Apesar de nunca ter sido uma grande fã dos Bee Gees, digamos que eles fizeram parte da minha infância. Enquanto a maioria das pessoas cresceu ao som de Xuxa, Eliana, Balão Mágico… meu repertório era mais “exótico” com Beatles, Scorpions, Led Zeppelin e os Bee Gees. Então não foi surpresa nenhuma me interessar pelo show dos Geminis, que ocorreu no último sábado (6) no Teatro Riachuelo. Achei bacana a proposta deles de recriar toda a atmosfera dos Bee Gees, mas nem todos pensaram assim.

Fotos: Andressa Vieira

Fotos: Andressa Vieira

Bandas covers não são exatamente a primeira opção da maioria das pessoas, some-se isso à concorrência do principal dia do Carnatal (um evento que, embora já tenha vivido dias melhores, ainda atrai grande público) e o resultado é um Teatro Riachuelo repleto de cadeiras vazias. No entanto um fato que me chamou atenção foi o público misto: era possível encontrar pessoas de várias idades, algo positivo embora também indicasse que provavelmente eles não eram em sua maioria fãs e, portanto precisavam ser conquistados. O que não aconteceu exatamente.

 Ismael Espiño (Barry Gibb)

Ismael Espiño (Barry Gibb)

O show começou as 22h10 com um pequeno trailer que convidava o público a “pegar carona em uma viagem no tempo pelos 40 anos dos Bee Gees”. Se por um lado os Geminis foram muito detalhistas com certos aspectos dos irmãos Gibbs como a assombrosa semelhança na voz, roupas e até nos gestos, por outro pecaram em pontos cruciais que comprometeram o concerto.

O maior erro foi não ter sabido equilibrar o repertório deixando a maior parte dos grandes hits para o final, o resultado foi um show instável onde o público variava entre a animação e o quase desinteresse. Dois dos momentos mais marcantes foram durante as muito aplaudidas I Started a Joke (anos 60), cantada pelo interprete de Robin Gibb, Alejandro Niz, enquanto o telão apresentava imagens em homenagem ao cantor falecido em 2012 e How deep is your love (anos 70) que embalou muitos beijos e abraços dos casais presentes. Em alguns momentos, no entanto, a banda chegou a disputar atenção com um pequeno grupo que dançava próximo ao palco.

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A iluminação também foi um problema, eles tentaram criar um clima de discoteca que não funcionou, o jogo de luz escolhido, muito forte, na verdade criou um clima quase claustrofóbico. O trio também pouco interagiu com o público se limitando a algumas pequenas frases em português e tiradas engraçadas mas que sempre partiam de Ismael Espiño (Barry Gibb), segundo ele, o que melhor fala o nosso idioma.

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Mesmo um indicativo positivo, a presença de pequenos vídeos documentando a carreira dos Bee Gees, acabou prejudicado pela desarmonia com o set list. Os vídeos eram uma clara maneira de situar esse público mais misto sobre a carreira do trio britânico e passavam a cada intervalo do show representando o fim de uma fase da banda e o início de outra, o que funcionaria como uma prévia do que seria apresentado no próximo bloco do show. Mas, algumas músicas não tinham quaisquer relação com a vinheta, de modo que um vídeo que abria a fase disco em meados da década de 70 era seguido por músicas dos anos 80, 90 enquanto dois dos maiores hits dessa época e da carreira da banda, You Should Be Dancing e Stayin’Alive, foram deixados para o final e ainda que grande parte do público tenha se levantando e dançando, não foi o suficiente para consolidar o show, coisa que ficou evidente após o final com os tímidos pedidos de “bis”.

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Embora nem de longe tenha sido uma perda de tempo, saí com uma inegável sensação de que faltou algo, ou nesse caso, muita coisa (e uma leve tontura por conta das luzes). No fim, a grande viagem no tempo pelos 40 anos dos Bee Gees prometida no início, pareceu ficar pelo meio do caminho.

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