Sicario vende gato por lebre e não agrada

Sicario esteve entre os filmes cotados para concorrer na categoria mais importante da mais visada premiação do cinema americano, o Oscar. Felizmente, a contraditória previsão não se concretizou, uma vez que o filme não tem lá tantos méritos em concorrer em tal categoria.

Sicario narra a história de uma agente da FBI, Kate Marce (Emilly Blunt, a Rita Vrastaki em No Limite do Amanhã) que, após uma emboscada durante uma investida contra um perigoso cartel mexicano nas regiões do Arizona, deixando vários policiais feridos, é chamada para se voluntariar em uma operação para ajudar a caçar e prender o responsável por atrocidades nos EUA, e também no México, e é a partir daí que a história começa a se desenrolar.

Pelos trailers, Sicario parecia um autêntico filme de ação policial, no qual a personagem caçava o bandido para poder fazê-lo pagar pelas atrocidades que cometera e, tecnicamente falando, é isso que acontece. No entanto, o roteiro arrastado consegue estragar a maior parte do filme, e mesclando com os personagens rasos que são apresentado, a película fica quase intragável. Entretanto, ficam como pontos positivos a grande maioria das cenas de ações, muito bem feitas, além da existência de alguns diálogos interessantes entre os personagens.

Kate Marce pode até ser a protagonista do filme, por outro lado são os personagens Alejandro (Benicio Del Toro, Guardião das Galáxias) e Matt Graver (Josh Brolin, Refém da Paixão) que cativam o telespectador por ganharem o título de “policial malvado”. A carisma e a química entre os dois personagens funcionam muito bem, além do peso emocional sob Alejandro ter um passado interessante. Há ainda outras figuras importantes, como o personagem Ted (Jon Bernthal, o Shane de The Walking Dead), que tem pouco tempo de tela, mas tem uma das cenas mais interessantes do filme.

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O roteiro, sem a menor dúvida, é o ponto mais fraco do filme, afetando totalmente a trama e o crescimento dos personagens, tornado-os rasos e na maioria das vezes sem o menor carisma ou peso emocional que fisgue de vez o telespectador, o que é verdadeiramente uma pena, já que a história (se fosse bem contada) seria uma ótima pedida para um fim de semana carente de bons filmes de ação.