“Linha de ação” é um daqueles filmes que nos faz questionar o senso daqueles que escolhem os títulos pelos quais os filmes estrangeiros são vendidos no Brasil. Tudo bem que não há muito sentido em “Broken City” (título original), expressão que só é usada uma vez no filme para referir-se a cidade de Nova York, mas “Linha de ação” é ainda mais impróprio, visto que no quesito “ação”, gênero como o filme é classificado, a produção deixa muito a desejar.

O roteiro encontra sua deixa em uma suposta traição e assim desenrola-se por quase duas horas. O atual prefeito (e também candidato às eleições municipais) de Nova York, Nicholas Hostetler (Russell Crowe), contrata o detetive particular e ex-policial Billy Taggart (Mark Wahlberg) para conseguir provas de que sua esposa o traía. Tentado pela oferta generosa de dinheiro e pela falta de orçamento na sua empresa, Taggart acaba aceitando entrar no meio do processo que, ele acaba descobrindo, ultrapassa os conflitos conjugais do prefeito e da primeira dama, Cathleen Hostetler (Catherine Zeta-Jones).

Wahlberg e Russell Crowe são os protagonistas do filme

“Linha de ação”, dirigido por Allen Hughes, de “O Livro de Eli”, é um filme que não traz muitas novidades. Aposta em elementos chamativos e certeiros para o grande público e carece dos outros (que julgo serem os principais). Temos três nomes conhecidos, o que já é, por si só, aliado ao selo de filme “de ação”, suficiente para encher algumas sessões de fins de semana. A produção tem também o nome de Mark Wahlberg, que o que tem de moderado em suas atuações, tem também em seus investimentos comerciais. Prefere a segurança do mediano à incerteza de arriscar-se em um projeto ambicioso, mas sem garantia de aceitação pelo público.

Dessa forma, temos um roteiro simples, que se faz compreender, mas não muito bem elaborado. Alguns momentos deixam o espectador mais exigente, que não se contenta com a agilidade das cenas e necessita de entender a estória, um tanto confuso. Os personagens são, em sua maioria, clichês (aquele tipo de figuras típicas que costumamos encontrar nos filmes de mesma casta), e, com exceção do protagonista, não muito bem elaborados. Alguns deles brotam e dissipam-se sem que saibamos verdadeiramente qual a sua razão de vida na película. Outros (como é o caso da esposa do protagonista, interpretada por Natalie Martinez) começam bem e depois desaparecem sem que o roteiro se dê ao trabalho de emendar uma conclusão convincente a sua participação.

Catherine Zeta-Jones integra o elenco de “Broken City”

A clássica trilha sonora de ação, assim como a fotografia um pouco escura, estão presentes o tempo inteiro. A atuação de Mark Wahlberg, talvez a melhor, ajuda a manter um filme um pouco mais convincente e interessante, mas todos os outros atores são, no máximo, regulares. Russell Crowe, que eu acredito sinceramente ter algum talento, mas um péssimo faro para a escolha de personagens, por vezes falha na persuasão como o prefeito Hostetler, e Catherine Zeta-Jones está no patamar de quase sempre, o tipo de atriz que dá exatamente o que o filme busca em seu produto final: segurança e constância, nada mais que isso.

Penso que o maior mérito de roteiro seja a boa e velha discussão moral entre o fazer o que é certo, mesmo tendo que assumir prejuízos por vezes severos, e o conforto da mentira, que (quase) sempre vem acompanhada de um peso na consciência. Também é abordada a sujeira existente por trás das campanhas políticas, temática que não podemos classificar como menos que “batida” na cinematografia hollywoodiana.

 

Por fim, “Linha de Ação” é um filme de entretenimento nada mais que suficiente. O espectador que procura uma película inovadora ou que desperte curiosidade, seja a nível de linguagem técnica cinematográfica ou enredo, certamente vai se decepcionar com esse filme, que parece ter sido feito com o simples intuito de ocupar espaço nas sessões das grandes redes comerciais. E, obviamente, lucrar com isso.

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