Por que “O Bebê de Rosemary” é um clássico do horror?

Pensar em alguns clássicos do terror é muito fácil, logo logo qualquer amante de cinema consegue “vomitar” mais de 10 filmes que marcaram a história do cinema mundial. E para os que se consideram especialistas na área (como eu) é claro que O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski entra no mínimo no top 3.

A trama de O Bebê de Rosemary se passa logo após Rosemary (Mia Farrow) e seu marido Guy Woodhouse (John Cassavets) se mudarem para um prédio que tem histórias um tanto intrigantes que envolvem canibalismo, assassinatos e rituais satânicos. O enredo é muito bem desenvolvida durante mais de duas horas de filme, que consegue prender o telespectador até o fim.

Tudo sobre a mitologia, mitologia essa que compõe tudo o que se pode saber sobre  rituais satânicos, bruxaria e isso traz um tom muito pesado à história, o que é uma curiosidade sobre a obra, já que Polanski contou com a ajuda de ninguém menos que o fundador da igreja de Satã, Anton LaVey. A atuação de Mia como Rosemary é primorosa e de encher o coração de pena pelo desfortúnio de sua personagem, o drama e o desespero são as principais palavras que caracterizam a trajetória dela na trama, aos trancos e barrancos, Ro ainda consegue se manter a mesma mulher forte.

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O Bebê de Rosemary não é feito apenas de Mia Farrow, os coadjuvantes da história também são de extrema importância e sustentam atuações de cair o queixo. Um exemplo perfeito é Ruth Gordon, que interpreta Minnie no filme, a voz estridente e muito aguda traz um tom creepy para a personagem. Roman Polanski, diretor do filme, sabe muito bem como tratar as cenas de rituais, além de retratar muito bem a tensão.

O ano em que o filme foi lançado foi um ano difícil nos EUA, a morte de um grande homem mexeu com a estrutura emocional do país. Martin Luther King, morria naquele ano deixando o seu legado e sua força para a luta contra a segregação racial que era tão forte na década de 60. Além disso, a Guerra do Vietnã mexia com a estrutura de famílias de norte a sul do país.

O edifício aonde foi gravada grande parte do filme tem muitas histórias e curiosidades interessantes, foi na frente deste edifício que um dos grandes nomes do rock internacional, John Lennon, foi morto em 8 de novembro de 1980 e também onde morou com sua esposa Yoko Ono por muito tempo. Outros nomes que residem ou residiram são Harlan Coben, Aleister Crowley e Boris Karloff. O conjunto ainda é bastante visitado por turistas, e é um dos vários pontos turísticos de Nova York, situado na esquina da 72nd Street e Central Park West.


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Mas por que será que O Bebê de Rosemary tornou-se tão aclamado que ganhou o título de “clássico”? Simples, a trama, apesar de bem simples, é bem desenvolvida, sem enrolação e consegue sustentar-se muito bem, além de trazer algumas críticas sociais que estavam à tona na época, a liberdade da mulher é um ótimo exemplo, já que os direitos civis ainda estavam em processo de criação, além da mulher ainda estar ganhando seu espaço na época, o que é criticado de forma sucinta em várias cenas do filme. Além de trazer tudo isso, o plot twist da história é de cair o queixo, a confusão de sentimentos no final é inevitável e o gosto de “quero mais” com certeza ascende a níveis astronômicos.

Portanto O Bebê de Rosemary se consolida como um clássico com todos os méritos possíveis, e sem dúvidas é uma das obras que mais ganham homenagens em outros filmes do mesmo gênero atualmente, um exemplo seria Annabelle, e é claro que fica a dica para conferir esse clássico que recentemente esteve nas grandes telas novamente, graças ao Cinemark Clássicos.