"João e Maria" nas prateleiras em edição impecável com texto de Neil Gaiman
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Sempre achei “João e Maria” um dos contos mais macabros dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm. Ora, como não se aterrorizar com uma narrativa em que crianças são abandonadas pelos pais, escravizadas por uma mulher desconhecida, que logo descobrimos ser não só perversa, mas canibal, que sustenta planos maléficos de “engordar” as crianças como se fossem animais preparados para corte e, então, comê-las.

Apesar de ter sido popularizada nas seções de livros infantis e fazer parte do imaginário de milhões de crianças ao redor do mundo, a história poderia muito bem ser um roteiro aterrorizante com uma pitada de trash para o cinema. Ou, quem sabe, um texto trabalhado pelas mãos do mestre da ficção, Neil Gaiman, que não abre mão do tom soturno em suas obras. Essa segunda ideia foi concretizada ano passado e chegou ao Brasil recentemente sob o capricho da Editora Intrínseca em uma edição que qualquer amante de contos do gênero ou fã de Gaiman não pode abrir mão de ter na estante.

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Capa de “João e Maria”, pela editora Intrínseca

Quando pus os olhos no livro pela primeira vez, o que me veio de imediato à mente foi a beleza da edição. O livro, que reúne o texto de Gaiman e as ilustrações do artista italiano Lorenzo Mattotti, conseguiu assumir o mesmo tom que o conto: macabro, cru e com um toque de simplicidade. Os desenhos de Mattotti, todos em preto e branco, trabalham formas, contornos e sombreamentos, corroborando para o teor sinistro da obra. A diagramação do livro une a essas características uma pegada clássica com arabescos e letras capitais  que remetem às formas tradicionais de edição dos contos de fadas e bruxas.

Contudo, é provável que aqueles que esperam uma releitura da história digna da assinatura de Gaiman possam se frustrar. Gaiman não acrescenta muito além da sua própria escolha de elementos textuais para a história dos irmãos que se perdem na floresta. A narrativa de João e Maria continua como a conhecemos. Contudo, numa edição de estética impecável, que vale a pena se guardar e, para os pais de bom gosto, repassar para os filhos.

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