“Histórias abertas”, novo filme de Carito Cavalcanti, impulsiona circuito de cinema alternativo de Natal

Desde 2013 o cineasta potiguar, Carito Cavalcanti, vem trabalhando em seu mais novo filme, o média-metragem “Histórias Abertas”. Ele conta que o processo se deu de forma homeopática e aleatória. “As histórias foram aparecendo e eu as fui registrando, quase ao acaso, de forma espontânea”, conta Carito.

12166958_10153624889399898_609245220_n

 O filme é totalmente metalinguístico e tem poemas de Renata Marques e Regina Azevedo, performances do Desvio Coletivo e Cruor Arte Contemporânea e músicas que também contam histórias, como “Bolero dos Últimos Dias” de Valéria Oliveira. “Alguma coisa me levou às histórias, que são contadas de forma convencional ou não. […] As histórias se abrem, em fragmentos diversos, em uma colagem de subjetividades”, comenta o diretor.

Conversamos com Carito para saber mais sobre o filme e seu trabalho.

O CHAPLIN: Como surgiu, de fato, a ideia de fazer “Histórias Abertas’’?

As histórias foram aparecendo para mim de várias maneiras. Elas foram se abrindo de forma espontânea. Fui me interessando por elas, e tive a ideia de juntá-las em um filme. Acho que a vida está cercada de histórias, de pessoas anônimas ou famosas, de histórias contadas de várias formas. De repente estavam ali ao meu redor. Tudo é tão importante, dependendo do olhar, do sentir. Fiz recortes da vida ao meu redor. E achei interessante juntar histórias que a princípio não têm nada haver entre si, mas quando você as junta percebe que é a vida ali pulsando.

O CHAPLIN: Você mencionou que o filme foi feito ao longo de três anos, sem pressa. Como foi o roteiro? Tudo estava planejado desde o início ou foi se desenrolando ao longo do tempo?

Foi se desenrolando ao longo do tempo. O acaso contou muito para esse filme. O filme aos poucos ficou cheio de histórias. Tive que escolher algumas, já que era um curta. Guardei outras para quem sabe um “Volume 2”, mas mesmo escolhendo algumas, o editor, Levi Herrera, percebeu durante a montagem que ia ficar complicado fazer um curta. Todo o material e o próprio roteiro que eu fiz pediam um média-metragem. Mesmo sabendo esse formato tem muitas dificuldades de penetração, visibilidade e circulação, resolvi que ia ser um média mesmo para não prejudicar o filme, pensando no que seria melhor para o filme em termos de obra. Levi e eu vimos que o filme precisava respirar, ter um tempo menos agoniado, para que a intensidade das histórias pudesse ser respeitada e a obra pudesse pulsar enquanto cinema.

O CHAPLIN: O filme é bem metalinguístico, certo? Tem poemas, performances, músicas… De que forma você buscou dirigir os artistas que participam?

Gosto muito de um pensamento do diretor Abbas Kiarostami que diz que a função de um diretor é a de provocar situações. Muitas vezes dirijo assim, provocando, e percebendo de que maneira cada pessoa pode melhor contribuir para o filme, deixando-a à vontade, buscando deixar o set tranquilo. Gosto quando parece que não é um set, que não estamos filmando, com uma equipe mínima, nesse caso, na maioria das vezes, praticamente eu e cada pessoa que estava sendo filmada. O roteiro para mim é apenas um ponto de partida. Muita coisa foi sentida na hora, percebida ali, o próprio processo foi mostrando caminhos.

Hoje na medicina se faz muitas cirurgias por laparoscopia, que é um processo menos invasivo. Sei que só a presença da câmera muitas vezes já incomoda, mas o fato de se poder filmar hoje, profissionalmente com câmeras menores, associado a essa metodologia alternativa que citei, faz com que a filmagem seja uma espécie de cine-laparoscopia, menos invasiva. Uma vez uma atriz me disse: “parece que a gente nem tá filmando, parece que não preciso fazer nada”.

Apesar do caráter experimental do filme, onde busco fazer investigação de linguagem, não deixa de ser um documentário. E cada história mostrada no filme teve também sua história de filmagem. Não houve uma regra única. Tanto aconteceu história com planejamento quase como num filme de ficção, como aconteceu de eu estar com a câmera no momento em que a história estava se revelando e eu aproveitei o momento.

O CHAPLIN: Como você enxerga o audiovisual natalense no atual momento?

Filme potiguar no Festival de Gramado – “Sêo Inácio (ou o Cinema do Imaginário)” de Hélio Ronyvon arrasando aí, só para citar um. Estamos produzindo mais e melhor. Filmes, festivais, cursos, oficinas… Tem o lado das dificuldades, da falta de apoio oficial, mas o setor audiovisual cresceu muito nos últimos anos. Vamos que vamos, viva o cinema de guerrilha!

SERVIÇO:

Lançamento do filme ”Histórias Abertas”

15/10, quinta, às 19h
Auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN)
Cidade Alta
O evento é gratuito
Acesse a fanpage do evento aqui 

Assista ao trailer:

Deixe um comentário

Your email address will not be published.