Jack, O Caçador de Gigantes: releitura de clássico infantil tem roteiro eficiente e elenco comprometido

A leva dos blockbusters baseados em contos infantis não para de aumentar e dessa vez, foi a hora da história de João, o do pé de feijão, virar adaptação nas produtoras hollywoodianas. Contudo, ao contrário das outras que têm surgido, como “João e Maria – Caçadores de Bruxas”, por exemplo, “Jack – O Caçador de Gigantes”, o mais novo espetáculo audiovisual do diretor espalhafatoso Bryan Singer, respeita as origens massificadas do conto e é direcionado, principalmente, ao público infantil. O que não significa que não possa ser um bom passa-tempos para os adultos não carrancudos.

Nicholas Hoult é o protagonista, Jack

Já no prólogo do filme identificamos que os roteiristas Christopher McQuarrie, Darren Lemke e Dan Studney tiveram liberdade para devanear à vontade pela história de Jack, que de copiada só tem mesmo os feijões e as origens humildes do personagem principal, interpretado por Nicholas Hoult. O ator, convém dizer, tem mostrado ter um faro para pesar produções e vem escolhendo blockbusters que lhe darão nome e que não serão um completo fracasso de aceitação. Hoult faz um Jack sonhador, curioso, um tanto medroso, mas muito inteligente e cuidadoso. Como todo heroi modelo, Jack também é honesto, leal e apaixonado pela princesa da história, Isabelle, interpretada pela jovem atriz inglesa Eleanor Tomlinson.

No filme, os gigantes adquirem um perfil maligno e feições desagradáveis

Isabelle é destemida e ansiosa por aventuras, e acaba sendo o fator estopim de todo o desenrolar da narrativa quando, presa na casa da Jack, acaba sendo levada por um pé-de-feijão gigante ao espaço paralelo entre terra e céu, onde habitam os gigantes. A partir daí, monta-se uma expedição composta por homens de confiança e guerreiros do rei para ir em busca da princesa e futura rainha. Jack, obviamente, acompanha o grupo, munido apenas de sua coragem, alguns feijões restantes, e o desejo de reencontrar a princesa, por quem já estava apaixonado.

“Jack – O Caçador de Gigantes” não é a primeira extravagância de Bryan Singer. O seu currículo alega a assinatura do diretor em produções do naipe da franquia X-Men (2000, 2003 e 2011), Nêmesis (2002) e Superman – O Retorno (2006). Portanto, o bem-treinado Singer não poderia mesmo fazer um estrago com “Jack”. Munido de um roteiro infantil, fantasioso e simples, mas bastante agradável e amarrado, o diretor soube como escolher o seu elenco com prudência e acrescentar uma porção de efeitos visuais que tornaram impossível ao filme ficar tedioso.

Ewan McGregor como Elmont

O elenco pareceu comprar a ideia do filme. Os mais novos (Hoult e Tomlinson) se enquadraram bem nos papeis do camponês e da princesa. Os mais experientes, representados aqui por Ewan McGregor (o nobre Elmont) e Ian McShane (o rei), vestiram a carapuça de uma produção mais descontraída e desenvolveram igualmente bem os personagens que lhes foram designados. Devo chamar atenção também para o núcleo responsável pelos gigantes, outro aspecto do filme muito bem feito, desde os movimentos do corpo até as expressões faciais. De uma forma geral, o elenco não está genial, como nada no filme, na verdade, mas funciona bem.

Nicholas Hoult e Eleanor Tomlinson no set de filmagem de uma das cenas finais do filme

Outro ponto que merece destaque na produção é a direção de arte, que não permitiu nem a falta nem o excesso de uma tonalidade. Bem distribuídas, as cores chamam ainda mais a atenção para os personagens e para o cenário que, embora montado quase completamente em estúdio, é digno de aplausos. O figurino também causa simpatia, por não fazer questão de ser fiel às vestimentas tradicionais da época, e nem passar a impressão de ridículo. Eu o chamaria de excêntrico.

Preciso admitir que sou completamente encantada por boas histórias fantasiosas, sejam elas infantis ou não. “Jack – O Caçador de Gigantes” também tem o indispensável lado moralista, maniqueísta e romântico, cai no lugar-comum, é verdade, mas nem por isso se torna menos encantador. Quanto ao desfecho da história, é chichê e esperado, mas também desejado. Sendo assim, ninguém poderá condenar a narrativa pela falta de originalidade.

Compartilhe

Andressa Carvalho
Jornalista, cinéfila incurável e escritora em formação. Típica escorpiana. Cearense natural e potiguar adotada. Apaixonada por cinema, literatura, música, arte e pessoas. Especialista em Cinema (UFRN) e Literatura, Artes e Filosofia (PUCRS).
Andressa Carvalho

Andressa Carvalho

Jornalista, cinéfila incurável e escritora em formação. Típica escorpiana. Cearense natural e potiguar adotada. Apaixonada por cinema, literatura, música, arte e pessoas. Especialista em Cinema (UFRN) e Literatura, Artes e Filosofia (PUCRS).

Postagens Relacionadas

f4819caa3eebf26f8534e1f4d7e196bc-scaled
"Imperdoável" tem atuações marcantes e impacta com plot twist
Se um dia Sandra Bullock já ganhou o Framboesa de Ouro, após “Imperdoável” (Netflix, 2021),...
1_4XtOpvPpxcMjIoKGkUsOIA
Cobra Kai: nostalgia ao cinema dos anos 80
A saga Karatê Kid se tornou um marco memorável aos cinemas durante os anos 80. A série de filmes conta...

Deixe uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Revista Pagu
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.