Aqueles que nasceram nos anos 80 e 90 estão lembrados quem são os G.I. Joe. Aqui no Brasil eles nasceram como Falcon e, posteriormente, em uma versão reduzida dos anos 80, viraram Comandos em Ação. A Hasbro, empresa responsável pela boneca mais famosa do mundo, a Barbie, teve a sacada de fazer bonecos para meninos e lucrar alto. Então, nada mais masculino do que bonecos de ação, ainda mais na época que surgiram, na década de 60, em meio a Guerra Fria e constante tensão nuclear, quando os EUA precisavam de uma força tarefa a altura.

“G.I. Joe – Retaliação” tem como contexto um momento de guerra nuclear internacional

O boom dos bonecos veio em meados dos anos 80, por conta da febre dos brinquedos da série Star Wars, a Hasbro relançou os G.I. Joe, agora com cerca de 9.5 cm, contra os 30 cm da versão anterior. E como americano não dá ponto sem nó, para ajudar a reforçar a marca e consolidar as vendas dos bonecos eis que resolveram lançar HQs com as personagens, publicadas pela Marvel, assim todos lucravam e saiam felizes. Não contente, Hasbro e Marvel lançaram o o desenho animado em 1985. Então se você tem um irmão mais velho que nasceu por essas décadas, certamente já conhece ao menos um desses personagens.

A franquia também se tornou game para Play Station 3

E como nada se cria, mas tudo se copia, a espertíssima empresa criadora dos bonecos analisou o sucesso de outra franquia baseada em desenhos, Transformers, viu seu sucesso e resolveu investir em um filme live action também, e em 2009 chegava às telonas “G.I. Joe: A Origem de Cobra”, dirigido por Stephen Sommers, estrelando Channing Tatum (também presente em “Retaliação”) e Sienna Miller. O enredo é simples e não poderia ser diferente, os G.I. Joe são um grupo de soldados de elite das mais diferentes nacionalidades que usam a mais moderna tecnologia para combater o vendedor de armas chamado Destro e deter o surgimento da ameaçadora  organização chamada Cobra, que quer acabar com o mundo.

As cenas de ação nas ruas de Paris e os excessos de uso de computação gráfica tornam as batalhas pouco críveis o que, de certo modo, eu já esperava. No entanto, comparados a sua continuação, “G.I. Joe: Retaliação”, o primeiro filme é muito mais elaborado, seja em termos de roteiro ou personagens. O uso dos flashbackspara contar a história e inteirar o espectador é louvável, tendo em vista que nem todo mundo conhece o enredo. Talvez exagerem um pouco, até demais, mas não esqueçamos, estamos falando de um blockbuster hollywoodiano.

Parte do elenco de G.I. Joe – A Origem de Cobra

Quando paguei R$ 13,50 para assistir à sessão de G.I. Joe – Retaliação em 3D, tinha um único interesse: conferir a tecnologia 3D vendida por um dos trailers do filme, o qual assisti há algumas semanas, antes da sessão de outro filme, também em 3D. O trailer não tinha qualquer diálogo – e após assistir ao filme, pude saber o motivo – e exibia apenas uma única cena de ação, dinâmica, rápida, esbanjando técnica, com efeitos que não permitiam ao espectador piscar os olhos. Decidi, portanto, que veria o filme, sem esperar nada do roteiro, que eu sequer fiz questão de conhecer antes, mas esperando grandiosidades da tecnologia, que foi o que me levou, semana passada, a G.I. Joe. Maldida tecnologia.

G.I. Joe – Retaliação é daqueles filmes em que todo o orçamento é gasto na produção. Hollywood gosta de fazer isso, vez ou outra, e aí saem lesados, principalmente, roteiro e direção. Nesse caso a direção ficou por conta de Jon M. Chu. E se você está se perguntando quem é o sujeito, é o mesmo que assinou o filme do Justin Bieber (Never Say Never, 2010) e os três últimos “Ela Dança, Eu Danço” (2007, 2010, e o último ainda por ser lançado). A consequência disso  é um filme-espetáculo, baseado em cenas de ação pouco criativas e em uma quantidade de efeitos que poderiam ter sido melhores, considerando a propaganda realizada. No mais, nada em G.I. Joe compensa.

