O Impossível: Produção europeia tem história comovente, mas exagera na dramaticidade

O longa “O Impossível”, é uma produção europeia entre Espanha, França e Itália, sob a batuta do diretor catalão Juan Antonio Bayona. O filme narra a história de uma família espanhola – na telona, britânica – que resolve passar o feriado do natal na Tailândia no ano de 2004 e é surpreendida dia 26 de dezembro pela maior tsunami registrada na história, que atingiu a costa sul da Ásia. Dito isso, caro leitor, você imagina o cenário de devastação que os personagens têm de enfrentar, né? 

Naomi Watts lutando para sobreviver em O Impossível

Logo no início do filme, o espectador tem a confirmação de que se trata de uma história real com os letreiros que abrem o filme, em seguida somos apresentados a família Benett, uma típica família britânica feliz, um pai (Ewan McGregor) alto executivo de uma companhia japonesa; uma mãe (Naomi Watts) que abdicou da profissão (médica) para cuidar dos filhos e os três garotos: o adolescente, Lucas (Tom Holland), Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendergast),  as maiores surpresas do longa.


O cenário idílico das praias tailandesas é pouco contemplado, quando estamos começando a nos acomodar nas cadeiras do cinema, eis que vem a onda implacável, destruindo e carregando tudo que encontra pela frente. A família Benett começa então o seu purgatório. São cerca de dez minutos de pura aflição vendo Maria (Naomi Watts) lutando pra sobreviver em meio à correnteza. Ao ver o filho mais velho, Lucas, a angústia do espectador aumenta mais ainda, quando mãe e filho nadam tentando se encontrar. 

Daí em diante, uma saga de sobrevivência é travada, entre a mãe e o filho mais velho, em um primeiro momento e entre o pai e os dois filhos mais novos, em um segundo momento. Naomi Watts está excelente no papel da mãe, ela consegue expressar toda a sua dor e desespero apenas com o olhar, sem exageros ou grandes falas. Ewan McGregor como sempre, faz o dever de casa, está bem como Henry, mas nada que inspire grandes elogios. Já o filho mais velho, Lucas, interpretado por Tom Holland, é a alma do filme, em sua primeira participação no cinema o ator conseguiu passar exatamente a sensibilidade e angústia que o personagem precisava, sem exageros ou firulas.

A família Benett em noite de natal na Tailândia

Outro ponto alto do filme é a ponta de Geraldine Chaplin em um diálogo sobre a idade das estrelas com o filho do meio da família, Thomas, interpretado por Samuel Joslin. Os intensos e expressivos olhos azuis de Geraldine cativam até mesmo os mais desinformados dos espectadores.

O trabalho da diretora de set e do diretor de arte, Marina Pozanco (Vick Cristina Barcelona) e Dídac Bono (As Sombras de Goya) é um dos mais realistas e bem feitos que vi nos últimos tempos. O cenário de destruição e caos da costa asiática foi muito bem construído e é um dos elementos fundamentais para desenrolar da trama. Clint Eastwood em seu “Além da Vida” também passeou pela costa asiática em meio a tsunami, o trabalho de direção de arte foi louvável, mas nada tão grandioso como o que vemos em “O Impossível”.

Os pequenos Samuel Joslin (a esquerda) e Oaklee Pendergast (direita) com Ewan McGregor

A tônica do filme é de emoção, a parte técnica do longa, no que diz respeito à direção de arte e produção vai muito bem, obrigada! Mas a trilha sonora assinada por Fernando Velázquez, ao meu ver, é exagerada. A história por si só já é tensa, não é preciso que a música pontue todas as cenas pra que o espectador possa senti-las.

A devastação, o horror e o instituto de sobrevivência são as três coisas mais retratadas pela película, afinal, estamos falando de uma tragédia real que deixou mais de 230 mil mortos na costa sul asiática. O que torna a história dessa família universal é a dor e o que faz dela única é a esperança, e visto por esta ótica “O Impossível” é um filme humano e íntegro, que padece de algumas falhas técnicas, é verdade, mas que em tempos de egoísmo e individualismo, a temática humana é fundamental.

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Leila de Melo
Uma míope quase sempre muito atrasada, cinéfila por opção, musicista fracassada e cronista das pequenas idiotices da vida. Pra sustentar suas divagações é jornalista, roteirista e fotógrafa.
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Leila de Melo

Uma míope quase sempre muito atrasada, cinéfila por opção, musicista fracassada e cronista das pequenas idiotices da vida. Pra sustentar suas divagações é jornalista, roteirista e fotógrafa.

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Respostas de 4

  1. Qd eu vi esse trailer pensei: clichê!
    Mas depois q vi tu e a Dressa comentando um pouco e gostando, percebi que não podia ser tão ruim assim.
    Por aqui ainda está em cartaz, mas não fui ver por pura preguiça…Se eu assistir eu digo o que achei 🙂

    :**

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