Game of Thrones encerra brilhantemente sua melhor temporada
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8.7

Confesso que acompanhar Game of Thrones, por muitas vezes, foi torturante. Enquanto a primeira temporada arrancara minha simpatia, as demais, especialmente a segunda, me afastavam pela lentidão e narrativa prolixa. Nunca consegui enxergar em tal produção a mesma qualidade que os fãs enxergam. Eis que, após seis anos, posso dizer que fui apresentado à grandiosidade da série.

Pela primeira vez, a atração da HBO teve autonomia na adaptação da obra do zeloso George RR Martin. O autor da obra original precisou se dedicar à sua atrasadíssima escrita. Dessa forma, os roteiristas David Benioff (capaz de atrocidades como X-Men Origens: Wolverine e Troia) e D.B. Weiss tiveram bem mais liberdade sobre o material escrito. Sem a supervisão de Martin, que indicou o que aconteceria até o fim da história, a dupla entregou sua versão dos acontecimentos, resultando na temporada mais dinâmica até aqui.

É fato que o sexto ano não é irretocável. Algumas coisas seguem atropeladas e ainda com certa lentidão. A influência do Alto Pardal na sociedade segue sem proporções. Não é mensurável em tela até onde vai o poder da religião que comanda Porto Real e nem a grandiosidade do “exército” de militantes da fé. Além disso, também falta clareza em pontos como a reaparição do Tio Benjen, que deve ter sua atual condição melhor trabalhada no futuro, ou o núcleo dos Martel, que elabora um motim em Dorne e depois é esquecido. O velho hábito de introduzir o tema e deixar para aprofundá-lo posteriormente. Bom em livros, não tão eficiente em audiovisual.

Porém, é inegável que vimos em 2016 a maior quantidade de desenvolvimento de histórias e personagens de Westeros. A trama nunca andou tanto em GoT. Os roteiros prolixos e o excesso de acontecimentos paralelos, que acabavam atrasando o ritmo da produção, ganharam novo fôlego ao serem consideravelmente mais diretos.

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A gama de protagonistas evoluiu bastante. Os integrantes da família Stark sofreram os maiores crescimentos dramáticos. Jon Snow assumiu a tão aguardada postura de grande guerreiro que sempre o cercou, além de contar com o bom carisma do seu limitadíssimo, mas funcional, intérprete Kit Harington; Bran voltou a aparecer após um sumiço na temporada anterior, se mostrando importante narrativamente dentro do conflito entre os reinos, por suas capacidades de manipulação mental, e como guia para os espectadores, nos levando a pontos importantíssimos do passado de Westeros e ao trazer indicações do futuro próximo e intenso.

Amadurecidas, Sansa e Arya Stark entraram no rol de grandes personagens femininas. A primeira se impondo às tragédias que sofreu e buscando o que é seu por direito e a segunda se mostrando uma das personalidades mais tridimensionais, transitando entre dúvidas e certezas enquanto precisa se adaptar ao novo estilo de vida.

Aliás, a trama de Martin, repleta de atrocidades sofridas pelas mulheres, não se atém a reduzir suas personagens femininas. Mesmo com referências culturais diretamente retiradas de um passado pavoroso da nossa humanidade e que insiste em refletir nos dias de hoje, GoT se destaca ao empoderar figuras como Daenerys, Yara Greyjoy, a já queridinha Lyanna Mormont e a sempre magnifica Cersei.

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Tecnicamente, podemos dizer que a sexta temporada chegou ao seu apogeu. As inúmeras “não-batalhas” que insistiam em irritar deram lugar ao brilhante nono episódio, Battle of the Bastards. Plano-sequência, pontos de vista e inúmeros efeitos de computação gráficas se unem em perfeita harmonia para entregar um extasiante duelo que durou aproximadamente 30 minutos. Completamente cinematográfico!

E quando a expectativa por um final inferior assolava, a HBO apresenta um season finale arrebatador e ainda maior. Roteiro e atuações magníficos embalados por um episódio muito bem coordenado visualmente e narrativamente. A edição ágil e o grande número de informações bem distribuídas finalizaram o ano com maestria.

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Sim, agora posso dizer que fui pego por Game of Thrones. Senti algo além de simpatia por uma imponente obra televisiva. Enfim, antes tarde do que nunca.

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