Um dos melhores acertos do Netflix em 2015 foi produzir a série da heroína Jessica Jones, introdução da série sobre o Luke Cage. O seriado é mais uma produção da empresa de comunicação via streaming em parceria com a Marvel, que produziu primeiramente “Demolidor”.

O famoso selo de quadrinhos mostra mais uma vez que está sempre se renovando e Jessica Jones é um grande exemplo disso. Antigamente, se pensava que super-heróis eram pessoas que não tinham sentimentos, inatingíveis, bondosos o tempo todo. Jessica Jones mostra que heróis são humanos como quaisquer outros e todos eles possuem uma ferida que ainda não foi curada.

Celebrity Sightings In New York City - March 10, 2015Esta é a primeira lição que aprendemos assistindo à série.

Esta não é a primeira vez que a Marvel produz heróis mais realistas. É uma vertente que está crescendo cada vez mais, como na série de Stan Lee (manda-chuva da Marvel) procurando super-humanos ou em animações como Big Hero.

Confesso que a série pirou minha cabeça e consegui assistir a todos os episódios em menos de cinco dias. Claro, bateu aquela depressão como acontece quando você acaba um livro/seriado/filme que é muito bom, fica sempre um gosto de quero mais. O seriado se passa em Nova York, marcado pela aparição de seres com poderes e pessoas atormentadas.

Interpretada por Krysten Ritter (conhecida primeiramente pela sua participação em Breaking Bad), Jessica Jones é uma super heroína que já usou pseudônimos como Safira, Paladina e Poderosa. Sua primeira aparição nos quadrinhos da Marvel foi durante a década de 2000.

Como ela virou heroína? Após um acidente entre o carro da família e um caminhão que carregava ilegalmente substâncias tóxicas, todos morrem, com exceção de Jessica, que entra em coma profundo.

Ao acordar, a personagem descobre acidentalmente que o contato com as substâncias do caminhão tanque lhe garantiu poderes como: vôo, super-força e resistência. Como Safira, ela conseguiu salvar diversas pessoas e enfrentou alguns vilões, até se envolver com Zebediah Killgrave, o Homem-púrpura, que na série ficou conhecido como Kilgrave, com apenas um L e sempre vestido com um terno roxo.

Kilgrave, o vilão mais incrível que a Marvel já realizou

Kilgrave, o vilão mais incrível que a Marvel já realizou

O vilão usa seus poderes de controle mental para colocar Jones sob seu comando, psicologicamente torturando-a e a forçando a ajudar em seus esquemas criminosos. Jones, portanto, começa a perder a distinção entre o que é verdade e o que é criado pelos poderes de Kilgrave. Após se “safar” de Kilgrave, ela desiste da vida de heroína e começa a trabalhar como investigadora particular.

Durante as suas aventuras como investigadora particular, ela conhece Luke Cage, com quem desenvolve uma química intensa logo de cara. As cenas de sexo entre os dois são como fogo e gasolina, explosiva. Luke é uma das poucas pessoas com quem Jessica tem apatia e realmente se preocupa em proteger.

Além do relacionamento de Jessica, o foco da série é mostrar a obsessão de Kilgrave pela personagem principal, fato que caiu “como uma luva” em um período que se fala tanto em feminismo e relacionamentos abusivos. Como assim? Estou delirando? Não, porque Jessica até hoje tem traumas deste relacionamento infernal com o vilão. Vale lembrar que este tipo de relacionamento abusivo tem nome: gaslight.

Esta é a segunda lição que a série traz aos espectadores. 

Gaslight é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Jessica até hoje não sabe se os crimes que cometeu em seu passado foram por culpa dela ou do vilão e a série retrata muito bem os conflitos que a heroína possui devido a este tipo de relacionamento.

Jessica Jones e Luke Cage

Jessica Jones e Luke Cage

A terceira lição é que Jessica conseguiu superar este tipo de relacionamento e apesar das tentativas frustradas de Kilgrave, ela consegue ser mais forte que as consequências do abuso. Como se percebe nas inúmeras lutas que tem com o vilão, que inicialmente apenas é mencionado e só aparece depois do terceiro episódio.

A quarta lição é que o abuso pode deixar diversas “cicatrizes”. A heroína, por exemplo, se tornou alcoólatra, amante de sexo selvagem e possui autoestima zero.

Jessica Jones é um ótimo exemplo de série que pode explorar a fundo a psiqué dos personagens, o roteiro aborda bem isso. Apesar das críticas, gostei bastante do seriado que não mostra aqueles clichês de super-heróis e foca na luta pessoal de uma heroína para apagar os demônios do passado.

A maior parte das cenas de ações só aparece nos últimos episódios, o que não deixa a série chata devido à luta dela contra o psicológico de Kilgrave, considerado um dos melhores vilões da Marvel por conta do seu jeito psicopata, sarcástico e controlador.

Apesar de algumas fugas dos gibis, a série ainda consegue mostrar algumas referências, como o uniforme de Jessica e o jeito desbocado da personagem principal.

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