Sofia Coppola filmando Em Qualquer Lugar

Olhe, para começo de conversa, eu gostaria de falar o quanto eu estou descontente após a pesquisa para escrever esse post. Motivo? Me dei conta de que se há uma área cultural em que as mulheres ainda são minoria deprimente e quase insignificante frente à produção masculina é o cinema. Mas a coisa tá mudando. Vai mudar. Nem que eu mesma tenha que ganhar um Oscar. O que seria uma façanha realizável apenas em um filme. Nem que eu escreva um roteiro em que eu ganhe um Oscar. Ponto.

Mas voltando para o assunto, esse post tem a intenção de homenagear algumas cineastas/diretoras que fizeram história nessa indústria de sonhos (e realidades) até pouco tempo tão restrita. E claro, aproveitamos a ocasião do Dia Internacional da Mulher. Fiz uma listinha de cinco delas, variando entre afinidade que tenho ou importância de seus feitos cinematográficos mesmo.

Kathyn Bigelow recebe o Oscar em 2010

Vou começar com Kathryn Bigelow. Não sabe quem é ela? Eu explico: ela é a única (é você leu bem), repito, a única mulher desde 1928, quando a premiação do Oscar foi iniciada, a ganhar um Oscar de Melhor Diretor. E isso aconteceu em 2010, com o filme Guerra ao Terror (2009). Bigelow bateu Tarantino, com Bastardos Inglórios, e ainda deixou o ex marido, James Cameron, e seu polêmico Avatar com a cara na poeira, já que Cameron também estava concorrendo na categoria.

Kathryn tem 60 anos (com cara de 48), é americana, e não tem um currículo muito extenso. Além de Guerra ao Terror, ela assina a direção dos filmes Caçadores de Emoção (1991), Estranho Prazeres (1995) e Tempestade no Mar (2000).

Contudo, nem só de Oscar vive o cinema e, como uma opinião pessoal, o BAFTA, o César e o Cannes contam muito mais. E a neozelandesa Jane Campion levou para casa a Palma de Ouro desse último em 1993, com o chocante e bem-recebido O Piano. O filme é neozelandês e australiano, já que o maior investimento para cinema da Nova Zelândia vem da Austrália. Peter Jackson que o diga. O Piano recebeu prêmios em todos os maiores festivais de cinema do mundo e, além da Palma de Ouro do Cannes, levou também o prêmio de Melhor Filme no César (França).

Jane Campion

Campion também é conhecida por dirigir o suspense de 2003, protagonizado por Meg Ryan e Mark Ruffalo e produzido por Nicole Kidman, Em Carne Viva. E ela mostra que não é mesmo americana quando escracha uma cena de sexo oral nas telonas nesse filme.

Outra cineasta a quem quero homenagear (e não me chamem de nazista por isso) é a pioneira e talentosa Leni Riefenstahl. Também não sabe quem é essa? Ok, muita calma nessa hora. Leni é alemã e fez propaganda nazista para Hitler. Mas pera aí, não joguem pedras ainda. Embora ela tenha sido muito criticada pós-Segunda Guerra Mundial, hoje é aclamada como pioneira em várias técnicas cinematográficas e sobretudo renomada por sua estética em cinema de propaganda.


Leni

Leni começou como atriz. Admirada com a Sétima Arte, que era novidade ainda naquele tempo, ela começou a dirigir alguns curtas. Fez seu primeiro filme para Hitler em 1932, mas sua “obra prima” só veio em 1935, quando gravou o longa O Triunfo da Vontade, um longa-metragem bastante convincente sobre o partido nazista com ênfase na figura de Hitler. Como a maioria dos filmes de propaganda política só surgiram por volta de 1940, Leni foi praticamente pioneira no uso do cinema com esse propósito. Não se utilizava de offs ou montagens que induzissem o espectador a imaginar uma realidade diferente. Ela gravava o que de fato acontecia, podendo serem os filmes classificados como documentários. Após a Guerra, Leni passou um tempo presa, foi exilada da indústria cinematográfica, mas depois apaixonou-se pelo mar e voltou a dirigir e fotografar filmes sobre o tema. Tudo bem que seus fins não eram tão nobres (e Deus sabe se ela tinha conhecimento disso), mas a Sétima Arte muito deve a essa mulher e sua técnica.

Sim, Andressa, só tem gringa aí. E as brasileiras? Confesso que fiquei muito em dúvida em quem escolheria para esse posto. Mas minha dúvida, infelizmente, foi somente entre duas cineastas: Laís Bodanzky e Carla Camurati. Me decidi por Laís Bodanzky por afinidade com seus filmes, embora também adore o satírico Carlota Joaquina de Carla Camurati.

 

A brasileira Laís Bodanzky

Bodanzky tem 43 anos e estudou cinema antes de ir para trás das câmeras. Já dirigiu curtas-metragem, um documentário e longas. Seu filme mais comentado e premiado é Bicho de Sete Cabeças (2001), que traz Rodrigo Santoro na pele de um adolescente drogado e sua batalha individual e social. O filme envolve temáticas como drogas e preconceito. Além de Bicho de Sete Cabeças, a brasileira ainda é conhecida por títulos como Chega de Saudade (2008) e o recente As Melhores Coisas do Mundo (2010) e sinto que ainda muito ouviremos falar dela.

Para finalizar a lista, apelo para a princesinha da Sétima Arte, filha do ilustre Francis Ford Coppola, Sofia Coppola. Sofia é minha cineasta favorita, embora ainda um tanto imatura e jovem. Muitos a acusam de pegar carona no talento do pai, mas verdade seja dita: qualquer um pegaria no lugar dela. Além de que, ela tem brilho e talento próprio. A influência do pai nada mais é que um pilar para que a garota possa produzir seus próprio trabalhos.

Sofia Coppola tem filmes tom pastel

Ela é americana e tem 40 anos. O seu primeiro longa foi As Virgens Suicidas (1999), que trazia alguns adolescentes como protagonistas. Entre eles, a parceria eterna de Sofia, Kirsten Dunst, e ainda Josh Hartnett e A.J. Cook. Nesse primeiro filme, a diretora ainda se mostra um tanto imatura, mas o roteiro denuncia tanto suas origens quanto suas intenções. Ela não é convencional. Depois de As Virgens Suicidas, vieram Encontros e Desencontros (2003), uma versão peculiar e encantadora de Maria Antonieta (2006), também com Kirsten Dunst no papel principal, e mais recentemente, Um Lugar Qualquer (2010), com a garota prodígio Elle Fanning. A cada produção, Sofia amadurece e refina seu produto. Foi indicada ao Oscar de Melhor Direção por Encontros e Desencontros. E espero que não demore até que ela ganhe, de fato, um.

Essas são as Heroínas da Sétima Arte que selecionei. E por que não chamá-las assim? Antes as mulheres por trás de grandes e relevantes produções culturais que as “big sisters”, concordam?

À propósito, mulheres, a luta não acabou. Está só começando. Não é porque podemos trabalhar e votar que já devemos ficar despreocupadas. O cinema prova que há áreas em que a igualdade de gênero ainda não chegou. Vamos lutar por essas!

2 Responses

  1. Avatar
    ANTONIO NAHUD JÚNIOR

    Oi, amiga, você se esqueceu de algumas diretoras fundamentais: Dorothy Arzner (talvez a primeira a fazer sucesso),Ida Lupino (seus filmes são sensacionais) e a brasileira Carmen Santos.
    Tudo de bom,

    Responder

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