“Chaplin não foi apenas ‘grande’, ele foi gigantesco. Em 1915, ele estourou um mundo dilacerado pela guerra trazendo o dom da comédia, risos e alívio enquanto ele próprio estava se dividindo ao meio pela Primeira Guerra Mundial. Durante os próximos 25 anos, através da Grande Depressão e da ascensão de Hitler, ele permaneceu no emprego. Ele foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres humanos quando eles mais precisavam.”

Charles Chaplin

E é com essa resenha de Martin Sieff retirada do seu livro intitulado Chaplin: A Life, que começamos mais um Ícones, desta vez nosso patrono, Charles Chaplin, será nosso homenageado.

 

Nascido no dia 16 de abril 1889, em um subúrbio de Londres, Charles Spencer Chaplin era filho de pais artistas; seu pai, Charles Spencer Chaplin Sr., era cantor e ator, e sua mãe, Hannah Chaplin, cantora e atriz. Sua família era pobre, seu pai os largou pouco depois de seu nascimento, sua infância foi marcada por idas e vindas à orfanatos junto ao seu irmão, já que sua mãe era mentalmente instável e não pode criá-los; foi nesse cenário que Charles Chaplin deu seus primeiros suspiros no mundo das artes fazendo, desde os 5 anos de idade, apresentações de ruas  junto ao irmão. Largou a escola logo cedo dedicando-se a mímica, o que o fez ser descoberto nas ruas de Londres por William Jackson, fundador da trupe Oito Rapazes de Lancashire.

Charles Spencer Chaplin, o eterno Carlitos

“Um dia eu estava imitando os trejeitos dos árabes – tão comuns nas ruas de Londres – quando vi um homem me observando intensamente. Eu o ouvi dizer: ‘O garoto é um ator nato!’, e depois ele me perguntou: ‘Você quer ser ator?’. Eu mal sabia o que era um ator naquele tempo, embora minha mãe e meu pai estivessem no palco do music hall há anos. Porém, qualquer coisa que prometesse trabalho e a recompensa pelo trabalho era uma maneira de sair do buraco onde eu estava, e era muito bem-vindo. Eu acedi à tentação, e alguns dias depois eestava fazendo minhas apresentações nos subúrbios de Londres, junto com uma trupe de artistas do teatro de variedades conhecida como Oito Rapazes de Lancashire.”

Porém, em 1901 abandona a companhia para fazer pequenos serviços como entregador, mensageiro, empregado doméstico e comerciante, mas claro, sem perder as intenções por sua carreira artística. Apoiado por Sidney, seu meio-irmão, foi contratado para interpretar o mensageiro Billy numa peça de Sherlock Holmes. Em 1907, no entanto, sua carreira tomou um rumo decisivo sendo contratado pela companhia Os Comediantes Silenciosos de Fred Karno, e 1910 parte junto com a trupe para os Estados Unidos, onde se estabeleceria.

Trupe Os Comediantes Silenciosos de Fred Karno

Foi nos Estados Unidos que Charles Chaplin se juntou aos Estúdios Keystone, em Nova Iorque. Sua primeira aparição nas telonas aconteceu no ano de 1914, em Carlitos Repórter, personagem de autoria própria, retratava um vagabundo usando fraque esfarrapado com alma e jeito de cavalheiro. Em 1918 criou seu próprio estúdio, o United Artists, junto a Douglas Fairbanks, Mary Pickford e D. W. Griffith (outros grandes nomes do cinema mudo). Permaneceu sócio até 1952 e assim tornou-se a primeira, e provavelmente a única pessoa a controlar todos os setores da produção cinematográfica. A partir dai Chaplin não pararia sendo sua filmografia composta por 81 títulos, ficando mundialmente conhecido por seu humor pastelão em O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Chaplin e Jackie Coogan em The Kid

Embora conhecido pelos vários casamentos no decorrer da carreira, foi com a jovem Oona O’Neill, na época com apenas 17 anos, que Chaplin, aos 54 anos, resolveu “aquietar-se”. Oona deu à luz oito filhos do comediante, o que o deixou imensamente contente. Após ser expulso dos EUA, Chaplin vai viver na Suiça com Oona até o fim da sua vida, tendo morrido no Natal de 1977, aos 88 anos de idade. Contudo, voltou aos Estados Unidos cinco anos antes de sua morte para receber um Oscar Honorário por efeitos incalculáveis de suas obras à arte do século. Chaplin e a Academia tinham uma rixa pessoal, tendo ele sempre desprezado os prêmios Oscar e, em decorrência disso, muitos de seus trabalhos mais elogiados foram igualmente ignorados pela Academia. Apesar disso, a entrega de seu prêmio honorário em 1972 foi responsável pela mais longa ovação em pé da história do cinema, calculada em dez minutos. O episódio recebeu atenção especial na cinebiografia de Chaplin de 1992, do diretor Richard Attenboroug.

Curiosidades:

 

Estrela como tal, Chaplin teve sua vida e carreira marcadas por excentrcidades e nós escolhemos as mais peculiares a se citar. São elas:

 

Sua avó também deixou seu marido após pegá-lo em uma situação constrangedora com outro homem.

 

Chaplin já fumou maconha e fez uso de cocaína, mas, enjoado, largou os vícios.

 

Dividiu um quarto de pensão com o também célebre britânico Oliver Hardy, da dupla O Gordo e O Magro.

Seu cadáver foi roubado por um pequeno grupo de mecânicos suíços, na tentativa de extorquir dinheiro de sua família. O plano falhou, os ladrões foram pegos e condenados, o corpo foi recuperado onze semanas depois, perto do Lago Léman, e novamente enterrado em Corsier-sur-Vevey, mas desta vez a família mandou fazer um tampão de concreto de 6 pés (1,80 metro) de espessura protegendo o caixão do cineasta, para evitar novos problemas. No mesmo cemitério, há uma estátua de Chaplin em sua homenagem.

Há quem diga que participou de um concurso de sósias de si mesmo, e conseguiu o incrível terceiro lugar na competição.

 

Na famosa cena de The Kid, em que o garotinho chora, foi preciso que Charlie gritasse e ameaçasse tirá-lo do filme para que enfim o garoto conseguisse chorar.

 

Tinha nojo de leite e era avesso a materiais feitos com borracha.

Quando estava em processo de criação, Chaplin tomava até 9 banhos por dia e ficava o tempo todo andando de lá para cá.

Fontes:ROBINSON, David. Chaplin – Uma biografia definitiva

3 Responses

  1. Avatar
    Anonymous

    Que bom ,alguém se preocupou em contar a história desse Genial artista,fiquei super feliz.

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