Meu Namorado É Um Zumbi: com roteiro fraco, comédia cativa com atuações e trilha sonora

Confesso que vez ou outra tenho dessas de querer pagar um ingresso do cinema para ver filmes que tenho certeza que não valem minha meia entrada em horário não matinê. Nesses dias, decido que irei ao cinema com o objetivo de rir e tentar encarar a produção com a proposta a que ela pertence. No caso de “Meu Namorado é Um Zumbi”, uma adaptação adolescente de personagens dark da cultura estado-unidense.

Para alguns filmes, os mais previsíveis, já preparo as críticas mais venenosas e as mais ácidas alfinetadas, antes mesmo de estar diante da telona. A outros, contudo, vou sem muitas expectativas e me permito ser surpreendida. Foi o que aconteceu com o dito filme, ao qual fui assistir sem posicionamentos prévios, desejando apenas me deparar com uma boa comédia para um fim de tarde. Ao fim das contas, não fui frustrada.

Nicholas Hoult como o zumbi “R”

“Meu namorado é um zumbi” (Warm Bodies, 2013) é um filme norte-americano de título auto-explicativo dirigido pelo quase estreante Jonathan Levine. Se considerarmos o orçamento de 30 milhões que a produção tinha na mão, a verdade é que a produção ficou aquém do esperado. Mas a presença de alguns elementos fundamentais fazem com que o filme se torne, no mínimo, cativante.

O cenário é apocalíptico. Uma cidade tem a sua população  quase completamente transformada em zumbis e os poucos humanos que restaram tentam dizimar a espécie que se alarga a cada dia e retomar o controle de suas vidas, ameaçadas pelos comedores de cérebro. De um lado, temos o zumbi “R”, que se encontra em meio a uma crise existencial. Do outro, a corajosa e super-protegida Julie, filha de um general e adolescente destemida. Julie, junto com um grupo de jovens, tenta acabar com a maior quantidade de zumbis possível, contudo, a situação muda quando, em um confronto, ela é salva por “R”, que a mantém “em segurança” dentro de um aeronave por alguns dias, tempo o bastante para que o zumbi percebesse que ainda havia humanidade o bastante dentro de si para apaixonar-se.

Destaques do filme, o casal tem empatia e talento de sobra

Apesar de uma maquiagem medíocre, e não há outro adjetivo mais eufêmico para defini-la, sem que apelássemos para a desonestidade crítica, o filme tem boas atuações dos protagonistas, o talentoso Nicholas Hoult (como “R”) e a carismática Teresa Palmer (Julie), mas contrastam com a falha dos secundários, que não têm a mesma desenvoltura enquanto mortos-vivos que Hoult.

O roteiro do filme é mais uma adaptação da literatura (me surpreenderei quando achar um roteiro cinematográfico original em 2013) e apesar de faltar competência em vários aspectos, é cativante. A verdade é que está muito mais preocupado em fazer rir, como boa comédia, que em prezar por uma continuidade de cenas digna.

Maquiagem descuidada incomoda, mas não se torna grande empecilho para a trama

Um dos elementos chave do filme, e que acaba tendo papel fundamental para facilitar a sua digestão, é a trilha sonora agradável, que passeia entre o indie e baladas anos 80. Ou seja, cativa estranhos, nostálgicos e  pseudo-cults, por um lado ou por outro.

Como “Meu namorado é um zumbi” resolve fazer comédia em um contexto ainda pouco explorado no gênero (a dominação de uma cidade por zumbis), acaba conseguindo fugir bastante dos clichês e provocando boas risadas inéditas no público. A realidade é que se trata de um filme adolescente ao estilo “Crepúsculo”, que ameniza os personagens já conhecidos do terror. A diferença é que, dessa vez, mérito dos atores ou do tom de brincadeira adotado, até funciona.