A entrega do Globo de Ouro é tida como um termômetro para o Oscar, este ano não seria diferente. A premiação aconteceu na noite do dia 10, no Beverly Hilton, em Los Angeles. A Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood consagrou a obra do sempre interessante Iñarritu, “O Regresso”, com três prêmios: Ator em Drama (Leonardo DiCaprio), diretor (Alejandro González Iñarritu) e filme em drama. Entre os ditos “azarões” da noite estão: Brie Larson (melhor atriz em drama) por sua atuação no surpreendente “O Quarto de Jack”; Lady GaGa (melhor atriz de minissérie ou filme para TV) em “American Horror Story: Hotel” e a controversa indicação/premiação de “Perdido em Marte” como filme de comédia/musical.

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Ricky Gervais o anfitrião mais desconsertante e divertido dos Golden Globes

Uma noite cheia de sarcasmo e risinhos sem graça, essa seria a melhor definição para a noite de premiação, afinal, Ricky Gervais era o mestre de cerimônias e não poupou ninguém de sua afiada língua. Os risos sem graça ficaram por conta do Netflix que superou a HBO em número de indicações (arrancou 7), mas saiu de mãos abanando. Na disputa dos sites de streaming quem se deu bem foi a Amazon, que apesar de mais jovem que a concorrente, logrou êxito com a série “Mozart in the Jungle” (melhor série em comédia/musical) e ainda pela mesma série, melhor ator em série de comédia/musical (Gael Garcia Bernal).

Enquanto eu assistia aos infames e sempre cheios de venenos comentários de Rubens Edwald Filho na TNT, já dava por certo no mínimo três vencedores, Leonardo Di Caprio, Cate Blanchett e Ennio Morricone. Embora não tivesse visto nenhuma das obras que lhes renderão indicações, “O Regresso”, “Carol” nem “Os 8 Odiados“.

Di Caprio já está com sangue nos olhos por prêmios há muito tempo e junta-se com um diretor igualmente determinado a escrever seu nome na história, como Iñarritu, ambos prontamente trariam uma atuação e uma obra de alta qualidade. Acertei.

A adaptação do romance de Patricia Highsmith, por sua vez, pôs lado a lado duas das atrizes mais interessantes e respeitadas do cinema atual: Cate Blanchett (duas vezes vencedora do Oscar) e Rooney Mara, a primeira já sagrou-se melhor atriz no Oscar de 2014 (por “Blue Valentine”). A crítica especializada internacional não poupou elogios ao novo trabalho, mas eu e aqueles que davam como certo este prêmio erramos.

Ennio Morricone é uma lenda viva! O trilheiro dos faroestes mais aclamados foi chamado para assinar o novo filme do sempre excêntrico Quentin Tarantino e o resultado foi mais um prêmio, aos 87 anos.

“Perdido em Marte”, filme de Ridley Scott com Matt Damon, que eu perdi nos cinemas e assisti atrasada, foi baseado em um livro cômico. Convenhamos que categorizá-lo como cômico foi uma excelente jogada para que o filme vencesse um prêmio, uma vez que frente aos concorrentes da categoria de drama não teria vez, mas já na de comédia, teria mais chances, tanto que ganhou. Matt Damon é aquele cara que pouco se vê errando, embora concorresse com dois nomes de peso: Christian Bale (“A Grande Aposta”) e Al Paccino (“Não Olhe Para Trás”).

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Atores vencedores em cinema: Leonardo Di Caprio, Jennifer Lawrence, Matt Damon e Brie Larson

Jennifer Lawrence está para o cinema assim como Neymar para as propagandas de produto na televisão brasileira, onde ela toca o negócio funciona! Queridinha da América, a jovem atriz mantém sua parceria campeã com o diretor David O. Russel em “Joy – O Nome do Sucesso” e levou mais uma estatueta pra casa, na categoria de melhor atriz em comédia. E olha, ela nem caiu, não se esbarrou em nada. Acredito, inclusive, que essa foi a sua maior vitória na noite.

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Quando vi os indicados nas categorias de TV me ocorreu um questionamento: “Será que estou assistindo as séries erradas, ou tô só desatualizada mesmo?”, acho que um pouco das duas coisas. Dentre os vencedores eu vi um episódio de cada série e olha, a preguiça de baixar as coisas acabou me acomodando e me tornou uma expert das produções do Netflix. Pra não dizer que não falei das flores, vi “American Horror Story: Hotel”, “Wolf Hall” e “Mad Men”, entre os vencedores, acho que conta, né?!

Globo de Ouro sim, mas será que leva o Oscar?

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O Regresso de Iñarritu foi o queridinho do Globo de Ouro e se fortaleceu na briga do Oscar

Termômetro para o Oscar, o Globo de Ouro fortaleceu muitos nomes para a disputada da mais garbosa e importante premiação do indústria cinematográfica, o Oscar. Num parâmetro simples, porém objetivo, podemos especular alguns nomes como fortes indicados ao prêmio.

Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa) provavelmente não vão conquistar muita coisa, e não por falta de qualidade ou talento, mas a probabilidade do jovem britânico ser “bicampeão” é pequena. Di Caprio por sua vez, tem grandes chances de enfim pôr suas suadas e talentosas mãos na estatueta que tanto almeja, aliás, talvez seja este o momento que tanto esperemos na premiação deste ano. Seria, se Danny Boyle não tivesse feito “Steve Jobs“, filme que promete ser uma cinebiografia definitiva do criador da Apple. No elenco temos um Michael Fassbender potencialmente “premiável”!

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O tocante e surpreendente “O Quarto de Jack” traz uma Brie Larson como favorita?

Entre as atrizes, eu não tenho como dizer que o Globo de Ouro estava errado quanto a Brie Larson, assisti a “O Quarto de Jack“, um filme extremamente sensível sobre uma temática indigesta e brutal, a atriz de série e de pontas em filmes ganha destaque, vez e faz uma atuação digna de premiação.

Quanto a Blanchett (Carol), que já venceu duas vezes o prêmio (atriz coadjuvante: “O Aviador” e atriz: “Blue Valentine”) em uma premiação tão política quando a da Academia é difícil que o faça de novo, em um período tão curto de tempo, o mesmo serve para Jennifer Lawrence.

Todd Haynes, assim como “Carol”, parece que não caiu no gosto da Academia e foi ignorado. Outros três nomes sem grande visibilidade, que ganharam oportunidade foram os diretores Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack), Adam McKay (A Grande Aposta) e Tom McCarthy (Spotlight: Segredos revelados).

O australiano George Miller conseguiu uma façanha de fazer um filme incrível, porém sem história: “Mad Max: Estrada da Fúria“, e colocar seu rebento em todas as premiações possíveis. Alejandro González Iñarritu chega como favorito? Olha, pra ser bem franca, “O Regresso” deve se dar bem, mas pelo terceiro ano consecutivo um mexicano vencer o Oscar, já acho mais complicado, embora não ache que falte merecimento.

“Divertida Mente”, da Disney, vencedor do Globo de Ouro, concorre ao Oscar com uma animação brasileira de Alê Abreu, “O Menino e o Mundo“, fica a torcida verde e amarela!

Esse é o panorama das premiações em 2016, aguardemos as estreias nos cinemas mais próximos (ou sites de download) e aguardemos até o dia 28 de fevereiro.

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