Fila de supermercado, tédio. Uma revista Veja dando sopa ao lado. Começo a folhear de trás pra frente só para ver os livros mais vendidos da semana. Não Se Apega, Não – Isabela Freitas da editora Intrínseca na lista classificada como autoajuda. Nessa edição da revista, ainda tinha uma reportagem com a autora sobre o livro. Uma loira linda. Ops, hora de passar as compras!

Conexão em Brasília, sem nada pra fazer, fui dar uma volta naquele gigantesco aeroporto. Quem eu encontro? Não Se Apega, Não – Isabela Freitas, centenas, milhares na vitrine de uma loja! Fui lá e comprei. Gosto de livros com capas bonitas, todo arrumadinho, organizado. Sentei feliz esperando meu voo enquanto começava a ler convicto de que tinha feito a melhor compra do ano. Mas então, foi só R$ 29,90 mesmo, né?

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Sempre gostei de ler coisas que abordam o tema de relacionamentos. Minha estante é repleta de livros da Martha Medeiros, Lia Luft, Fabrício Carpinejar e Marla de Queiroz. E pra dar uma equilibrada no meu emocional, a saga Game of Thrones. Mas então, o que eu poderia esperar de uma garota de 23 anos que mal saiu da adolescência quando resolveu criar um blog pra desabafar das suas dores e teve a grande ideia de colocar tudo aquilo em um livro? No terceiro capítulo, eu já estava escondendo a capa para que ninguém me flagrasse lendo aquilo.

Mas fica a questão: se está na lista dos mais vendidos, provavelmente, é bom. A garota já foi a programas de televisão falar sobre o livro, participou da bienal de São Paulo… Qual o problema em minha opinião em não ter gostado tanto assim? Deve ser meu currículo de leitor, só pode. Quando você lê coisas grandiosas, de autores fantásticos, impossível se render a leituras pequenas, a livros que não te acrescentam em nada e mais ainda com uma escrita repleta de gírias de adolescentes, ta ligado?  “Saudade de quando eu tinha inimigas. Hoje me lixo tanto pra opinião dos outros que nem inimiga sobrou.” É esse tipo pensamento contemporâneo que encontrei no livro.

Isabela narra seus relacionamentos, tendo o último como base para uma verborragia emocional que deu origem ao blog. Um rompimento amoroso que, como sempre, deixa marcas. Começa a curtir a vida de solteira, que não é lá muito empolgante. Apenas dois melhores amigos Amanda e o Pedro (que torci para que fosse gay), aguentam os mimos da autora. Tentando promover o desapego, fiquei com esperanças de que ela pudesse escrever algo sobre o amor livre, sobre experiências ousadas que, em minha opinião, teriam dado um up no livro e na vida dela. Mas Isabela, que só acredita em amores como nos filmes Um Amor Para Recordar e Um Dia (que estão na sua lista de melhores filmes), adora sofrer e se lamentar.

Isabela Freitas, na Bienal 2014 em São Paulo

Isabela Freitas, na Bienal 2014 em São Paulo

É sabido por todos, ou quase, a dor da separação. O que importa é o que a gente faz depois que se separa. Isabela Freitas canalizou toda a sua energia no blog e deu no que deu. Se houve leitores, seguidores que gostaram do que ela escreveu, houve identificação. O que ela escrevia, traduzia milhões de sentimentos alheios por mais adolescentes que fossem. Dou créditos a ela por isso, por sua ousadia em compartilhar suas experiências por minúsculas e infantis que sejam. Só espero que os mesmos leitores cresçam a partir das leituras, que busquem em outros autores novas formas de se pensar o amor ou o assunto que mais interessar. E sobre a Veja, nunca mais acredito nem mesmo na lista dos mais vendidos.

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