Logo no início, temos aquela impressão de déja vu quando encontramos os Estados Unidos em conflitos com um país. Então, descobrimos que o país é, adivinhem, Coréia do Norte. Como, na mesma semana, assisti a “Invasão a Casa Branca”, a impressão que tive é de que ambos os filmes foram encomendados pelo governo norte-americano, considerando a atual situação política e os vários pontos semelhantes nos dois enredos. Noves fora, a situação é a seguinte: existe um acordo entre as grandes potências mundiais que define a redução das ogivas nucleares no mundo, mas o governo dos Estados Unidos encontra-se tomado pela organização Cobra, e dá início a um plano de proporções alarmantes. Nesse contexto, após uma operação, o esquadrão de elite G.I. Joe é acusado de traição pelo governo americano e tem vários de seus integrantes mortos em combate. Os remanescentes, Roadblock (Dwayne Johnson), Flint (DJ Cotrona), Lady Jaye (Adrianne Palicki), e Snake Eyes (Ray Park), vão apelar para o criador dos G.I. Joe, Joe Colton (Bruce Willis), para revidar o ataque, recuperar o governo americano e a moral dos G.I. Joe.

O veterano dos filmes de ação Bruce Willis está no elenco de “Retaliação”

Até aí, tudo bem. O argumento nem é o dos mais fracos, e posso dizer que, embora com algumas falhas, o desenrolar do roteiro não é de todo condenável, visto que consegue se amarrar direitinho sem deixar o espectador totalmente perdido. O problema está no recheio, se é que me entendem. Sou sincera em afirmar que há muito tempo não via um filme com diálogos tão ruins e inúteis. As atuações, muitas vezes, acabam prejudicadas pelo script imbecilizado. A exceção se dá nas cenas de ação, visto que praticamente todos os atores são peças marcadas dos filmes hollywoodianos do gênero, e desempenham bem o seu papel nas caras ranzinzas e lutas exageradas.

Por falar nas lutas, eu decididamente esperava mais do 3D utilizado para elas. No trailer divulgado, a tecnologia era impressionante em cada segundo, por mais de um minuto. Já no filme, nem a mesma cena surpreende da mesma forma e deixa frustrado quem, como no meu caso, foi ao cinema com o único intuito de admirar o 3D. O filme não conta com criatividade na totalidade das cenas, e há muitas referências aos antigos filmes de luta japoneses (algo que eu gosto em G.I. Joe, particularmente). Contudo, uma cena, talvez uma das melhores do filme, chama atenção: trata-se de uma luta aérea entre Snake Eyes e Jinx contra os ninjas do Comando Cobra. A cena é longa, dinâmica e o cenário de montanhas também é digno de admiração.

A cena de combate aéreo é um dos (poucos) acertos do filme

No fim das contas, G.I. Joe é meramente um filme para se olhar (veja bem, usei “olhar” e não “admirar”). A narrativa é tão simplista que não frustra, surpreende, agrada, ou mesmo desagrada. Eu a chamaria de apática. Não se preocupe em pensar ou tirar qualquer reflexão do filme. É perda de tempo. E, se possível, leve um fone de ouvidos e limite-se apenas à análise estética do filme – embora esta também peque em alguns momentos. Nos momentos de luta, tirar o fone e dar uma chance ao áudio pode ser conveniente, visto que a mixagem de som não é das piores. No mais, não caia no erro de pagar pelo 3D do filme, principalmente numa sexta à tarde. Se você for estudante ou membro da classe proletariada, principalmente, a sensação de prejuízo financeiro e moral (o que é pior) perdurará por um bom tempo.

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