Grammy Awards: Daft Punk e Lorde surpreendem em noite de figurões

No último domingo (26), rolou a 56ª edição da entrega dos prêmios Grammy em Los Angeles. A cerimônia teve como apresentador o rapper (e pseudo-ator) Ll Coll J. Eu diria que o maior desafio da premiação é deixar os espectadores acordados. Com um vasto número de apresentações e muitas categorias, assistir ao Grammy Awards é complicado. Enquanto as câmeras procuravam por Taylor Swift, o casal sensação Beyonce e Jay-Z e a irreverente Yoko Ono, três outros nomes iam acumulando prêmios: Daft Punk, Bruno Mars e Lorde.

Pharrell Williams, Daft Punk, Nile Rodgers

Pharrel Williams, Daft Punk e Nile Rodgers fizeram de “Random Access Memories” o álbum do ano

A noite começou logo com uma apresentação de peso, Beyonce cantando “Drunk in Love” ao lado de Jay-Z, uma ótima maneira de se começar a noite, não fosse por um pequeno detalhe. Na primeira vez que ouvi o single da cantora fiquei sem entender ao certo porque cargas d’água Jay-Z enfiou os seguintes versos na música: “I’m Ike Turner, turn up/Baby know I don’t play, now eat the cake, Anna Mae/Said eat the cake, Anna Mae!”. Não se ligou leitor? Explico. Anna Mae Bullock é o nome de Tina Turner, que por anos a fio sofreu violência do marido, Ike Turner. No filme “Tina” (What’s Love Got to Do with It, original) de 1993, há uma cena na qual ele a obriga a comer, dizendo algo como “Now eat the cake, Anne Mae” e quando ela se recusa, o marido a ataca violentamente. Pra uma cantora que prega o discurso “feminista” com canções como “Single Ladies” e “Independent Woman” (ainda dos tempos de Destiny’s Child), achei contraditório, ter versos que se refiram a violência contra mulher de forma gratuita.

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Depois de um casal “ébrio” falando coisas não necessariamente bacanas, veio o primeiro prêmio da noite, o de Artista Revelação. A dupla Macklemore & Ryan Lewis venceu. Pra manter a polêmica, que tava pouca ainda, subiu ao palco a neozelandesa, Lorde. A moça famosa por suas declarações e língua afiada que não poupa as queridinhas da música pop como Selena Gomez, Myle Cyrus e Katy Perry, cantou seu hit, “Royals“. Eu simpatizo com a jovem promessa do pop internacional, mas “haters” de plantão e gente de humor afiado, logo começaram a fazer gifs com a apresentação da moça e eu adorei! Após o show da cantora, um jovem talento chamado Hunter Hayes se apresentou, o garoto desde os cinco anos canta e grava discos e até agora eu ainda não sei quem é, mas prossigamos.

O prêmio de Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo foi entregue ao Daft Punk e Pharrel Williams pela parceria no hit/grude do ano, “Get Lucky”. A parceria rendeu outros prêmios, foram eles: Gravação do Ano por “Get Lucky”, Álbum do ano e Melhor álbum de Música Eletrônica para “Ramdom Access Memories”, contabilizando assim, quatro prêmios. Isso tudo após oito anos sem lançar um disco autoral, mas é bem verdade que eles fizeram uma das trilhas sonoras mais interessantes dos últimos tempos, “Tron: O Legado” (2012), nesse meio tempo. A dupla de DJ franceses, Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter se apresentou pela segunda vez em premiações no Grammy, ao lado de Pharrel, e o lendário guitarrista de funk Nile Rodgers (o cara que fez isso aqui) e o formidável Stevie Wonder, em uma das melhores, senão a melhor apresentação da noite. Pharrel foi escolhido melhor produtor musical do ano. E pra quem tem dúvidas de quem são os homens que estão debaixo do capacete, eis a resposta, aqui.

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A cantora Katy Perry resolveu cantar “Dark Horse” ao melhor estilo bruxa tosca. Entrando no palco em uma bola de cristal, com uma roupinha que nem a gótica com pior gosto usaria, Perry não desafinou, se bem que pode ter sido playback, né? Tratando-se dela, nunca sei. Com direito a pole dance em vassouras, a moça ainda ateou fogo num suposto caldeirão no palco. Haja efeito pirotécnico pra suprir faltas em outros aspectos… Deixa pra lá. Por falar em pop, Bruno Mars faturou o prêmio de Melhor Álbum Pop, “Unorthodox Jukebox”, Rihanna levou o prêmio de Melhor Álbum Urbano e Contemporâneo,”Unapologetic”, seja lá o que isso quer dizer. Durante a cerimônia, Sara Bareilles teve a honra de tocar ao lado de Carole King.

