Cena de Breakfast at Tiffany’s

Em homenagem à comemoração da oitava década desde a conquista do voto feminino, em 24 de fevereiro de 1932, preparamos uma lista de filmes com história de mulheres que se destacaram a seu tempo por alguma razão específica. Entre os filmes também há ficções, não menos importantes, pois partiram das telonas e influenciaram mulheres e atitudes em todo o mundo. A lista não se trata dos 15 melhores filmes sobre o tema, até porque a tenra idade das humildes editoras não permite tamanho conhecimentos, portanto, trata-se de uma lista pessoal que preparamos com carinho para o leitor. Dessa forma, esperamos dar boas dicas que acrescente em algo a bagagem cinematográfica de vocês. Novamente, os filmes estão listados por ordem cronológica dada a dificuldade de organizá-los por mérito da produção. E quem tiver as suas sugestões para nós, envie por comentários! Vamos à lista!

E o vento levou… (Gone with the wind, 1939)

Direção: Victor Fleming

Com: Vivien Leight e Leslie Howard

 

 

Li uma vez que guerras são guerras e todas são injustificáveis. Acho que no caso de Scarllet O’Hara (Vivien Leight),  essa frase se encaixa perfeitamente. Quebrando as regras de etiqueta e comportamento de “damas” da época, além de sonhar em morar fora da segurança da família, a bela toma uma decisão e declara seu amor a Ashley Wilkes (Leslie Howard), mesmo sabendo que ele está noivo de sua prima, porém, é rejeitada. Magoada, ela decide aceitar o pedido de casamento de Rett Butler (Clark Gable), mesmo não sendo apaixonada por ele.  A guerra civil da época, porém, trazem uma série de conflitos inesperados e marcantes para os personagens. 

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, 1961)

Direção: Blake Edwards

Com: Audrey Hepburn e George Peppard

 

 

Esse filme acabou na nossa lista porque mostra a descoberta da mulher em fazer as suas próprias escolhas, sejam elas boas ou ruins. Holly é uma garota de programa que, vestida de inocência, futilidade e ambição, almeja encontrar um homem rico que a sustente. Contudo, o destino faz suas peripécias e ela se apaixona por Paul Varjak, escritor que é sustentado pela amante, e se vê obrigada a optar entre o modo de vida tão sonhado e sua própria felicidade. Holly é tida como o marco da independência da mulher moderna.

 

Carlota Joaquina (idem, 1995)

Direção: Carla Camurati

Com: Marco Nanini, Marieta Severo e Marcos Palmeira

 
 

Por mais que haja alguns erros históricos no filme, Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, acaba se tornando inusitado por explorar uma visão interessante: trata-se de uma sátira à esposa do príncipe D. João de Bragança. Nele, a corte portuguesa foge para o Brasil por causa das tropas napoleônicas, e demonstra como era a vida de Carlota, com uma deliciosa pitada de ironia incrementada muito bem pela diretora Carla Camurati. O filme é um marco no cinema brasileiro devido a qualidade de sua produção, sendo falado em português e inglês.

 

Evita (idem, 1996)

Direção: Alan Parker

Com: Madonna e Antonio Banderas

 

 

Bastante alfinetado pela crítica, sobretudo por trazer a cantora americana Madonna no papel da primeira-dama argentina, Evita é um polêmico filme sobre uma personagem mais polêmica ainda. Contudo, acredito que valha à pena assistir ao filme, por algumas atuações, pelo enredo e pelo núcleo musical, recebendo o Oscar de Melhor Canção Original por You Must Love Me em 1997. O filme é narrado em flashback e, além de Madonna, traz Antonio Banderas, Jonathan Pryce e Andrea Corr (do grupo irlandês The Corrs) no elenco.

 

Mulan (idem, 1998)

Direção: Tony Bancroft e Barry Cook 

Com: Lea Salonga

 

 

Certo, é uma animação feita para crianças, mas Mulan nos passa uma mensagem rara, necessária, e preciosa: A de coragem. Fa Mulan (Ming-Na e Lea Salonga) é uma jovem que, ao ver o pai debilitado e idoso ser obrigado a ir pra guerra, decide tomar suas armaduras, se disfarçar de soldado e lutar em seu lugar, mesmo sabendo o risco de ser condenada à morte.

