Lista: 10 personagens de filme jornalistas

7 de abril: Dia do Jornalista. A data de hoje é uma que não podemos deixar passar, pelo fato de que metade dos colaboradores deste blog são (ou serão) jornalistas. Então, resolvemos preparar uma lista de dez famosos jornalistas do cinema para homenagear a profissão e aos cinco periodistas que compõem o nosso corpo de blogueiros. A lista envolve tipos profissionais variados, bem como gêneros e anos de filmes diversos, e foi montada de forma colaborativa pelos escritores deste blog. Vamos conhecê-los, então?

Veronica Guerin (O Custo da Coragem, 2003)

Veronica Guerin (Cate Blanchett) é aquele tipo de jornalista que acredita em conto de fadas, Papai Noel, Coelho da Páscoa, e que tem certeza que vai mudar o mundo, principalmente se for transparente e honesta apurando as maiores sujeiras dos piores tipos imagináveis. Bem, não posso dizer que ela esteja errada em pensar assim, mas tal ideologia custou-lhe a vida. Isso não é um spoiler do filme irlandês “O Custo da Coragem” (Joel Schumacher, 2003), pois a narrativa baseou-se em uma história real. Cate Blanchett está incrível no papel e o filme nos prende e surpreende. Cá para nós, apesar de quase sempre se dar mal, o tipo de repórter de Veronica é meu favorito. Talvez seja até o tipo que imito, com um pouco menos de emoção.

Charles Kane (Cidadão Kane, 1941)

Assis Chateaubriand e Roberto Marinho curtem isso. O tipo de Charles Foster Kane (Orson Welles) é o do jornalista empresário. Aqueles que, mais do que nenhum, vêm a informação como produto e enxergam cifrões nas entre-linhas das matérias. Kane é dono de um monopólio de veículos de comunicação e a forma como conduz o trabalho influencia em sua vida pessoal e a sua sanidade. Charles Kane é personagem do filme norte-americano Cidadão Kane, dirigido por Orson Welles. A película figura as principais listas de melhores filmes já feitos e conta a lenda que foi baseado na história de um magnata da comunicação estado-unidense, embora o diretor nunca o tenha admitido.

Lowell Bergman (O Informante, 1999)

Em “O Informante” (1999), Al Pacino interpreta um jornalista real, Lowell Bergman, famoso produtor do programa americano 60 Segundos. O filme foca na relação de jornalista e fonte, fonte esta que tem muito a perder se falar. Bergman é o lider dessa perigosa investigação jornalistica contra a industria do tabaco, que pode ate causar o fechamento da emissora. Bergman é um personagem que vai a fundo na investigação, colocado-a acima de tudo, por essa determinação ele figura nesta lista.

Carl Bernstein e Bob Woodward (Todos os homens do presidente, 1976)

Esses dois são da turma dos personagens baseados na vida real. O caso Watergate, que levou à renúncia do então presidente americano Richard Nixon, é famoso e carta marcada e indispensável nos cursos de Jornalismo. Jornalista que é jornalista já ouviu falar desses dois. Fazem a linha jornalistas perfeitos. Além de terem faro para a notícia, ainda são cautelosos, pacientes, corajosos, discretos, respeitam a fonte e, de quebra, conseguem furos. Em “Todos os homens do presidente” (Alan J. Pakula, 1976), os destemidos e talentosos Carl e Bob são interpretados com maestria por Dustin Hoffman e Robert Redford.

Andie Anderson (Como perder um homem em 10 dias, 2003)

Kate Hudson é a responsável por interpretar a jornalista Andie Anderson, feminista e um tanto fútil, cuja maior preocupação é entregar a tempo uma matéria que narra os passos para livrar-se de um homem no prazo de dez dias. Contudo, a sua vítima é Ben Barry (Matthew McConaughey), um publicitário que aposta que consegue fazer uma mulher apaixonar-se por ele nos mesmo dez dias que Andie tem para livrar-se dele. Andie não é um tipo de jornalista muito agradável, visto que está disposta a brincar com os sentimentos de outra pessoa apenas para conseguir o seu texto. É o tipo cronista sentimental complexada, mas que faz a alegria das leitoras de domingo. Como já deu para notar pela sinopse, o filme é uma comédia romântica e tem direção de Donald Petrie, trazendo, além da guerra dos sexos, uma rincha antiga entre jornalistas e publicitários através dos personagens principais.

