Guia Pervetido do Cinema: Elles, filme erótico francês com Juliette Binoche

Não. Não é sobre o documentário “Guia Pervetido do Cinema”, com o filósofo Slavoj Zizek. Só roubei o nome, para intitular essa nova coluna n’O Chaplin. A coluna abordará o erotismo, nudez, sexo e tudo mais no cinema. Para começar, vamos a França.

A cena: um homem de pé mija numa jovem moça nua, que está de cócoras, e enquanto isso acontece, ela acaricia os próprios seios instantemente. Depois, eles estão sentados no sofá, ele nu com um violão tocando e cantando uma música para ela,que também canta.Eu adorei essa sequência. E você? Veria esse filme?

A diferença entre erotismo e pornografia pode ser grande, dependendo da bagagem intelectual de um leitor ou espectador. “Elles”(2011), o filme que possui essa incomum cena, é um filme erótico, mas também um drama, um drama sobre a profissão mais antiga do mundo.

Charlotte com um cliente

A garota é Alicja, uma jovem prostituta polonesa, que tenta a vida em Paris. Ela conta essa história a Anne, uma jornalista que está escrevendo um artigo sobre jovens estudantes na prostituição na capital francesa. Anne também entrevista outra prostituta, Charlotte. Ela é uma meiga garota parisiense, mas na cama… Um amigo meu, que assistia ao filme comigo no cinema, disse que olhando para ela, não dava para imaginar que ela era assim na cama. A garota é protagonista de várias cenas explícitas, uma que inclui uma garrafa…

As cenas de sexo, masturbação e nudez são um dos grandes atrativos do longa. Muito bem feitas, e geralmente filmadas em um plano só, quando não, com pouquíssimos cortes, e evitando clichês, pois mostra o que tem que ser mostrado, sem pudor.

 

Binoche, como a jornalista Anne

Mas o filme não tem só isso, essas cenas não estão simplesmente jogadas. Anne não consegue se comunicar com os homens da sua casa, seus dois filhos, e seu marido.As próprias prostitutas tem os seus problemas. O filme narra fragmentos das vidas dessas três personagens, vamos passar um tempo com elas, mas é só, sem grandes epifanias, sem revelações. A personagem que mais muda é a jornalista, que é brilhantemente interpretada por Juliette Binoche. Em uma cena, onde ela entrevista uma das garotas, Binoche faz perguntas, mas a garota não responde, não há cortes, a câmera continua na Binoche, ela faz outra pergunta, sem resposta, a câmera continua na Binoche, e de novo. Essa escolha estética faz a câmera captar todas as nuances da performance da Binoche. Palmas para ela e para a diretora do longa, a polonesa Malgorzara Szumowska. Esse é o primeiro filme que vejo dessa diretora, com certeza irei procurar outros longas dela.

 

Alicja

Outra ótima cena de Binoche é quando ela está se masturbando, mas a cena não é explicita (pena). No longa, só temos uma pequena cena de nudez da Binoche, e podemos ver seus seios rapidamente em uma outra cena (pervertido? eu? Esse é o nome da coluna). Pois bem, voltando a cena da masturbação, após ela concluir o ato, começa a chorar.

Binoche com a prostituta polonesa

Mesmo o filme sendo de 2011, eu tive a oportunidade de vê-lo no cinema essa semana. Se estiver em cartaz na sua cidade também, não perca a chance de ver na tela grande.

P.S. : Já escrevi aqui n’O Chaplin a respeito de  outro material erótico, foi sobre a HQ Bórgia, que traz o desenhista Milo Manara. Assim como o filme “Elles”, a HQ traz um material erótico de grande qualidade.