 

Joana D’Arc (Joan of Arc, 1999)

Direção: Christian Duguay

Com: Leelee Sobieski, Peter O’Toole e Jacqueline Bisset

 

 

Joana D’Arc, de Christian Duguay, é mais uma adaptação da famosa virgem de Orleans, a garota que ouvia vozes, tida como heroína para franceses e herege para ingleses. Está longe de ser a melhor versão da história (minha favorita, na verdade, é a de Dreyer, de 1928), mas é tudo uma questão de gosto. Contudo, é inegável que a Joana D’Arc de Duguay é uma das mais fiéis ao que se conhece da história verdadeira. Traz uma Leelee Sobieski encantadora no papel principal, além de Jacqueline Bisset, Peter O’Toole e Shirley MacLaine em papés secundários. Algumas cenas fortes me angustiaram há cinco anos, quando assisti ao filme pela primeira vez. Foi feito para televisão, pegando carona no sucesso de Besson, que trazia a belíssima Milla Jovovich no papel principal.

 

Erin Brockovich – Uma mulher de talento (Erin Brockovich, 2000)

Direção: Steven Soderbergh

Com: Julia Roberts e Albert Finney

 

 

Há quem diga que essa é a única atuação que mereça respeito de Julia Roberts. Eu não concordo. Acho que a moça até que é boa atriz. Mas é mesmo indiscutível que em Erin Brockovich ela alcançou um nível até então desconhecido em seus trabalhos. Não é à toa que, por sua atuação como a determinada Erin, ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 2001. Trata-se da história real de uma mulher que, desempregada e com dois filhos, tenta conseguir um emprego num escritório de advocacia. Erin acaba por se envolver mais do que o seu trabalho como assistente exigia e acaba lutando com garra contra uma importante empresa, acusando-a de poluir a água local. Paralelo a isso, Erin também batalha em sua vida particular. A mulher ficou conhecida por seu ativismo ambiental. A verdadeira Erin aparece no início do filme, como uma garçonete de uma cafeteria.

 

As Horas (The Hours, 2002)

Direção: Stephen Daldry

Com: Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep

 

 

A primeira observação sobre o filme é: não tem quem diga que Nicole Kidman é Nicole Kidman nele. Das duas uma: ou tinha muita maquiagem ou muita falta dela. De toda forma, As Horas é um filme que trás como elo para as três personagens principais o livro Mrs. Dolloway. Virginia Wolf, autora do livro, interpretada por Nicole Kidman (ou por alguém que disseram ser ela ‘-‘) vive no início do século XX e enfrenta uma crise suicida. Laura Brown, interpretada pela talentosa Julianne Moore, é uma complicada dona de casa grávida e vive mais ou menos na metade do século. Já Clarissa Vaughn, interpretada por Meryl Streep, é uma escritora aparentemente lésbica, mas com sérios conflitos emocionais (e sexuais). Sobre esse filme, só tenho uma coisa a dizer: é muito talento para uma película só.

 

Frida (idem, 2002)

Direção: Julie Taymor

Com:  Salma Hayek  e Antonio Banderas

 

 

Um país intenso como o México pede um ícone também intenso, como era Frida Kahlo. Artista aclamada por seus quadros e sua personalidade, o filme mostra a adolescência e morte de uma mulher dominada por suas emoções e doenças, além do conturbado relacionamento com Diego Rivera. 

 

Olga (idem, 2004)

Direção: Jayme Monjardim

Com: Camila Morgado, Caco Ciocler e Fernanda Montenegro

 

 

O filme é, acima de tudo, sobre amor, na sua forma mais abrangente. Olga Benário Prestes é uma jovem comunista, judia e alemã que desde adolescente está envolvida com a sua paixão, a política. Nas reviravoltas desse mundo de conflitos, ela chega ao Brasil e conhece o seu futuro marido, Luís Carlos Prestes, mas também a crueldade, e acaba por ser enviada à câmara de gás na Alemanha.

 

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004)

Direção: Clint Eastwood

Com:  Hilary Swank e Clint Eastwood

 

 

Se há uma palavra para definir esse filme, eu escolho essa: cativante.  Trata-se da história de Frankie Dunn (Clint Eastwood), astro do boxe, porém um homem solitário escondido sob uma máscara de agressividade, e Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), uma lutadora não tão talentosa, mas com uma força de vontade e determinação de causar arrepios. Em meio a agressões e cumplicidade, os dois encontram um no outro um espírito que vai além das dores pessoais e perdas, trazendo de volta a sensação de como é ter uma família de novo. 

