Mommy

Amor de mãe quase todo mundo conhece e quem não conhece, já ouviu falar. Dizem, por aí, ser algo infinito, uma marca cravada entre a progenitora e seu filho, um acordo de sangue, sentimento e vivência. Construído das mais diferentes maneiras, seja através do nascimento, ou mais contemporâneo, a partir da adoção, o fato é que o amor de mãe sempre será um grande mistério.

Buscando desenvolver esse tema, Xavier Dolan dirige o filme “Mommy”, retratando a história de Die (Anne Dorval), uma mãe solteira que tenta fazer de tudo para criar Steve (Antoine-Olivier Pilon), o seu problemático e violento filho adolescente. Após a morte do marido, Die, que não consegue manter sua vida estável, também não consegue controlar as consequências desta perda na vida do seu filho. Traumatizado, Steve desenvolve um ressentimento extremamente violento do mundo.

O complexo de superproteção é algo inerente a todo ser vivo, uma ação evolutiva, sem a qual nenhuma espécie poderia se perpetuar. Mas do âmbito social, todo indivíduo deve se inserir e descobrir o mundo, para isso é necessário certo grau de autonomia e coragem. As sociedades, que se ampliam de forma desorganizada, apresentam altas taxas de violência e insegurança, por esse e demais motivos os pais modernos tendem a educar seus filhos em pequenas bolhas familiares, segregando-os da realidade e suas feridas. Indivíduos que não sabem o que é o sofrimento, o medo ou o erro, se tornam deficientes emocionais ao se chocarem com novas experiências. Este é o caso do jovem Steve, que depois da perda do seu pai, não consegue controlar seus anseios de raiva e, “explodindo”, acaba por muitas vezes machucar sua mãe.

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No filme podemos perceber claramente a estética de Dolan, com sua montagem de gravação muito peculiar ao trabalhar detalhes, como o toque das mãos, os closes nos rostos e suas expressões, além de objetos que se tornam íntimos dos personagens ao longo da trama, como o skate do jovem Steve. O roteiro, que me custou a agradar no momento em que assisti, se tornou pra mim algo bem especial depois de uma análise pessoal feita sobre toda a crítica que o baseia. Uma crítica à família, à perda e aos processos sociais que levam ao desenvolvimento de um jovem sem qualquer perspectiva das ordens de convivência.

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A adolescência é nos apresentada como uma tempestade de pensamentos e sensações, e mergulhado em meio a nuvens carregadas, a criação dos nossos pais podem influenciar na nossa formação, de uma chuva passageira a uma tempestade revoltosa. Por tamanha complexidade e perspectivas a serem exploradas, “Mommy” está representando o Canadá no prêmio do Oscar de melhor filme estrangeiro e tem fortes chances de levar a estatueta.  Xavier Dolan, mais uma vez, se credenciando como um dos mais inteligentes diretores da nova geração.

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