A setentista banda Chicago apresentou-se ao lado de Robin Thicke e eu te digo que não lembrava mais nem de um nem de outro, mas o medley de “Does Anybody Really Know What Time It is?”, “Beginnings’, “Saturday in the Park” e “Blurred Lines” saiu legal. Seguindo o embalo de apresentações interessantes, um dos meus guitarristas favoritos da atualidade, Gray Clark Jr. tocou com (o bofe da Nicole Kidman) o cantor country Keith Urban, “Cop Car“, apesar de um início bem morgado, Clark se soltou no final e fez um solinho de guitarra bacana.

taylor-rabissacaPra completar o pacote infindável de apresentações seguidas, John Legend também tocou “All Of Me“, mas nessa hora eu já estava querendo saber de que horas Paul e Ringo iriam tocar. Mas quando as coisas não podiam piorar, foi a vez de Taylor Swift cantar e gente, adoreeeeei rabissacas e cabeça pra trás ao melhor estilo Gaga de tocar piano. Já que não ganhou prêmio nenhum mesmo, que ao menos fechasse com a cara das inimigas na apresentação, né, Taylor?

Pink fazendo a linha circense, cantou dependurada no tecido acrobático (sim, porque desde que ela aprendeu, agora só rola assim), “Try” e já no chão, “Just Give Me a Reason” com um Nate Ruess (vocalista da banda Fun) um tanto esgoelado e desafinado, mas apesar disso, Pink, ao seu estilo, fez uma apresentação interessante. Na sequência Lorde recebeu o prêmio de Melhor Canção Pop, desbancando Pink, Bruno Mars e Katy Perry e a o novo hino da “gay”, “Same Love” de Macklemore & Ryan Lewis, com participação de Mary Lambert. Essa última canção rendeu um dos momentos mais interessantes da cerimônia, mas vamos falar disso já já. Agora vamos fazer uma pausa para falar da realeza do rock britânico.

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Ringo Starr cantou “Photograph” (canção que fez em parceria com o finado George Harrison), o que não foi muito aprazível aos ouvidos, mas ao menos alguém curtiu, Yoko Ono. Jay-Z com toda sua marra sagrou-se vencedor da categoria de Melhor Colaboração de Rap, pela música, “Holy Grail” ao lado de Justin Timberlake. Kendrick Lamar cantou ao lado dos enfadonhos Imagine Dragons a grudenta, “Radioactive”, a  banda venceu na categoria Melhor Performance de Rock, porque, só Deus sabe! Quando se tem “Kashmir” (versão ao vivo) do Led Zeppelin, “Always Alright” do Alabama Shakes, “The Stars (Are Out Tonight)” do David Bowie, “My God Is the Sun” do Queens Of the Stone Age e “I’m Shakin” do Jack White, resolveram eleger o pior pra premiar, coisas da indústria a fim de promover uma nova banda.

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Paul McCartney e Ringo Starr, remanescentes do quarteto de Liverpool em apresentação no Grammy

Por falar em rock, ao menos a velha guarda do rock and roll foi lembrada e o Led Zeppelin levou o prêmio na categoria melhor álbum de rock com o “Celebration Day” (2012), registro da reunião da banda no O2 Arena em Londres em 2007. O Black Sabath também foi contemplado com um gramofone dourado como Melhor Performance de Metal, por “God is Dead”. Paul McCartney e Dave Grhol e Kris Novoselic (exato, o baixista grandão do Nirvana) abocanharam o prêmio de Melhor Canção de Rock por “Cut Me Some Slack”. Encerrando esse momento rock britânico, Paul e Ringo subiram ao palco pra tocar “Queenie Eye“, música do mais recente álbum do baixista dos Beatles, “New”, o som animou até a Yoko Ono e óbvio, todos aplaudiram de pé.

A nova e a velha geração do country americano também mostraram que ainda se mantêm fortes. Willie Nelson, Kris Kristofferson, Merle Haggard e Blake Shelton cantando, “Okie from Muskogee”. Pra surpresa de muitos, Taylor Swift não levou o prêmio de Melhor Álbum Country do ano, que foi para  “Same Trailer Different Park” de Kacey Musgraves. A moça também levou o prêmio de melhor canção de country, “Merry Go ‘Round”. Outra grande apresentação foi a do Metallica com o pianista chinês Lang, Lang,  juntos tocaram um dos maiores hits da banda de São Francisco, “One”, logo após uma singela homenagem feita por Jared Letto a um dos grandes nomes da música e do rock, Lou Reed, que morreu ano passado.

Depois da apresentação do Daft Punk, Pharrel, Nile Rodger e Stevie Wonders juntos, só mesmo a de Mackelmore e Ryan Lewis, com participação de Mary Lambert e Madonna para efetivar a noite. Queen Latifah foi a juíza de paz em um casamento coletivo de casais gays, heteros, jovens ou não ao som de “Same Love” e como reunião de muitos gays pede uma diva bate cabelo, Madonna deu o ar da sua graça, só pra dizer que ainda manda no pedaço. Mas ironias à parte, foi um dos momentos mais emocionantes e interessantes da noite.

E pra fechar a noite, os organizadores da cerimônia resolveram fazer a alegria dos roqueiros alternativos de plantão e colocaram o Nine Inch Nails pra tocar junto com o Queens Of The Stone Age e de quebra, Dave Grhol e Lindsey Buckingham, do Fleetwood Mac, na bateria e na guitarra, respectivamente, tocando “Copy of A” e “My God Is the Sun”. E pela união dos poderes de gente que gosta de treta, cortaram o show e Trent Reznor (NiN) só não chamou a galera da organização da cerimônia de santo. Ah, premiações de música, o que seria delas sem o ego de seus músicos e as tretas, não é mesmo?

Confira a lista completa dos vencedores aqui.

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