Em cartaz nas salas de cinema natalense desde o último dia seis, “Jobs” (2013) traz o ator Ashton Kutcher encarnando o visionário da informática, Steve Jobs. Com um roteiro enxuto e com pouco brilho, o filme segue a mesma linha, não sabendo explorar a história e com atuações que nem de longe são memoráveis.

Steve Wosniak (Josh Gad)  e Steve Jobs (Ashton Kutcher) na garagem dos pais de Jobs, no início da Apple

Apple maníacos ou não, todos já ouviram falar em Steve Jobs, co-fundador da Apple Computer, uma das maiores empresas de computação do mundo, ele era o rosto a frente da empresa e seu nome sinônimo de negócio bem sucedido. Falecido em 2011, vítima de um câncer de pâncreas, Steve deixou um legado de eletrônicos sem precedentes, dentre eles os estimados Macbook, Iphone, Ipod e Ipad. Jobs sem dúvidas foi um cara visionário e seu talento e competência são absolutamente indiscutíveis, como ser humano eu não diria o mesmo. Vamos ao enredo.

O filme do diretor Joshua Michael Stern, roteirizado pelo estreante Matt Whiteley, não está à altura de seu personagem, aliás, não me admira que muitas outras biografias sobre Jobs apareçam depois dessa. O enredo do filme é simplista, tratando da juventude de Steve (Ashton Kutcher) na faculdade de engenharia, no início da década de setenta, um hippie interessado em caligrafia e em espiritualismo até o ápice da Apple. Viagens mentais psicodélicas, naturalismo e uma jornada a Índia são postos no longa sem muita razão de ser, mas prossigamos.

Entre as pessoas que Jobs afastou está sua namorada, Chris-Ann Brennan (Ahna O’Reilly)

Steve larga a faculdade e começa a trabalhar na empresa Atari, sim aquela mesma dos primeiros joguinhos digitais e já mostra seu lado perfeccionista e difícil de lidar. Então, entra em cena o gênio, na minha opinião, o simpático nerd Steve Wosniak, interpretado pelo carismático Josh Gad. O “Woz” é amigo de Jobs e engenheiro eletrônico da HP, prestigiada empresa da computação. Com a ideia, o trabalho e a genialidade de Wosniak e a cara de pau e audácia de Steve Jobs, eles fundam a Apple Computers na garagem dos pais de Steve.

A escalada até tornar a Apple a empresa sinônimo de qualidade é a razão de vida de Jobs, aliás o filme aborda bem essa obsessão pelo sucesso e poder de seu criador. Seu egocentrismo é tamanho que ele se considera acima de todos e tudo, se afasta de pessoas queridas e culmina com sua reirada de sua própria empresa. Ok, leitor, não encare como um spoiler, afinal essa história de que Steve caiu fora da Apple é conhecida por boa parte das pessoas.

Kutcher em bom momento nos cinemas vivendo Steve Jobs

Àqueles que, assim como eu, já assistiram “Piratas do Vale do Silício” (1999), filme que retrata a disputa entre Bill Gates e Steve Jobs, pode não ter ficado nada surpreso com “Jobs” (2013), ou mesmo aqueles que sabem o mínimo sobre a história do criador da Apple. O filme não traz nada novo e embora mostre o lado exagerado da personalidade de Steve, ainda não chega a fazer nenhuma crítica sobre a figura, aliás toda sua postura rude, dura e egocêntrica é justificada por uma causa maior, falta o falível, o homem e não seu mito.

Cinebiografias tendem a mostrar o lado positivo de seu biografado, críticas ou mesmo momentos de pouco prestígios são preteridos. O filme de Joshua Michael Stern poderia ter se aprofundado mais no enfoque que escolheu: a carreira de Jobs. O embate com a IBM foi superficial, Jobs tinha como um dos objetivos profissionais vencer a empresa e não media esforços, campanhas publicitárias e declarações pejorativas. Outro aspectos que teria sido interessante acrescentar à trama é a disputa com Bill Gates, outro ponto bastante relevante na história da Apple e de seu fundador; ou ainda o assalto à Xerox, um dos momentos mais folclóricos e memoráveis da computação, em que Jobs roubou a ideia do “mouse” e incorporou no computador Lisa. Ou ainda seu trabalho nos estúdios da Pixar, todos esses pontos não foram usados.

Semelhança gritante entre Steve Jobs e o ator Ashton Kutcher

De um modo geral, o saldo é positivo, mas a impressão que fica é que poderia ter sido melhor. Para um primeiro contato com a história de vida do homem por trás da Apple é instrutivo, mas não mais que isso. O filme é morno, não oferece nenhum momento memorável. Para aqueles que já conhecem um pouco da história de Steve, o longa pode ser ainda menos interessante.

Muito se falou a respeito de Ashton Kutcher assumindo um papel de grande importância. Confesso que o rapaz não está mal, mas muito deve-se à semelhança física com o Steve. Kutcher incorporou todos os trejeitos físicos e características da fala de Jobs, mas sua atuação não foi mais que isso, faltou a aura e a inquietude do criador da Apple. Como eu disse no início desse texto, o filme é morno, almeja mas não surpreende, não emociona, não acrescenta em nada, salva a trilha sonora com boas músicas da década de setenta e os Steves (Wosniak e Jobs), que estão bem. Não mais que isso, o filme é facilmente esquecido.

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