O horror elegante de A Colina Escarlate

O esperado novo filme de Guillermo Del Toro finalmente chegou aos cinemas nacionais. Contudo, a expectativa de ver mais uma obra prima do diretor infelizmente foi por água abaixo.

A Colina Escarlate narra a história de Edith (Mia Wasikowska) e o seu dom para ver pessoas que já passaram desta para a melhor. A primeira experiência de Edith foi logo quando criança, após o falecimento de sua mãe, quando sua progenitora realiza contato de outro plano espiritual a fim de dar-lhe um importante recado. Anos mais tarde, Edith torna-se uma jovem lindíssima da alta sociedade de Nova York da época, e uma escritora em possível ascensão.

Logo após uma reunião com seu pai, Carter Crushing (Jim Beaver), o baronete Thomas Sharpe, interpretado por Tom Hiddleston (Loki, de Thor), conhece Edith, e dá-se a famosa “paixão à primeira vista”. Depois de algumas desavenças aqui e acolá, Edith finalmente casa-se com Thomas e os dois vão embora para a Inglaterra – país de origem de Thomas e sua irmã – e é aí que a história começa a ganhar um tom gótico e o terror finalmente é apresentado ao telespectador.

A Colina Escarlate

A ambientação que Del Toro apresenta no filme é impecável, com figurinos espetaculares e uma fotografia um tanto quanto claustrofóbica, por ser um pouco fechada e bem escura dando um tom creepy à imagem. A especialidade do diretor também está presente no filme, responsável por grandes monstros do cinema como Hellboy (2004) e O Labirinto do Fauno (2006). Em A Colina Escarlate não é diferente, o visual dos fantasmas é realmente assustador. Del Toro também abusa das películas vermelhas, deixando o filme em muitas cenas com tons de vermelho bem suaves o que aprimora bastante a intenção da fotografia.

A Colina Escarlate lembra muito alguns livros de H.P Lovecraft e Edgar Allan Poe, pelo seu tom de mistério que sobrepõe totalmente ao gênero do terror, apesar dos dois estarem interligados indiretamente. O resultado disso é um mistério bem clássico. Além desse aspecto, o romance Shakespeariano está presente na trama, nos permitindo classificar o filme como um “horror elegante”.

No decorrer da história, percebe-se a busca por um mesmo objetivo por parte de Thomas Shape e de sua irmã Lucille Sharpe (Jessica Chastain). Contudo, não há uma motivação muito forte para os personagens, fazendo assim com que a trama enfraqueça em enredo. As reviravoltas existentes em A Colina Escarlate se mostram um tanto quanto clichês demais, característica facilmente perceptível por alguns cinéfilos já calejados em filmes desse gênero. Um aspecto interessante do filme é que o amor move a trama inteira, desde o seu primeiro ato até a sua conclusão, seja o amor entre os protagonistas, ou entre um protagonista e uma personagem coadjuvante.

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É inegável que A Colina Escarlate é impecável em seu visual, porém, apesar do elenco de renome, todos os envolvidos deixam e muito a desejar em suas atuações, ninguém se mostra memorável na trama e deixam-se levar por um roteiro fraco que resulta em uma conclusão má resolvida, deixando várias pontas soltas e interrogações no final. No entanto, o horror melancólico e o mistério clássico, características principais de autores consagrados do gênero, são um ponto positivo para a trama.

A Colina Escarlate vale a ida inflacionada em período de crise ao cinema se, e somente se, você procura um filme extremamente elegante. Nada além disso.