de “Tudo Tanto” aqui. Então isto é importante na minha linha do tempo. Por isso que eu tenhof esta ligação tão forte com Natal”, comenta Tulipa Ruiz em entrevista após o show, na qual ela declarou que foi um momento especial.

Ela também declarou que acompanha tanto o Mada como o Festival Dosol, que também reúne importantes artistas da cena alternativa local e nacional. Ao ser questionada se tem alguma banda potiguar que ela goste, respondeu: “Camarones, eu gosto demais”.

Após o fim da turnê, que acontece no final deste ano, ela vai partir para gravação do terceiro álbum e está com lançamento previsto para o ano que vem. “Tenho várias ideias, quando a gente começa a produzir um disco parece aquela brincadeira do ‘O que você quer do mundo?’. E aí, eu entro no momento que é um absurdo e fico pensando coisas como ‘Ah, eu quero que Paul McCartney toque, Yoko Ono participe e a capa seja desenhada por Robert Crumb (quadrinista, criador das tirinhas ‘Fritz the Cat’ e elaborou a capa do álbum “Cheap Thrills”, da Big Brother and the Holding Company, que tinha como vocalista a Janis Joplin) e essas coisas”.

Marcelo D2 durante a apresentação do Mada

Marcelo D2 durante a apresentação do Mada

Sai Tulipa, entra Marcelo D2, uma figurinha carimbada do Mada. Confesso que tinha até um “receio” com o show dele, mas dei o braço a torcer e foi um dos melhores da noite. O cantor tem uma forte presença de palco e foi bem carismático.

Ele cantou as músicas de seu mais recente álbum, “Nada Pode Me Parar” (lançado em 2013), porém não deixou de lado na playlist “Qual é”, “Desabafo” e os clássicos do Planet Hemp, como “Mantenha o Respeito” e “Dig Dig Dig”. Assim como Tulipa Ruiz, ele pediu para que as pessoas realizassem o voto consciente, uma vez que a situação do país não está nada fácil. Ele não citou suas preferências políticas. “Independente de quem ganhe, a gente está fudido”, martelou.

Porém, um dos ápices do show foi a presença de Fernandinho Beat Box, um dos grandes parceiros de D2 no palco, e juntos tocaram desde “Seven Nation Arms”, de White Stripes, “Come As You Are”, de Nirvana, e até mesmo o “Harlem Shake”.  Além disso, quando Marcelo D2 começou a cantar clássicos do samba brasileiro deixou o público animado e cantando junto.

Foi assim que o Mada 2014 foi encerrado, com artistas com forte presença de palco, uma line-up com rock, rap, samba, MPB e reggae. Isto, em nenhum momento, deixou o evento morgado ou ruim, pelo contrário. Além disso, quebra o paradigma de que quem gosta de música alternativa, só curte um determinado estilo ou gênero musical.  Isto também foi nítido no primeiro dia, como mostramos na matéria sobre o primeiro dia. A edição 2015 poderia continuar na área externa da Arena das Dunas, canto central da cidade, acústica boa e que corroborou para uma das edições mais organizadas a que já fui.

Outras fotos do segundo dia do festival Mada:

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