 Marcello Rubini (A Doce Vida, 1960)

Marcello Rubini (Marcello Mastroiani), é um garboso e mulherengo jornalista especializado em histórias sensacionalistas sobre estrelas de cinema, visões religiosas e a aristocracia decadentes. Responsável pela cobertura da a visita de Sylvia Rank (Anita Ekberg), atriz hollywoodiana, à Roma, Rubini se vê encrencado ao se encantar pela beleza da atriz.“A Doce Vida” (1960) dirigido por Federico Fellini, traz diversos aspectos simbólicos e de crítica ao sensacionalismo, como o caso da visão da virgem Maria no subúrbio da cidade, que desencadeia uma série de acontecimentos que torna a vida do jornalista, Marcello, ainda mais caótica e instável.

Edward R. Morrow  (Boa Noite e Boa Sorte, 2005)

 

 

Edward R. Morrow (David Strathairn) é um jornalista de coragem. O âncora da rede de televisão CBS, entra em confronto com o senador Joseph McCarthy ao expor e mostrar-se contrário às atrocidades éticas cometidas por McCarthy em nome da proteção da integridade do sistema político e econômico do Estado americano. Sendo assim, Morrow passa a ser vigiado, cada palavra, atitude e ação sua é meticulosamente analisada pelo senador. Vale lembrar que o jornalismo tradicional norte-americano, tal como o brasileiro, é, em sua maioria, noticioso, isto é, os jornalistas e âncoras não se permitem opinar. Para Morrow era preciso ir além das notícias e se posicionar diante a situação e não fazer vista grossa. A trama que se passa no final da década de quarenta e início da década de cinquenta mostra a guerra fria e a caça as bruxas que os EUA viviam, sob a ótica do jornalismo. “Boa Noite e Boa Sorte” (2005) foi escrito e dirigido pelo eterno galã de Hollywood, George Clooney.

Paul Kemp (Diário de Um Jornalista Bêbado, 2011)

 

Paul Kemp é um insólito e bêbado jornalista do The San Juan Star de Porto Rico, que larga a vida agitada em Nova York pelas paradisíacas praias de águas mornas da costa caribenha. Kemp logo se envolve com o marasmo do lugar e passa a viver de rum, praias e escrever matérias positivas sobre grandes feitos e obras de empresários locais. O personagem é um dos alteregos do polêmico jornalista Hunter S. Thompson, que além “O Diário de Um Jornalista Bêbado”, também teve outra obra sua adaptada para as telonas: “Medo e Delírio em Las Vegas” (1998). Ambos os personagens foram interpretados pelo amigo do jornalista, Johnny Depp.

John Reed (REDS, 1981)

John Reed foi um importante jornalista norte-americano, famoso por coberturas de causas trabalhistas e da primeira guerra. Sua obra máxima é “Dez Dias que Abalaram o Mundo”. Militante da causa comunista, Reed foi até a Rússia cobrir a reunião do partido Bolchevique que deu origem a Revolução Bolchevique, um dos acontecimentos mais importantes da história do século XX. Sendo uma das primeiras grandes mobilizações operárias, quando nasceram os conselhos operários, que reapareceriam em 1917. Reed presenciou a tudo e relatou em primeira pessoa tudo que vivenciou na Rússia, ao lado de sua esposa, Louise Bryant. Reed e Bryant ficaram eternizados por Warren Beatty e Diane Keaton que interpretaram o casal no longa “Reds” (1981).

Megan Carter (Ausência de Malícia, 1981)

A personagem da veterana Sally Field no filme estado-unidense “Ausência de Malícia” (Sydney Pollack, 1981) é uma jornalista ambiciosa, que ainda não decidiu o que pesa mais em sua vida: o caráter e a ética ou as conquistas profissionais. Megan Carter apela para meios condenáveis e age, por vezes, de forma pouco decente a fim de conseguir a matéria. O que ela não esperava é envolver-se emocionalmente com a fonte que ela tenta manipular, atitude igualmente anti-ética, convém dizer. Nesse filme, também nos deparamos com a pseudo-autonomia do jornalista, que parece ter suas informações sob controle, e acaba por esquecer que, acima dele, tem alguém que também lhe manipula.