Mais madura, sequência de Maze Runner exagera na ação
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6.5

A moda das distopias continua, sem previsão para parar. Um ano após a estreia de Correr ou Morrer chegou aos cinemas sua sequência, Prova de Fogo, os dois longas são adaptações da saga literária Maze Runner, de James Dashner.

Atenção: contém spoilers!

O filme começa exatamente de onde o primeiro parou, o resgate dos agora ex-clareanos do labirinto. Levados para uma espécie de fortaleza no meio do grande deserto que virou o mundo, eles não demoram a descobrir que nunca foram resgatados e continuam sob o domínio do Cruel.

Prova de Fogo sobressai ao seu antecessor em alguns aspectos. Com um orçamento maior, os efeitos visuais melhoraram (ainda que nada justifique o formato 3D, que a FOX provavelmente só disponibilizou para alavancar a bilheteria). Outro ponto positivo está no elenco, mas precisamente nos novos membros. Apesar das críticas gerais, gostei de Aiden Gillen (o Mindinho de Game of Thrones) como Janson ou Homem Rato, assim como também aprovei Rosa Salazar (Insurgente) como Brenda.

Em uma franquia predominantemente masculina, que até então tinha como únicas mulheres a experiente Patricia Clarkson como a doutora Ava Paige, que mal aparece, e Kaya Scodelario como a insossa Teresa, a entrada de Brenda foi um belo reforço. Apesar do pouco tempo em tela, a personagem consegue ser marcante e salva por duas vezes a pele de Thomas (Dylan O’Brien).

É possível também perceber um certo grau de amadurecimento da trama, que adota um tom mais sombrio.  Agora o grupo antes isolado na Clareira tem de enfrentar o mundo externo: cidades desérticas, ameaça de um vírus mortal que maze_runner_3transforma humanos em verdadeiros zumbis sedentos por carne humana, além de serem confrontados com o desespero e certo cinismo dos poucos sobreviventes que encontram. Aliás, é importante ressaltar uma sacada bem legal da história  que difere um pouco de outros títulos do gênero. Embora também mostre um grupo se rebelando contra o sistema, a franquia parece focar muito mais na influência do sistema dentro do grupo. Em cada filme há sempre um fator de desequilíbrio que rompe com a harmonia do grupo. Em Correr ou Morrer, Thomas e sua eterna ânsia por respostas representava esse fator. Em Prova de Fogo toda a jornada deles no deserto é uma verdadeira provação, um exemplo disso é a cena em que Thomas e Brenda são drogados por pessoas pagas pelo Cruel e quase desistem da luta.

No entanto, Prova de Fogo tropeça onde mais prima. O ritmo acelerado do enredo, que já virou marca registrada da franquia, e se encaixou tão bem em Correr ou Morrer, não funcionou da mesma forma aqui, na realidade prejudicou. O filme consegue ser ainda mais enérgico do que seu antecessor, os personagens estão sempre fugindo de alguma coisa, o que tornou o enredo muito corrido. O longa até parece ter pressa para acabar, como consequência faltou espaço para situar mais o público no que estava acontecendo, e esclarecer algumas das muitas incógnitas. Foram ainda poucas  as informações sobre o Cruel, o vírus que dizimou grande parte da humanidade, ou sobre o processo que levou o mundo ao colapso, o que pode tornar a experiência de assistir um tanto quanto frustrante. Sem falar que para os fãs dos livros, ainda há mais do que reclamar considerando o quanto o filme se afastou da história original.

No fim, tive a irritante sensação de ter corrido em círculos sem chegar a lugar algum. Em 2016 a franquia chegará ao seu desfecho com quase tantas perguntas  quanto no seu início, dois anos antes.

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Maze Runner – Prova de Fogo tem direção de Wes Ball e produção da Century Fox. O terceiro e último filme da franquia, A Cura Mortal, deverá estrear no segundo semestre de 2016.

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