Miss Potter (Miss Potter, 2006)

Direção: Chris Noonan

Com: Renée Zellweger e Ewan McGregor

 

Já falei sobre Miss Potter aqui no blog numa quase crítica. Quem tiver interesse de conhecer mais a fundo o filme antes de assisti-lo, procure o post no início de Janeiro desse ano. Trata-se de um filme doce, suave e encantador sobre uma personagem admirável. Beatrix Potter foi uma autora de livros infantis que viveu no início do século XX. O filme traz umas seleção de cenas bastante cativante sobre a vida da personagem: sua paixão pelos desenhos, sua infância, o descrédito de sua família, e sua vida amorosa, que só se torna, de fato, ativa, quando ela se vê realizada com seu maior amor: seus desenhos e livros. As atuações de Renée Zellweger e Ewan McGregor completam o conjunto do filme que, na minha opinião em nada deixa a desejar.

Coco Antes de Chanel (Coco Avant Chanel, 2009)

Direção: Anne Fontaine

Com: Audrey Tautou e Alessandro Nivola

 

 

Com uma infância difícil, Gabrielle se vê obrigada a cantar em um cabaré e ser costureira para poder se sustentar. Desenvolvendo a paixão pelo segundo ofício, uma mera costureira de alfaiataria passou a ser um ícone da moda francesa, chamando atenção por abolir os espartilhos da época e criar uma moda essencialmente masculina e elegante.  

O Diário Secreto de Miss Anne Lister (The Secret Diaries of Miss Anne Lister, 2010)

Direção: James Kent

Com: Maxine Peak

 

 

Anne Lister é conhecida como “a primeira lésbica moderna”. Esse filme é baseado em relatos dos seus diários secretos, escritos durante o século XIX. As partes do diários em que ela narrava seus envolvimentos emocionais e sexuais com outras mulheres foram escritas em códigos e decifradas apenas por volta de 1930. Anne Lister era abertamente lésbica, embora seus familiares e conhecidos tentassem manter-se leigos a isso. O filme é uma produção britânica para televisão. Ao contrário da maioria dos filmes cujo enredo se passa no século XIX, Anne Lister passa longe do conservadorismo, trazendo cenas que se aproximam do erotismo.

A Dama de Ferro (The Iron Lady, 2011)

Direção: Phyllida Lloyd

Com: Meryl Streep

 

 

A Dama de Ferro trata da história da polêmica primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Contudo, o filme se pessoaliza quando preocupa-se em focar, sobretudo, os desafios não só políticos, mas pessoais de Thatcher. São temas, sua adolescência, militância, ideologias, relacionamento, o início da carreira política e a permanência por mais de uma década no posto de primeira-ministra. O que chama atenção, na verdade, como sendo a maior batalha de Thatcher, dentre tantas enfrentadas na política, é a luta contra a doença que lhe atinge na velhice, a qual ela encontra uma forma de vencer da mesma forma, justificando o título que lhe é dado (“a dama de ferro”). Belíssimo filme, roteiro impecável, maquiagem digna de um Oscar. Mas no fim das contas, quem detém a cena e leva o filme nas costas é mesmo a incrível e premiada Meryl Streep. Confesso que, ao assistir o filme, fiquei tão tomada por sua atuação que não consegui dar muita atenção aos outros aspectos da produção.

 

 

EXTRA

 

Um Só Coração (2004)

Com: Ana Paula Arósio, Erik Marmo e Edson Celulari

 

 

“Um Só Coração” vai além da história de uma grande mulher. A quantidade de falta talento que a Globo tem na escolha de nomes para as suas produções é a mesma do sucesso na realização delas. Um só coração foi exibida em 2004, mas deve ser assistida por quem quer que tenha interesse em conhecer a história do Brasil. O núcleo histórico da minissérie é competente e aproveita cada deixa da história da protagonista, Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio), para inserir temas como movimento modernista, comunismo, crises agrárias, política e personagens importantes da história do país, como Tarsila do Amaral, a jornalista Pagu e Assis Chateubriand. Contudo, a protagonista por si só já tem história de sobra. Yolanda Penteado foi uma mulher moderna, apaixonada, independente e destemida. Uma espécie de Scarlett O’Hara brasileira. Vale à pena separar algumas semanas para acompanhar esse incrível resgate histórico e cultural do Brasil.

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