Não embarque neste Carrossel

Imagine um lugar em que se pudesse reunir as minorias sociais e logo após os seres considerados perfeitos pudessem praticar um bullying excessivo, para que outras pessoas vissem numa tela enorme. Imaginou ? Bom, esse lugar existe e está em Carrossel – O Filme.

O não tão esperado filme de Carrossel finalmente chegou aos cinemas, trazendo os mesmos personagens da novela do SBT e uma aventura totalmente nova fora da Escola Mundial. As férias são declaradas na escola e então a turma vai para o acampamento Panapaná e é lá que a “diversão” começa.

Com uma história rasa, com dramas e personagens superficiais, a trama mantém o mesmo ritmo nos seus 98 minutos, não cresce para nenhum lado. Os diálogos apresentados no filme não soam infantis. Entretanto como o século XXI e sua juventude está de ponta cabeça não surpreende mais a ninguém que termos como “ciúme de namorado” e “vingança” sejam citados num filme como este.

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Nada convence, nem mesmo o propósito do vilão Gonzales (Paulo Miklos), um personagem bem clichê, cujo estereótipo pôde ser visto muitas e muitas vezes nos filmes estrelados por Xuxa – tome como exemplo Xuxa e os Duendes, o personagem de Gugu.

Sobre colocar minorias num mesmo lugar e praticar bullying excessivo, característica citada no início deste texto, explico: usar a personagem Laura (Aysha Benelli), a “gordinha”, como desculpa para tudo é deplorável, e para se redimir, o “galã” Alan (Gabriel Calamari) se “apaixona” por ela. Não preciso nem falar dos personagens mais ricos, Maria Joaquina (Larissa Manoela) e Jorge (Léo Belomonte), que desprezam totalmente os outros.

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Paulo Miklos é vilão estereotipado

Portanto Carrossel – O Filme só agrada àqueles que gostam da novela, mas quem é de fora, o primeiro contato com o filme é repugnante. Nada funciona, piadas, “drama”, nada, o que é uma pena porque eles têm personagens bons, que foram mal aproveitados num roteiro muito ruim, a única coisa que é agradável é a fotografia, pois a locação é muito bonita. Então, Carrossel não vale nem o dinheiro nem o tempo gasto para ir na sessão. E um ponto a ser apontado é que, com filmes desse tipo, além de outros de humor e também “drama”, para onde o cinema comercial brasileiro tem caminhado? Mas isso fica para um outro texto, muito em breve.